O aporte da BYD, de US$ 100 milhões, vai para um sistema que ajuda a rede a absorver energia solar e eólica. Hoje entre as cinco maiores marcas do país, a empresa ainda vai decidir em 90 dias onde instalar a nova linha, e as metas dependem dos próximos anos.
A BYD está acelerando a produção de baterias no Brasil e se prepara para investir cerca de R$ 510,4 milhões em sistemas de armazenamento de energia para a rede elétrica nacional, dentro de um plano para atingir 50% de conteúdo nacional até 2027 e se tornar a montadora mais vendida do país até 2030. As informações são de Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, em entrevista concedida à Reuters em 15 de junho.
O valor equivale a US$ 100 milhões e mira um problema concreto da rede elétrica. O aporte vai para uma nova linha do Sistema de Armazenamento de Energia por Bateria, conhecido pela sigla BESS, que guarda eletricidade para o sistema nacional. A iniciativa se soma a um investimento já anunciado de R$ 5,5 bilhões na principal fábrica da empresa, em Camaçari, na Bahia, e ocorre num momento em que a marca chinesa já figura entre as cinco maiores do mercado brasileiro.
O investimento de R$ 510,4 milhões em armazenamento de energia

A aposta da BYD em armazenamento mira diretamente a rede elétrica nacional. A empresa se prepara para aplicar até R$ 500 milhões em uma nova linha de produção do seu sistema BESS, usado para guardar eletricidade para o sistema nacional, que deve ser desenvolvido antes do primeiro leilão a introduzir baterias em escala industrial no país, marcado para dezembro de 2026. “Isso realmente abre uma nova fronteira para um novo segmento de baterias”, afirmou Baldy.
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O ponto sensível está na dificuldade de a rede absorver a energia limpa. Sistemas como o BESS são vistos como fundamentais para enfrentar uma crise entre os geradores de energia solar e eólica no Brasil, setores que vêm acumulando perdas e investimentos travados porque a rede nacional não consegue absorver a produção nos horários de pico, o que força o corte de parte da geração. Nos próximos 90 dias, a BYD vai decidir se acrescenta essa linha à fábrica de Manaus, no Amazonas, hoje voltada para baterias de ônibus, ou se constrói uma nova instalação em outro lugar.
A meta de 50% de conteúdo nacional até 2027
O movimento em energia faz parte de um plano maior de nacionalização. A BYD quer atingir 50% de conteúdo nacional nos carros produzidos no Brasil até o início de 2027 e, para atender às exigências do governo e reduzir a carga tributária, vem ampliando o fornecimento local. A meta é deixar de depender de componentes importados e firmar a marca como uma fabricante genuinamente brasileira.
As baterias entram como mais uma peça nessa estratégia. O início da produção de baterias para carros de passeio faz parte do investimento já anunciado de R$ 5,5 bilhões na unidade de Camaçari, na Bahia, enquanto outros R$ 50 milhões a R$ 60 milhões são destinados a ampliar uma linha de baterias para ônibus. A bateria passa a ser tratada como um componente local importante, e não mais apenas como item trazido de fora.
A Bahia como centro da produção e a mira em 2030
É na Bahia que a BYD concentra a sua maior produção local. A montadora tem como meta se tornar a marca de carros mais vendida do Brasil até 2030 e, hoje, já está entre as cinco maiores do país. O salto da posição atual para a liderança é justamente o alvo que orienta a expansão das fábricas e a busca por mais fornecimento nacional.
O aprofundamento da fabricação local sustenta essa ambição. Da bateria de carro de passeio ao armazenamento de energia, a estratégia amarra o crescimento da empresa às fábricas brasileiras e às necessidades da rede elétrica. As metas, porém, ainda dependem dos próximos anos e de decisões como a definição do local da nova linha de armazenamento, que segue em aberto.
Lítio fora dos planos por enquanto
Mesmo de olho no futuro, a BYD freou um movimento no lítio. Embora a montadora tenha adquirido direitos minerais em áreas de uma região rica em lítio no Brasil, a empresa não pretende desenvolver esses terrenos no momento, por causa do baixo preço do mineral usado na fabricação de baterias. A leitura da própria companhia é de que não vale a pena entrar agora na extração.
O foco declarado está em consolidar o que já está em curso. Em vez de avançar sobre o lítio, a prioridade é firmar a fábrica de carros de passeio e ampliar a capacidade de produção de ônibus elétricos. O desenvolvimento das jazidas é apresentado como assunto fora de pauta por ora, sem espaço nem nas discussões internas da empresa.
A BYD se prepara para investir cerca de R$ 510,4 milhões, ou US$ 100 milhões, em uma linha de baterias de armazenamento de energia para reforçar a rede elétrica nacional, antes do leilão de dezembro de 2026 que deve introduzir esses sistemas em escala industrial, dentro de um plano para atingir 50% de conteúdo nacional até 2027 e se tornar a montadora mais vendida do Brasil até 2030.
A empresa, hoje entre as cinco maiores marcas do país, vai decidir em 90 dias onde instalar a nova linha, mantém R$ 5,5 bilhões em investimentos em Camaçari, na Bahia, e deixou o lítio de lado por enquanto, diante do preço baixo do mineral. Boa parte desses números, porém, ainda são metas e planos que dependem dos próximos anos.
E você, acha que a BYD vai mesmo cumprir as metas de nacionalização e de liderança de vendas no Brasil, ou ainda há muito a provar? O armazenamento de baterias é o caminho para destravar a energia solar e eólica no país? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o setor de energia, com respeito às diferentes visões.

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