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Mistério em Marte: Rover da NASA encontra carbono orgânico em antiga região de rios no planeta vermelho e aumenta expectativa sobre possível vida antiga

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 25/06/2026 às 19:15 Atualizado 25/06/2026 às 19:17
Substâncias moleculares achadas pelo rover Perseverance podem ter origem em meteoritos ou reações geológicas, sem envolver vida bacteriana em Marte.
Substâncias moleculares achadas pelo rover Perseverance podem ter origem em meteoritos ou reações geológicas, sem envolver vida bacteriana em Marte. Fonte: NASA/JPL-Caltech/MSSS.
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Carbono orgânico encontrado em Marte pelo rover Perseverance levanta debate científico sobre possível vida no planeta, mas estudo indica origem também pode ser geológica ou abiótica.

A descoberta de carbono orgânico complexo em amostras da Cratera Jezero, em Marte, reacendeu o debate sobre a possibilidade de vida no planeta vermelho. Apesar do avanço das análises feitas pelo rover Perseverance, um estudo publicado em 24 de junho de 2026 na Science Advances reforça que esses compostos podem ter origem totalmente abiótica, resultantes de processos geológicos ou impactos de meteoritos, sem necessariamente indicar a presença de organismos vivos.

Possíveis explicações não biológicas

Segundo o Olhar Digital, entre as hipóteses mais aceitas para a presença desses compostos estão processos naturais que não envolvem vida:

  • deposição contínua de meteoritos ao longo da história do planeta
  • reações geológicas internas e interações minerais naturais em Marte

Esses mecanismos seriam suficientes para explicar a presença de carbono orgânico sem necessidade de atividade biológica. Um dos aspectos mais relevantes do estudo foi o estado de preservação das amostras coletadas na região de Bright Angel, na Cratera Jezero.

Substâncias moleculares achadas pelo rover Perseverance podem ter origem em meteoritos ou reações geológicas, sem envolver vida bacteriana em Marte.
Vulcão em Marte. Fonte: ESA/DLR/FUBerlin/AndreaLuck CC BY.

As formações de argilito, que fazem parte de um antigo sistema fluvial marciano, mostraram resistência significativa à degradação causada por radiação e oxidação. Essa preservação permitiu que o instrumento SHERLOC, equipado com lasers de alta precisão, realizasse centenas de medições químicas em duas rochas sedimentares distintas.

Bright Angel e o histórico de investigação

A região de Bright Angel já era considerada promissora na busca por biossinais em Marte.

Um dos destaques anteriores é a rocha conhecida como Cheyava Falls, que apresenta estruturas chamadas de “manchas de leopardo”, interpretadas como possíveis indícios de processos geológicos ou até biológicos antigos.

Além disso, algumas formações identificadas pelo Perseverance apresentam semelhanças com padrões que, na Terra, podem estar associados à atividade de microrganismos primitivos.

Diferenças químicas entre as amostras

Embora as duas rochas analisadas estejam na mesma região, os dados indicam diferenças importantes em sua composição interna.

As medições realizadas pelo Perseverance mostraram variações na forma como o carbono está associado aos minerais:

  • na primeira rocha, o carbono aparece ligado principalmente a silicatos
  • na segunda, ele está associado a minerais como sulfatos e carbonatos

Essas diferenças sugerem múltiplos processos de formação, que podem ter origem tanto biológica quanto puramente geológica.

Substâncias moleculares achadas pelo rover Perseverance podem ter origem em meteoritos ou reações geológicas, sem envolver vida bacteriana em Marte.
Jezero em Marte. Fonte: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS.

Um dos maiores mistérios de Marte

Apesar das evidências químicas promissoras, ainda não há confirmação de atividade biológica antiga em Marte.

O conjunto de dados reforça que a Cratera Jezero continua sendo um dos locais mais importantes e intrigantes da exploração espacial, justamente por permitir interpretações que vão desde processos minerais até possíveis sinais de vida antiga.

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Andriely Medeiros de Araújo

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