Energia solar supera limitações de relevo no Brasil com trackers adaptados, reduz custos de obras civis e amplia a viabilidade econômica de projetos fotovoltaicos.
A expansão da energia solar no Brasil entra em uma nova fase marcada pela superação de desafios técnicos que, até poucos anos atrás, limitavam o avanço dos projetos fotovoltaicos.
Com o crescimento acelerado da capacidade instalada e a maior disputa por áreas planas, a topografia passou a ocupar papel central no planejamento das usinas solares.
Terrenos com declives acentuados, ondulações e irregularidades, antes considerados inviáveis do ponto de vista econômico, agora passam a integrar o mapa de oportunidades do setor.
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Esse movimento ocorre em um momento em que o país se consolida como um dos mercados mais dinâmicos do mundo em geração fotovoltaica.
À medida que os projetos se afastam dos grandes centros de carga e avançam para novas regiões, soluções tecnológicas capazes de conciliar desempenho energético, controle de custos e menor impacto ambiental ganham protagonismo.
Topografia deixa de ser obstáculo e vira variável estratégica
Historicamente, o setor de energia solar priorizou áreas planas pela facilidade construtiva e previsibilidade orçamentária. No entanto, com o amadurecimento do mercado brasileiro e a escassez relativa dessas áreas, empreendimentos em terrenos mais complexos passaram a ser considerados. O desafio sempre esteve nos custos adicionais associados à terraplanagem, fundações e movimentação de solo.
Especialistas apontam que, em projetos fotovoltaicos de grande porte, as obras civis podem representar uma parcela significativa do CAPEX total. Em áreas irregulares, a utilização de trackers convencionais costuma exigir cortes extensos no terreno, aterros e alinhamentos rigorosos, elevando prazos, custos e riscos ambientais.
Nesse cenário, a topografia deixou de ser apenas um dado técnico e passou a influenciar diretamente a viabilidade econômica dos projetos. Assim, a escolha do sistema de rastreamento solar tornou-se uma decisão estratégica.
Trackers ganham papel central na viabilidade econômica
Os sistemas de rastreamento solar, conhecidos como trackers, acompanham o movimento do sol ao longo do dia, aumentando a geração de energia solar em comparação às estruturas fixas. Entretanto, mais do que ganhos de produtividade, esses equipamentos passaram a ser decisivos na adaptação dos projetos às condições reais do terreno.
Ao permitir maior flexibilidade na instalação, os trackers modernos reduzem a necessidade de grandes intervenções no solo. Com isso, os custos com terraplanagem e fundações podem ser significativamente reduzidos, ao mesmo tempo em que indicadores como o LCOE (Levelized Cost of Energy) são preservados ou até melhorados.
É nessa interseção entre engenharia, eficiência energética e viabilidade financeira que empresas especializadas vêm ampliando sua atuação no Brasil, oferecendo soluções desenhadas para diferentes realidades geográficas.
Tecnologia amplia o universo de áreas aptas à energia solar
A diversidade geográfica brasileira exige soluções específicas para cada tipo de terreno. Pensando nisso, a Axial, braço nacional de uma empresa espanhola reconhecida globalmente no desenvolvimento de trackers solares, tem investido em tecnologias adaptáveis às mais variadas condições de relevo.
Segundo Ronald Carias Esteban, diretor-geral da Axial no Brasil, o setor não pode mais trabalhar com soluções únicas. “Com a diversidade de topografias no país, não podemos mais ter uma solução única. Nossos modelos são projetados para atuar como catalisadores de projetos, garantindo o melhor LCOE em terrenos que antes seriam descartados”, explica.
Essa abordagem tem permitido que áreas antes ignoradas passem a ser consideradas economicamente viáveis para a implantação de usinas de energia solar, ampliando o potencial de crescimento do setor.
Eficiência energética em terrenos planos e ondulados
Em regiões planas ou com leves ondulações, o foco dos desenvolvedores continua sendo a maximização da geração. Para esse perfil de terreno, soluções como o Axial Tracker Twin se destacam pela eficiência e simplicidade construtiva.
O modelo bifileira utiliza tecnologia homocinética em sua estrutura de eixo único, garantindo maior precisão no movimento dos módulos fotovoltaicos ao longo do dia. Além disso, o sistema facilita a montagem e reduz o tempo de instalação.
De acordo com Esteban, o ganho energético é expressivo. “Projetado para maximizar o desempenho, este modelo pode resultar em um aumento de até 30% na produção de energia em comparação com as estruturas fixas”, afirma.
Esse incremento de geração é especialmente relevante em um mercado cada vez mais competitivo, no qual projetos disputam espaço em leilões, contratos de compra e venda de energia (PPAs) e modelos merchant.
Soluções específicas para terrenos com grandes declives
Se em áreas regulares a prioridade é eficiência, em terrenos mais complexos o desafio é estrutural. Para esse contexto, foram desenvolvidos trackers capazes de operar em condições topográficas adversas, sem a necessidade de grandes intervenções no solo.
Um exemplo é o sistema SlopeSync, projetado para lidar com declives acentuados e variações morfológicas significativas. O principal diferencial da tecnologia está na eliminação da exigência de alinhamento perfeito dos pilares, um dos maiores entraves em projetos solares em áreas inclinadas.
O sistema suporta desvios de até 30° no sentido Norte-Sul e variações de altura de até 15% ou 400 milímetros, oferecendo maior liberdade ao projeto executivo e reduzindo restrições de engenharia.
Segundo Esteban, essa flexibilidade gera impactos diretos no cronograma e no orçamento. “Essa capacidade de adaptação reduz consideravelmente os custos e o tempo de execução da obra, ao mesmo tempo que minimiza a intervenção ambiental no solo”, observa.
Menor impacto ambiental e ganhos no licenciamento
A redução da movimentação de terra não traz apenas benefícios financeiros. Em projetos de energia solar, a menor intervenção no solo contribui para facilitar processos de licenciamento ambiental, cada vez mais rigorosos no país.
Além disso, a diminuição de cortes e aterros reduz riscos associados à erosão, ao assoreamento e ao escoamento superficial da água, fatores críticos em regiões com relevo acidentado. Dessa forma, os trackers adaptados também se alinham às exigências ambientais e à agenda ESG do setor elétrico.
Inovação impulsiona competitividade do setor solar
Para acompanhar a maturidade do mercado brasileiro, o investimento contínuo em Pesquisa & Desenvolvimento tornou-se parte essencial da estratégia das empresas do setor. No caso da Axial, a inovação é vista como um pilar para sustentar o crescimento da energia solar no longo prazo.
“Com foco em inovação e investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento, a Axial se posiciona como parceira estratégica para a próxima fase da expansão solar no país, tornando usinas fotovoltaicas viáveis e altamente eficientes, independentemente do desafio geográfico”, destaca Esteban.
Essa visão reforça a tendência de que a engenharia aplicada será cada vez mais determinante para a competitividade dos projetos.

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