Início Energia termossolar: CESP divulga usina pioneira no contexto nacional, capaz de abastecer mais de 300 residências

Energia termossolar: CESP divulga usina pioneira no contexto nacional, capaz de abastecer mais de 300 residências

22 de março de 2022 às 20:50
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Foto: Reprodução Google Imagens (via Eudora Energia)

A nova usina de energia termossolar garante vantagens, como o armazenamento de calor para a utilização após o pôr-do-sol

A Companhia Energética de São Paulo (CESP) inaugurou na semana do dia 20 de março a primeira usina de energia termossolar do Brasil, situada no município de Rosana, em São Paulo. Em processo de desenvolvimento há aproximadamente 5 anos, desde 2017, agora, com o início das operações, o país recebe um novo marco para a geração de energia. Em parceria com a Lactec, Eudora Energia, MRTS Consultoria e a MFAP Consultoria, o projeto da usina foi criado inserido no Programa de Pesquisa e Desenvolvimento do Setor de Energia Elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A planta pioneira recebeu um investimento de 57 milhões de reais, com objetivo de demonstrar que a nova tecnologia, conhecida como heliotérmica, também está presente em solo nacional. De acordo com a CESP, a fonte heliotérmica é caracterizada pela sua produção de energia regulável e menos vulnerável a impactos da luz solar. A vantagem mais notável dessa tecnologia quando comparada a outras fontes renováveis intermitentes é a capacidade de armazenar calor para utilizá-lo em situações que é melhor para o sistema elétrico. Assim, o fluido aquecido pode permanecer gerando energia térmica às turbinas mesmo na ausência de sol.

Mais detalhes da planta de energia termossolar

De acordo com o site PetroNotícias, a planta inicial de produção de energia termossolar foi inserida ao Complexo de Energias Alternativas Renováveis da usina hidrelétrica Porto Primavera. O sistema conta com estruturas experimentais de fonte solar fotovoltaica e aparelhos de armazenamento de energia. O projeto tem potência de 0,5 MW, o suficiente para abastecer 360 residências de consumo médio mensal em torno de 180 kWh. O modelo de tecnologia utilizado na mais nova usina da CESP, também conhecido como CSP (concentrating solar power), segue um processamento similar ao das usinas termelétricas, entretanto, usa o calor da luz solar como fonte de energia, no lugar de combustíveis fósseis.

A planta de energia termossolar da CESP foi construída com calhas parabólicas, constituídas por painéis de espelhos côncavos que acompanham a posição do sol. O calor armazenado esquenta um fluido de transferência que passa por tubos dispostos na região de foco dessas calhas, gerando, assim, um vapor que movimenta as turbinas para a geração da eletricidade.

Luis Paschoalotto, gerente de Engenharia de Operação e Manutenção da CESP diz: “Em unidades de grande porte, essa geração se estende por até 18 horas, conferindo à usina capacidade de gerar energia mesmo sem a presença da fonte e proporcionando maior controle sobre os processos“. Outra característica da tecnologia escolhida pela CESP é que os painéis são formados por espelhos de alumínio com filme refletivo, componente mais duradouro do que o vidro, mais comum nas estruturas comerciais fotovoltaicas.

“A fonte termossolar tem potencial importante para geração de energia elétrica no Brasil, pois agrega o aspecto renovável a atributos importantes para a gestão do Sistema Interligado Nacional, como a capacidade de controle da produção e a inércia associada às máquinas rotativas. O calor produzido também pode ser aproveitado em outros processos industriais, como os de cogeração, e a produção de energia também pode ser associada à produção de eletricidade a partir de outro tipo de fonte, no modelo híbrido“, afirma Paschoalotto. Para ele, para que a energia termossolar ganhe destaque e competitividade no cenário energético do Brasil, é preciso muito incentivo, considerando que a demanda de investimento para implantação, operação e manutenção é bem maior que a de outras fontes de energia, como a eólica e a solar fotovoltaica.

Além disso, no Complexo de Energias Alternativas Renováveis da hidrelétrica Porto Primavera também há um projeto de pesquisa e desenvolvimento da Aneel, que estudou o armazenamento de energia por meio do hidrogênio verde, que está ganhando espaço no Brasil. A produção do combustível se dá através da eletrólise da água, ou seja, quando uma molécula de água (H2O) é separada em hidrogênio e oxigênio ao passar de uma corrente elétrica, de forma a consumir energia elétrica e gerar o hidrogênio, que é armazenado sem produzir resíduos poluentes.

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