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Engenheira civil voltou para a propriedade dos pais no Espírito Santo, encontrou 400 pés de cacau, errou nos primeiros chocolates, passou dois anos ajustando colheita, poda, fermentação e secagem e transformou a pequena lavoura familiar em marca de chocolate artesanal com agroturismo

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Escrito por Carla Teles Publicado em 13/07/2026 às 13:36 Atualizado em 13/07/2026 às 13:40
Engenheira civil voltou para a propriedade dos pais no Espírito Santo, encontrou 400 pés de cacau, errou nos primeiros chocolates, passou dois anos ajustando colheita, poda, fermentação
O cacau vira chocolate artesanal na Reinholz Chocolates, fortalece a agricultura familiar e impulsiona o agroturismo no Espírito Santo. Imagem: Divulgação
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Fabiani Reinholz retornou a São João Pequeno, em Colatina, para administrar a propriedade dos pais e buscar renda. A partir de 400 pés de cacau, corrigiu etapas da produção, criou a Reinholz Chocolates, abriu o sítio ao agroturismo e levou a agricultura familiar capixaba a uma trajetória reconhecida pelo Sebrae.

O cacau cultivado em uma pequena propriedade familiar de São João Pequeno, no município de Colatina, no Espírito Santo, tornou-se o ponto de partida para uma mudança profissional na vida de Fabiani Salomão Reinholz Macedo. Engenheira civil de formação, ela retornou ao sítio dos pais, encontrou cerca de 400 pés da planta e decidiu buscar uma forma de elevar a renda da família.

A trajetória foi relatada pela Agência Sebrae de Notícias do Espírito Santo em 18 de novembro de 2022, com atualização em 25 de novembro daquele ano. Na ocasião, Fabiani era finalista nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria Produtora Rural, depois de vencer as etapas estadual e regional da premiação.

Retorno à propriedade começou como uma necessidade familiar

Fabiani voltou para a propriedade dos pais para ajudar a família e assumir a administração do local. O primeiro desafio era compreender como o negócio rural funcionava e identificar uma atividade capaz de gerar mais renda a partir da estrutura já existente.

Entre as possibilidades disponíveis estavam aproximadamente 400 pés de cacau. A plantação era pequena, mas oferecia matéria-prima suficiente para que a engenheira começasse a estudar alternativas de maior valor agregado, em vez de limitar a propriedade à venda convencional da produção agrícola.

A ideia inicial foi trabalhar com amêndoas especiais de cacau, buscando melhorar a qualidade do produto antes mesmo de avançar para a fabricação de chocolates. Essa decisão exigiria mudanças no manejo, no beneficiamento e na forma de avaliar cada etapa da produção.

Curso despertou interesse pela fabricação de chocolate

O cacau vira chocolate artesanal na Reinholz Chocolates, fortalece a agricultura familiar e impulsiona o agroturismo no Espírito Santo.
Imagem: Divulgação

Um curso realizado em São Paulo aproximou Fabiani do universo do chocolate e dos processos necessários para transformar as amêndoas em produtos acabados. Depois da experiência, ela voltou para Colatina decidida a desenvolver o novo negócio na propriedade familiar.

O entusiasmo inicial, porém, não impediu os primeiros resultados negativos. Segundo o relato da própria empreendedora, os chocolates produzidos no começo ficaram muito ruins, e a causa estava na baixa qualidade do cacau utilizado naquele momento.

Em vez de abandonar o projeto, Fabiani concluiu que precisava corrigir a matéria-prima antes de aperfeiçoar a receita. O problema deixou de ser tratado apenas como uma falha na fabricação do chocolate e passou a envolver todo o processo realizado ainda dentro da lavoura.

Dois anos de testes mudaram colheita, poda e fermentação

A engenheira passou a estudar como produzir amêndoas capazes de gerar um chocolate de qualidade. Durante aproximadamente dois anos, realizou testes, cometeu erros, avaliou resultados e ajustou diferentes fases da produção rural.

As mudanças começaram na própria plantação. Fabiani corrigiu procedimentos de colheita e poda, duas etapas que interferem na saúde das plantas, no desenvolvimento dos frutos e na seleção da matéria-prima utilizada posteriormente.

O processo de fermentação do cacau também precisou ser aperfeiçoado. Essa etapa tornou-se parte essencial da busca por amêndoas especiais, já que o resultado final do chocolate dependia diretamente dos cuidados adotados antes de os grãos chegarem à fábrica.

Estufas de secagem ajudaram a elevar a qualidade

Outro avanço ocorreu com a adoção de estufas para a secagem das amêndoas especiais. A estrutura permitiu organizar melhor essa fase e aproximar o produto do padrão que Fabiani pretendia alcançar para os chocolates.

Colheita, poda, fermentação e secagem deixaram de ser etapas isoladas. A qualidade passou a depender do controle contínuo de toda a cadeia do cacau, desde o manejo dos pés até a preparação das amêndoas utilizadas nas receitas.

A fonte não informa o volume produzido por safra, a área total da propriedade nem o investimento realizado nas estruturas. Também não detalha quais variedades de cacau eram cultivadas nos 400 pés existentes quando Fabiani retornou ao sítio.

Reinholz Chocolates surgiu no fim de 2019

Depois dos testes e das correções, a empresa foi criada no final de 2019 com o nome Reinholz Chocolates. A marca nasceu a partir da produção familiar e da tentativa de transformar uma pequena lavoura em um negócio capaz de reunir agricultura, fabricação e comercialização.

