Tijolos de terra comprimida ajudaram uma mulher, mesmo sem ensino formal, a deixar a venda de vegetais no Nepal, abrir uma empresa de construção, empregar moradores e erguer mais de 40 casas resistentes a terremotos depois da destruição deixada pelos terremotos de 2015.
Uma mulher sem ensino formal, que vendia vegetais no Nepal, aprendeu a prensar tijolos de terra, abriu uma empresa de construção e já ergueu mais de 40 casas resistentes a terremotos após os terremotos de 2015.
Parbati Sunar vive em uma área rural do país e criou o filho sozinha depois que o marido migrou para outro país. Durante anos, a venda de vegetais sustentou sua família, até que ela teve acesso ao treinamento sobre blocos de terra comprimida.
A informação foi publicada por World Habitat, organização internacional dedicada à melhoria das condições de moradia. O registro do projeto reconhecido em 2020 mostra que Parbati passou a comandar uma empresa que mantinha cinco trabalhadores locais em tempo integral.
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Terremotos de 2015 destruíram cerca de 800.000 casas no Nepal
Dois terremotos fortes atingiram o Nepal em 2015, mataram mais de 9.000 pessoas e destruíram cerca de 800.000 casas. Em regiões afastadas, a reconstrução trouxe dificuldades ainda maiores para muitas famílias.

Idosos, crianças, pessoas com deficiência e adultos sem apoio familiar enfrentaram mais obstáculos para recuperar a própria moradia. Muitas famílias precisaram reconstruir por conta própria depois da destruição.
O programa criado após o desastre uniu reconstrução, treinamento e trabalho local. O objetivo era apoiar a construção de novas casas e permitir que as comunidades continuassem produzindo moradias.
Como funcionam os tijolos de terra comprimida usados nas novas casas
Os tijolos de terra comprimida são peças feitas ao apertar a terra em uma máquina manual até ela ganhar o formato de bloco. No Nepal, as máquinas foram pensadas para que comunidades rurais e pequenos empreendedores usassem principalmente materiais da própria região.
A fabricação próxima da obra permite que os blocos sejam produzidos perto das famílias atendidas. Isso faz diferença em áreas remotas, onde levar grande quantidade de materiais de construção pode ser difícil.
A casa resistente a terremotos não depende somente do bloco. Projeto adequado, mão de obra treinada e regras de segurança continuam necessários para que a construção ofereça proteção real aos moradores.
Parbati Sunar trocou a venda de vegetais pela empresa de construção
Parbati Sunar se casou jovem, não teve ensino formal e ficou responsável pela criação do filho. A chance de aprender sobre blocos de terra comprimida abriu um caminho que ela não conhecia na construção civil.

Ela criou uma empresa de construção na própria região e passou a erguer casas para outras famílias. O trabalho alcançou mais de 40 moradias e gerou emprego local em um lugar marcado pela destruição dos terremotos.
O caso mostra que o aprendizado técnico pode abrir espaço para quem nunca trabalhou em uma obra. Também revela que mulheres podem ocupar funções ligadas à produção de materiais e à construção de casas.
Projeto chegou a 31 distritos e criou casas e empregos
World Habitat, organização internacional dedicada à melhoria das condições de moradia, registrou que o projeto alcançou os 31 distritos do Nepal central afetados pelos terremotos, com atenção especial aos 14 distritos mais atingidos.
Community Impact Nepal, organização nepalesa sem fins lucrativos, criou o projeto para apoiar empreendedores locais na reconstrução de moradias e na criação de pequenos negócios nas comunidades afetadas.
Em 2020, o programa havia construído mais de 3.500 casas em áreas rurais remotas, criado 200 microempresas e gerado 2.200 empregos. As casas passaram a abrigar 17.500 pessoas.
Mulheres aprenderam a construir e entraram em uma atividade antes dominada por homens
A formação oferecida pelo projeto incluiu mulheres e grupos que enfrentam mais dificuldade para conseguir trabalho. Quase um terço dos pedreiros treinados era formado por mulheres.

Cerca de metade dos pedreiros treinados vinha de grupos em situação de desvantagem. A reconstrução das casas também virou uma forma de ampliar conhecimento técnico e renda dentro das comunidades.
A trajetória de Parbati é parte desse resultado. Ela deixou uma atividade de sobrevivência e passou a liderar uma empresa ligada à construção de casas resistentes a terremotos.
Construção com terra exige cuidado e não dispensa segurança
A experiência do Nepal mostra que construir com terra pode envolver técnica, treinamento e equipamentos simples. Não se trata de improvisar paredes com barro ou copiar um modelo sem planejamento.
No Brasil, qualquer obra feita com terra precisa considerar o solo, o clima, a fundação e as regras de segurança do lugar. Cada região tem necessidades próprias, e uma solução usada no Nepal não pode ser repetida sem avaliação técnica.

A principal lição está no uso do conhecimento local junto com orientação adequada. Terra, máquina manual e trabalhadores treinados viraram parte de uma resposta concreta para famílias que perderam suas casas.
Parbati Sunar saiu da venda de vegetais para comandar uma empresa de construção e erguer mais de 40 casas resistentes a terremotos. A história também revela a dimensão de um programa que chegou a 31 distritos e criou trabalho em regiões rurais do Nepal.
Os blocos de terra comprimida ajudaram a reconstruir moradias, mas a segurança das casas depende de técnica, planejamento e profissionais preparados. Esse cuidado evita que uma ideia simples seja tratada como solução automática para qualquer lugar.
Você acredita que ensinar técnicas seguras de construção pode reconstruir casas e criar trabalho depois de um desastre? Comente e compartilhe sua opinião.
