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Escassez de mão de obra: mesmo com bom salário, profissão enfrenta déficit de 530 mil trabalhadores no Brasil e ajuda a explicar uma das maiores taxas de empregabilidade do país

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/06/2026 às 18:15
Atualizado em 04/06/2026 às 18:20
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Déficit de 530 mil profissionais de TI no Brasil ajuda a explicar alta empregabilidade em tecnologia, Medicina e Farmácia.
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Déficit histórico em tecnologia ajuda a explicar por que alguns diplomas seguem mais fortes no mercado de trabalho, enquanto outras carreiras enfrentam maior instabilidade. Saúde e TI concentram fatores que tornam a entrada profissional mais direta, especialmente para formados em áreas com demanda persistente.

Medicina, Farmácia e Gestão da Tecnologia da Informação aparecem entre os cursos com maior empregabilidade do Brasil porque combinam demanda persistente, formação específica e barreiras de entrada que reduzem a concorrência direta com profissionais de outras áreas.

Na IV Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp, Medicina lidera o ranking, com 92% dos egressos trabalhando na área de formação; Farmácia aparece com 80,4%, e Gestão da Tecnologia da Informação, com 78,4%.

O levantamento, feito com 5.681 egressos de instituições públicas e privadas de todos os estados, mostra que saúde e tecnologia mantêm maior capacidade de absorção de formados em comparação com carreiras mais expostas à disputa ampla por vagas administrativas, operacionais ou generalistas.

No caso da tecnologia, o desequilíbrio é ainda mais visível: a Brasscom projetou demanda de 797 mil profissionais de TIC entre 2021 e 2025, com média anual de 159 mil vagas e formação de cerca de 53 mil pessoas por ano.

Por que saúde e tecnologia empregam mais

A alta empregabilidade nessas carreiras não ocorre apenas por prestígio social ou por promessa de bons salários.

Medicina e Farmácia exigem diploma reconhecido e registro profissional ativo para o exercício legal, o que cria um funil formal entre formação, habilitação e contratação.

Em Medicina, o registro no Conselho Regional de Medicina é indispensável para atuar como médico.

Na Farmácia, o exercício profissional também depende de inscrição no sistema dos conselhos de farmácia, especialmente em funções técnicas, clínicas, hospitalares, industriais e de responsabilidade por estabelecimentos.

Já a tecnologia não opera com conselho profissional equivalente para todas as funções, mas tem outro fator decisivo: a demanda cresce mais rápido do que a formação.

Empresas de bancos, varejo, indústria, saúde, educação e governo disputam profissionais capazes de desenvolver sistemas, proteger dados, manter infraestrutura e automatizar processos.

Essa especificidade técnica limita substituições simples.

Um médico não pode ser trocado por um bacharel de outra área em um atendimento clínico, assim como um farmacêutico não pode ser substituído livremente na responsabilidade técnica de uma farmácia, e um desenvolvedor back-end não é intercambiável com um profissional sem formação ou experiência em programação.

Medicina lidera ranking de empregabilidade

Déficit de 530 mil profissionais de TI no Brasil ajuda a explicar alta empregabilidade em tecnologia, Medicina e Farmácia.
Déficit de 530 mil profissionais de TI no Brasil ajuda a explicar alta empregabilidade em tecnologia, Medicina e Farmácia.

Medicina ocupa a primeira posição do ranking de empregabilidade, com 92% dos egressos atuando na própria área de formação, segundo o Instituto Semesp.

O resultado reflete uma carreira altamente regulada, com demanda em hospitais, unidades básicas, clínicas, laboratórios, operadoras de saúde e serviços públicos.

A Demografia Médica 2024, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina, apontou 575.930 médicos ativos no Brasil em janeiro daquele ano, o equivalente a 2,81 profissionais por mil habitantes.

Apesar do crescimento do total de médicos, a distribuição regional segue desigual, com maior concentração nas capitais e em regiões de renda mais alta.

A formação, porém, é a mais longa e cara entre as três áreas analisadas.

A graduação dura no mínimo seis anos e, para quem busca especialização, a residência médica pode acrescentar de dois a cinco anos de dedicação, conforme a área escolhida.

O médico residente tem direito a bolsa mínima de R$ 4.106,09, valor informado pelo Ministério da Educação.

Como a residência exige carga horária intensa, a conciliação com outra carreira regular, como a docência em escola pública, tende a ser limitada na prática.

Fora da residência, médicos recém-formados podem atuar em plantões, atenção básica, clínicas e serviços de urgência, mas os valores variam conforme região, tipo de vínculo, carga horária e setor.

Por isso, estimativas salariais precisam ser lidas com cautela, especialmente quando misturam contratação CLT, pessoa jurídica, plantões e vínculos temporários.