Fabiani pretendia desenvolver um produto associado ao cuidado em cada etapa. O chocolate artesanal passou a representar o resultado de anos de aprendizado com o cacau, incluindo os erros iniciais que mostraram a necessidade de investir na qualidade das amêndoas.

A empresa também ajudou a modificar a função da propriedade. O local deixou de ser apenas uma área de cultivo e começou a concentrar processos relacionados ao beneficiamento, à produção dos chocolates e ao contato direto com consumidores.

Pandemia interrompeu planos logo depois da abertura

Pouco depois da criação da empresa, a pandemia trouxe uma nova dificuldade. Fabiani havia preparado doces para a Páscoa, mas se viu sem clientes em um período marcado por restrições e mudanças no funcionamento do comércio.

Para contornar a situação, ela passou a assumir também a área de vendas. Buscou contatos com consumidores de Vitória e Colatina, investiu no atendimento pela internet e adotou entregas em domicílio.

A mudança exigiu que a engenheira acumulasse funções na lavoura, na produção e na comercialização. O negócio precisou adaptar rapidamente a forma de chegar ao público, já que depender apenas da circulação presencial poderia comprometer a continuidade da empresa.

Agroturismo abriu nova frente dentro do sítio

Além das vendas online, Fabiani abriu a propriedade familiar para o agroturismo. Os visitantes começaram a conhecer o sítio, registrar imagens e compartilhar a experiência nas redes sociais, despertando o interesse de outras pessoas.

No início, a estrutura não estava preparada para receber todo o público. Foi necessário reformar espaços, construir banheiros e implantar uma loja para comercializar os chocolates produzidos pela Reinholz.

O agroturismo passou a mostrar ao visitante o caminho completo do cacau até o chocolate. A experiência incluiu passeios pelas lavouras, passagem pela casa de fermentação e visita à estufa utilizada na secagem das amêndoas especiais.

Fábrica virou espaço para visitas técnicas

Com a ampliação das atividades, a fábrica também se tornou uma unidade demonstrativa destinada a visitas técnicas. A iniciativa passou a integrar o Projeto Mulheres do Cacau, realizado por meio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, o Incaper.

A transformação permitiu que o conhecimento acumulado durante os anos de testes fosse compartilhado com outras pessoas interessadas na produção. A propriedade passou a reunir cultivo, fabricação, comercialização, turismo e demonstração técnica em um único espaço.

Esse modelo aumentou as formas de contato entre o consumidor e a origem do produto. Em vez de conhecer apenas a barra pronta, o visitante poderia observar as etapas agrícolas que influenciam a qualidade e o sabor do chocolate artesanal.

Reconhecimento levou produtora à final nacional

Em 2022, Fabiani venceu as etapas estadual e regional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Na fase regional, superou participantes do Espírito Santo, de Minas Gerais, de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A classificação colocou a empreendedora entre as cinco finalistas nacionais da categoria Produtora Rural. A final estava prevista para 23 de novembro de 2022, em Brasília, conforme a matéria publicada pela Agência Sebrae de Notícias.

Para Fabiani, o reconhecimento ajudava a apresentar a produção capixaba e o agroturismo fora do Espírito Santo. A fonte fornecida, entretanto, não informa o resultado final da premiação nem confirma a colocação obtida por ela na etapa nacional.

Sebrae apoiou etapas do desenvolvimento da empresa

Fabiani atribuiu parte do crescimento ao apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo, o Sebrae/ES. Segundo ela, a instituição esteve presente em diferentes momentos da construção do negócio.

A parceria envolveu acompanhamento e capacitação, elementos considerados importantes para estruturar uma atividade que combinava produção rural, indústria artesanal, vendas e atendimento turístico.

O caso também reforçou a importância do estudo para agregar valor ao cacau cultivado por pequenos produtores. O avanço não ocorreu apenas pela existência da lavoura, mas pela reorganização técnica das etapas e pela criação de novos canais de receita.

Pequena lavoura ganhou funções além da produção agrícola

A propriedade dos pais de Fabiani passou por uma transformação gradual. Os 400 pés de cacau que inicialmente pareciam uma atividade limitada tornaram-se a base para uma marca de chocolate artesanal, uma fábrica demonstrativa, uma loja e uma experiência de agroturismo.

O processo não aconteceu de forma imediata. Foram necessários dois anos de ajustes na produção, além de reformas e mudanças comerciais depois da criação da empresa no fim de 2019.

A história mostra que aumentar o valor de uma pequena lavoura pode exigir mais do que ampliar a quantidade plantada. No caso da Reinholz Chocolates, o diferencial surgiu do controle de qualidade, da transformação da matéria-prima e da aproximação entre consumidor e propriedade.

O cacau pode mudar o futuro de outras propriedades familiares?

Fabiani retornou ao campo para ajudar os pais e encontrou no cacau uma oportunidade de reorganizar a renda da família. Os primeiros chocolates não deram certo, mas os erros levaram a ajustes que mudaram o cultivo, a fermentação, a secagem e o modelo de negócio.

A pequena plantação passou a sustentar atividades que vão da produção artesanal ao turismo rural e às visitas técnicas. Você acredita que transformar matérias-primas na própria propriedade pode fortalecer a agricultura familiar, ou os custos e desafios tornam esse caminho difícil para pequenos produtores? Deixe sua opinião nos comentários.

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