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Empresa de energia eólica varria o fundo do mar com sonar para erguer 150 turbinas e achou, a 60 metros, um vapor que afundou em 1877 com 615 toneladas de carvão, bem onde o vento vai substituir o carvão

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 25/06/2026 às 19:12 Atualizado em 25/06/2026 às 19:14
Sonar do parque Aurora Green, da Iberdrola, em Gippsland achou o City of Hobart: um naufrágio de navio de carvão achado por eólica a 60 m, afundado em 1877.
Sonar do parque Aurora Green, da Iberdrola, em Gippsland achou o City of Hobart: um naufrágio de navio de carvão achado por eólica a 60 m, afundado em 1877.
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Na Austrália, o sonar da Iberdrola varria o fundo do mar para erguer o parque eólico Aurora Green, em Gippsland, e topou com o City of Hobart, vapor que afundou em 1877 com 615 toneladas de carvão: um naufrágio de navio de carvão achado por eólica a 60 metros, bem onde o vento vai substituir o carvão.

Tem descoberta que ninguém vai procurar e mesmo assim aparece. Foi o que aconteceu com a Iberdrola, gigante espanhola da energia, no fundo do mar da Austrália. Enquanto varria o leito oceânico com sonar para planejar um parque de energia eólica offshore, a empresa esbarrou num vapor de ferro que estava desaparecido havia quase 150 anos. Era o City of Hobart, um navio que afundou em 1877 carregando 615 toneladas de carvão, achado bem no lugar onde o vento vai substituir esse mesmo carvão.

O caso foi noticiado pelo site de mergulho Divernet, especializado em naufrágios. O destroço estava a 60 metros de profundidade, na área do futuro parque Aurora Green, em Gippsland, e só foi confirmado depois que a Iberdrola passou as coordenadas a mergulhadores técnicos. Um naufrágio de navio de carvão achado por eólica: a coincidência é poética demais para ser invenção.

Um sonar à caça de turbinas que achou um fantasma

Sonar do parque Aurora Green, da Iberdrola, em Gippsland achou o City of Hobart: um naufrágio de navio de carvão achado por eólica a 60 m, afundado em 1877.
A missão original não tinha nada de arqueologia.

A Iberdrola fazia levantamentos geofísicos no fundo do mar, no começo de 2025, para mapear o terreno onde pretende fincar as turbinas do parque Aurora Green.

Foi nessa varredura de rotina, feita com sonar, que o equipamento detectou não um, mas dois naufrágios na área e no entorno do futuro parque.

Um deles era um velho conhecido.

O segundo destroço foi identificado como o SS Vicky, um naufrágio que já tinha sido localizado antes na mesma região de Gippsland.

Mas o outro era o prêmio grande.

Aquele eco no sonar acabou sendo o City of Hobart, e a Iberdrola tinha, sem querer, achado a peça que mergulhadores caçavam havia décadas.

Um naufrágio de navio de carvão achado por eólica, no susto.

Quem saiu para medir o chão do mar voltou com um capítulo perdido da história marítima australiana.

O City of Hobart, o vapor que sumiu em 1877

A história do navio é digna de cinema antigo.

O City of Hobart era um vapor de ferro que, em julho de 1877, partiu de Newcastle rumo a Melbourne carregando 615 toneladas de carvão.

Três dias depois de zarpar, perto do cabo Wilson’s Promontory, o eixo da hélice quebrou e a água começou a invadir os porões.

A tripulação teve sorte.

Os marinheiros conseguiram escapar em botes salva-vidas antes que o City of Hobart afundasse de vez, levando a carga de carvão para o fundo.

E aí o navio simplesmente sumiu do mapa.

Durante quase 150 anos, ninguém soube exatamente onde o City of Hobart tinha ido parar, apesar de várias buscas de mergulhadores ao longo das décadas.

Era um dos enigmas da costa de Gippsland.

Um vapor inteiro, com nome e data de morte conhecidos, mas sem endereço no fundo do mar.

A 60 metros de profundidade, mistério de 150 anos

Sonar do parque Aurora Green, da Iberdrola, em Gippsland achou o City of Hobart: um naufrágio de navio de carvão achado por eólica a 60 m, afundado em 1877.
O esconderijo do navio explica a demora.

O City of Hobart repousa a 60 metros de profundidade, fundura que dificulta o mergulho e mantém o destroço longe de curiosos casuais.

A essa profundidade, só mergulhadores técnicos, com equipamento e treino especiais, conseguem descer e voltar com segurança.

Foi aí que entrou um grupo apaixonado.