Farmácia combina regulação e mercado amplo

Farmácia aparece em segundo lugar no ranking, com 80,4% de empregabilidade na área de formação.

A carreira se beneficia da regulação profissional, da presença nacional de farmácias e drogarias, do crescimento dos serviços clínicos farmacêuticos e da atuação em hospitais, laboratórios, distribuidoras e indústria.

O Conselho Federal de Farmácia informou, em 2025, que o país tem quase 400 mil farmacêuticos, distribuídos em diferentes setores de atuação.

A entidade também aponta a ampliação das áreas reconhecidas e a existência de mais de 140 especializações, o que ajuda a explicar a diversidade de caminhos profissionais.

O varejo farmacêutico continua sendo uma das principais portas de entrada para recém-formados.

Estimativas de mercado indicam remuneração inicial geralmente na faixa de R$ 3 mil a R$ 4 mil, com variação relevante por estado, convenção coletiva, porte da empresa e jornada.

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Levantamento de convenções coletivas citado pelo Panorama Farmacêutico em janeiro de 2026 mostrou pisos salariais estaduais entre R$ 3.465,76 e R$ 6.416,23, o que reforça a diferença regional dentro da mesma profissão.

Dados salariais baseados em Caged, plataformas privadas e anúncios de vagas devem ser comparados com cuidado, porque cada fonte usa metodologia própria.

Para professores de Química ou Biologia, Farmácia pode ter sobreposição curricular maior do que Medicina e exigir investimento financeiro menor.

Ainda assim, o retorno depende da instituição, da cidade, do tipo de vínculo e da área escolhida após a graduação.

Tecnologia da Informação tem déficit estrutural

Gestão da Tecnologia da Informação aparece com 78,4% de empregabilidade, mas o dado mais relevante é o tamanho do descompasso entre demanda e formação.

A Brasscom estimou que o Brasil precisaria de 159 mil profissionais de TIC por ano entre 2021 e 2025, enquanto formava cerca de 53 mil pessoas anualmente em cursos de perfil tecnológico.

Esse déficit ajuda a explicar por que muitos estudantes de tecnologia conseguem estágio, trabalho júnior ou contratação antes da conclusão do curso.

A procura se espalha por desenvolvimento de software, dados, nuvem, segurança da informação, redes, infraestrutura, suporte técnico especializado e gestão de projetos digitais.

O Guia Salarial 2026 da Robert Half aponta tecnologia como uma das áreas acompanhadas em suas projeções de remuneração e tendências de contratação.

Segundo a consultoria, os salários listados no guia têm como base profissionais conectados pela empresa a empregadores no Brasil, além de pesquisa conduzida por empresa independente para dados não salariais.

Para quem já trabalha como professor, os cursos superiores de tecnologia podem ser mais compatíveis com a rotina profissional.

Muitos têm duração menor do que bacharelados tradicionais, mensalidades mais baixas e forte aderência para docentes de Matemática, Física, Informática ou áreas correlatas.

Empregabilidade alta não garante salário alto no início

A comparação entre Medicina, Farmácia e Tecnologia da Informação mostra que empregabilidade e remuneração inicial não significam a mesma coisa.

Um curso pode abrir portas rapidamente e, ainda assim, oferecer salário de entrada mais baixo do que outro com empregabilidade semelhante.

Farmácia é o exemplo mais evidente.

A taxa de ocupação na área é alta, mas a remuneração inicial costuma ficar abaixo de parte das vagas de tecnologia e muito distante dos rendimentos possíveis em Medicina, especialmente após especialização ou atuação em plantões.

Em TI, o custo de entrada pode ser menor, mas a progressão depende de portfólio, experiência prática, certificações, inglês, domínio técnico e capacidade de atualização constante.

Já Medicina exige investimento mais longo e rígido, enquanto Farmácia ocupa uma posição intermediária em tempo de formação, custo e remuneração.

Dados mostram diferenças entre as três carreiras

Os três cursos aparecem no topo da empregabilidade por razões diferentes.

Medicina tem regulação rígida, demanda contínua e forte barreira profissional; Farmácia combina exigência legal, capilaridade do varejo e ampliação de campos de atuação; Tecnologia da Informação responde a uma escassez de talentos que atravessa praticamente todos os setores da economia.

A decisão de migrar para uma dessas áreas, especialmente para quem já trabalha na rede pública de ensino, exige comparar duração do curso, custo total, possibilidade de estudar sem abandonar a renda atual, salário inicial provável e tempo necessário até alcançar melhor retorno financeiro.

Também é importante observar que as pesquisas disponíveis usam metodologias distintas.

A empregabilidade do Semesp mede atuação na área de formação, enquanto levantamentos salariais de consultorias, plataformas privadas e bases formais de emprego retratam recortes diferentes do mercado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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