Comércio relata dificuldade para contratar trabalhadores e parte do setor associa cenário a benefícios sociais como Bolsa Família e BPC.
O comércio brasileiro enfrenta uma combinação incomum de fatores: desemprego em níveis historicamente baixos, crescimento da demanda por trabalhadores e dificuldade crescente para preencher vagas operacionais. Em diversas regiões do país, empresários afirmam que encontrar funcionários para atividades de atendimento, estoque, caixa, reposição e serviços básicos se tornou um dos maiores desafios do setor. Parte do empresariado passou a relacionar esse cenário à expansão de programas sociais e mecanismos de proteção de renda, como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e seguro-desemprego.
A avaliação, porém, não é consenso entre economistas e pesquisadores, que apontam outros fatores estruturais por trás da escassez de mão de obra.
Empresários afirmam que Bolsa Família, BPC e seguro-desemprego influenciam a dificuldade para preencher vagas
O debate ganhou força após reuniões promovidas por entidades empresariais e comerciais. Segundo reportagem do Diário do Comércio, empresários e economistas ligados ao setor produtivo afirmaram que benefícios sociais passaram a influenciar parte da oferta de trabalhadores de menor qualificação.
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Na avaliação apresentada durante os debates, programas como Bolsa Família, BPC e mecanismos temporários de proteção de renda aumentariam o chamado “salário de reserva”, conceito econômico que representa o valor mínimo que uma pessoa aceita receber para ingressar em um emprego formal.
Representantes empresariais argumentam que, quando a diferença entre benefícios recebidos e salários iniciais oferecidos por algumas vagas se torna pequena, parte dos trabalhadores pode preferir permanecer fora do mercado formal ou atuar na informalidade.
Comércio, supermercados, padarias e serviços relatam dificuldade crescente para contratar trabalhadores
Segundo os relatos reunidos pelo Diário do Comércio, a escassez de mão de obra já afeta segmentos como supermercados, padarias, agricultura, comércio popular e serviços em geral. Empresários afirmam enfrentar problemas principalmente em funções de menor exigência técnica.

O problema também aparece em análises recentes do setor varejista. Artigo publicado pelo portal Mercado & Consumo classificou o cenário como um verdadeiro “apagão de mão de obra”, destacando que varejo e serviços estão entre os segmentos mais pressionados por dependerem fortemente de trabalhadores presenciais.
Em alguns casos, empresas relatam aumento da rotatividade, dificuldade para preencher escalas e necessidade de rever horários de funcionamento devido à falta de profissionais disponíveis.
Desemprego em patamares historicamente baixos também ajuda a explicar a escassez de trabalhadores
Os próprios economistas que participam da discussão afirmam que o problema não pode ser atribuído exclusivamente aos programas sociais.
Dados citados pelo setor mostram que o Brasil vem operando com taxas de desemprego próximas ao chamado pleno emprego. Em 2025, a taxa de desocupação chegou a 5,6%, uma das menores da série histórica do IBGE iniciada em 2012.

Quando o número de pessoas procurando trabalho diminui e a economia continua demandando trabalhadores, a tendência é que empresas encontrem mais dificuldade para contratar, especialmente em setores que dependem de grande volume de mão de obra operacional.
Economistas apontam envelhecimento da população, informalidade e aplicativos como fatores importantes
Especialistas ouvidos nas discussões também destacam mudanças estruturais que vão além dos benefícios sociais.
Entre os fatores citados aparecem a redução do crescimento populacional, o envelhecimento da força de trabalho, a expansão dos aplicativos de transporte e entrega, a informalidade e mudanças de comportamento entre trabalhadores mais jovens.
O economista Antonio Lanzana, professor da FEA-USP citado pelo Diário do Comércio, afirmou que não é possível explicar a escassez apenas pelas transferências de renda. Segundo ele, existe uma combinação de fatores econômicos, demográficos e comportamentais atuando simultaneamente sobre o mercado de trabalho brasileiro.
Outros analistas também apontam que trabalhadores mais jovens passaram a buscar maior flexibilidade profissional, reduzindo o interesse por determinados empregos tradicionais com jornada rígida.
Estudo da FGV encontrou redução da participação de parte dos homens jovens no mercado após ampliação do Bolsa Família
Parte das críticas feitas pelo setor produtivo utiliza como referência um estudo do pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre.
Segundo o levantamento citado pelo Diário do Comércio, a ampliação do Bolsa Família após a pandemia teria contribuído para uma redução da participação de homens jovens no mercado de trabalho, especialmente em ocupações formais.
O estudo observou que famílias que passaram a se enquadrar nos critérios do programa apresentaram queda na participação da força de trabalho em comparação com grupos semelhantes que ficaram fora da elegibilidade por pequena diferença de renda.
Mesmo assim, o próprio debate econômico permanece dividido, já que outras pesquisas apontam efeitos positivos dos programas de transferência de renda sobre formalização, redução da pobreza e melhora de indicadores sociais.
O embate entre benefícios sociais e falta de mão de obra virou uma das discussões mais sensíveis da economia brasileira
Enquanto empresários relatam dificuldade crescente para contratar funcionários em lojas, mercados, padarias, restaurantes e serviços, pesquisadores continuam discutindo quais fatores realmente explicam o fenômeno.
De um lado, representantes do setor produtivo afirmam que programas como Bolsa Família, BPC e mecanismos de proteção de renda influenciam parte da oferta de trabalhadores.
De outro, economistas apontam que envelhecimento populacional, informalidade, mudanças no perfil profissional e desemprego historicamente baixo também ajudam a explicar o cenário.
O resultado é um mercado em que vagas continuam abertas, empresas relatam dificuldade para preencher equipes e o debate sobre trabalho, assistência social e produtividade se torna cada vez mais intenso em um país onde milhões de pessoas ainda dependem de programas de proteção de renda para sobreviver.


Ou e pq vcs não valoriza o trabalhador , ou contrata pra uma função e empurra outra sendo então desvio de função e ainda paga micharia . Exigem coisas que acaba destruindo a saúde mental e física do ser humano . Aí pra vcs né fica fácil!!
So aumentar o salário e valorizar o empregador
Está faltando pagar um salário decente, pra uma jornada exaustante, e sem vida que a maioria dos trabalhadores enfrentam, ninguém mais está aceitando ser refém de exploração.