O clube de mergulho Southern Ocean Exploration, de Melbourne, tratava o navio como alvo de busca desde 2008, sem nunca cravar a localização exata.

A pista certeira veio da energia limpa.

Com as coordenadas precisas passadas pela Iberdrola, a equipe técnica liderada por Mark Ryan finalmente desceu e confirmou que aquele destroço era mesmo o City of Hobart.

Décadas de procura terminaram graças a um parque eólico.

O que nenhum caça-naufrágio tinha conseguido, um sonar de energia renovável entregou de bandeja.

A ironia: carvão no fundo, vento no topo

E aqui a história ganha o seu tempero poético.

O City of Hobart afundou carregando carvão, o combustível que durante mais de um século moveu o mundo e hoje é vilão do clima.

Mais de cem anos depois, ele foi encontrado justamente embaixo de onde vão nascer turbinas que produzem energia a partir do vento, sem queimar nada.

A coincidência é quase um símbolo.

No mesmo pedaço de mar, descansa o passado movido a carvão e se ergue o futuro movido a vento, separados por um século e meio de história.

Não é só uma frase bonita.

Esse naufrágio de navio de carvão achado por eólica resume, num só ponto do oceano, a virada energética que o planeta tenta dar.

O velho combustível afundou ali.

A energia que vai substituí-lo está prestes a brotar exatamente no mesmo lugar.

O parque Aurora Green e as 150 turbinas

Por trás do achado está um projeto de peso.

O parque Aurora Green, da Iberdrola, é uma usina de energia eólica offshore planejada para o mar de Gippsland, a mais de 25 km da costa.

Se construído em capacidade total, em três fases, o Aurora Green terá até 150 turbinas, cada uma com cerca de 20 MW de potência.

Os números do projeto impressionam.

A área licenciada pode abrigar até 3 GW de capacidade, o suficiente para abastecer um volume enorme de casas com energia limpa vinda do vento.

É um salto na transição australiana.

A Austrália ainda depende bastante do carvão, e parques como o Aurora Green fazem parte do plano de trocar usinas fósseis por geração renovável no mar.

Daí o peso simbólico do encontro.

As mesmas 150 turbinas que vão substituir o carvão revelaram, no caminho, um navio que afundou justamente carregando carvão.

Quando a energia limpa vira arqueóloga

O caso do City of Hobart não é exceção isolada.

Para instalar turbinas no mar, as empresas de energia eólica precisam vasculhar cada metro do fundo, e essa varredura acaba revelando tesouros arqueológicos escondidos.

Sonar, mapeamento e levantamento geofísico, feitos para a engenharia, viram sem querer ferramentas de descoberta do patrimônio submerso.

Foi assim em Gippsland.

A própria Iberdrola reconheceu o valor histórico do achado, e os destroços agora são protegidos por uma lei australiana de patrimônio cultural subaquático.

A energia limpa virou aliada da história.

Em vez de destruir o passado, o levantamento que resultou no naufrágio de navio de carvão achado por eólica ajudou a preservá-lo e a contá-lo.

É um efeito colateral feliz.

Cada parque eólico offshore que nasce pode, de quebra, devolver à humanidade um pedaço de história que o mar tinha engolido.

O que o caso do City of Hobart mostra

A maior lição é sobre encontros improváveis entre épocas.

A Iberdrola saiu para preparar o futuro da energia e esbarrou num símbolo do passado, fechando um ciclo de quase 150 anos num único ponto do oceano.

Onde um navio de carvão afundou em 1877, o vento vai gerar a eletricidade que o carvão um dia forneceu.

Vale, claro, manter o pé no chão.

O Aurora Green ainda é um projeto em fase de estudos e licenciamento, e erguer 150 turbinas no mar leva anos, então a substituição do carvão pelo vento ali é um plano em andamento, não um fato consumado.

Ainda assim, a simbologia é forte.

Poucas imagens traduzem tão bem a transição energética quanto um naufrágio de navio de carvão achado por eólica, com o velho combustível no fundo e o futuro limpo no topo.

Da costa de Gippsland para o mundo, o City of Hobart voltou à tona como lembrete.

O carvão teve o seu tempo, e esse tempo, no mar da Austrália, está prestes a virar vento.

E você, imaginava que a busca por um lugar para turbinas de energia eólica fosse acabar resolvendo um mistério marítimo de 150 anos? Conta pra gente nos comentários o que você acha dessa coincidência entre o navio de carvão afundado e o parque eólico que vai nascer no mesmo lugar.

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