O IAT promoveu a dispersão aérea de 700 mil sementes de palmeira-juçara sobre o Litoral do Paraná, para restaurar a Mata Atlântica. A ação mirou quatro Unidades de Conservação onde houve extração ilegal da planta, ameaçada de extinção, e será monitorada para medir a eficácia.
Uma verdadeira chuva verde caiu sobre o Litoral do Paraná. O Instituto Água e Terra (IAT) promoveu, nesta quarta-feira (3), a dispersão aérea de 700 mil sementes de palmeira-juçara em diferentes pontos da região, numa ação de restauração da Mata Atlântica.
O lançamento, feito com apoio aéreo, não foi aleatório: as 700 mil sementes caíram justamente sobre áreas onde foram registrados crimes ambientais, incluindo a extração ilegal do palmito-juçara. A ideia é repovoar a Mata Atlântica com uma espécie ameaçada de extinção e, depois, monitorar se as sementes vingaram.
Como o IAT espalhou as 700 mil sementes pelo Litoral do Paraná

A operação foi coordenada pelo Centro de Operações Aéreas do IAT (COA-IAT) e contou com apoio de helicóptero para alcançar regiões de difícil acesso.
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Ao todo, as 700 mil sementes foram lançadas sobre quatro Unidades de Conservação de Proteção Integral: o Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos; a Estação Ecológica de Guaraguaçu, em Paranaguá; o Parque Estadual do Boguaçu, em Guaratuba; e o Parque Estadual Pico do Marumbi, que abrange Morretes, Piraquara e Quatro Barras.

Foto: COA-IAT
Segundo o diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, a escolha dos locais foi estratégica. As áreas correspondem a coordenadas onde já houve registro de crimes ambientais, sobretudo a extração ilegal da planta, no Litoral do Paraná.
Ele faz questão de frisar que o lançamento não é aleatório e que a ação será acompanhada depois para verificar a eficácia, ou seja, quantas das sementes realmente brotam.
De onde vieram as sementes e quem ajudou

Foto: COA-IAT
As 700 mil sementes têm origem em coletas próprias do IAT e em doações de parceiros, como o Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, o Instituto Juçara de Agroecologia e a Associação de Produtores Orgânicos de Quedas do Iguaçu (APOQI).
A iniciativa também teve o apoio do Distrito 4730 do Rotary Club e aconteceu em paralelo à 4ª Jornada da Natureza, mobilização ambiental que ocorre no Estado nesta semana.
O órgão aproveitou para reforçar o convite à população. Bisognin lembrou que o IAT mantém 19 viveiros espalhados pelo Paraná, que podem fornecer mudas para quem quiser plantar em casa e ajudar na recuperação ambiental.
Para Marcelo Passos, governador do Distrito 4730 do Rotary, a meta é o ressurgimento da palmeira-juçara na região, enquanto o chefe da regional do IAT no Litoral, Altamir Hacke, afirmou que a ação deve ser repetida no futuro.
Por que a palmeira-juçara está ameaçada
A palmeira-juçara (Euterpe edulis Martius) é típica da Mata Atlântica e ocorre do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.
Dela se aproveitam tanto os frutos, de onde se extrai uma polpa saborosa parecida com a do açaí, quanto o famoso palmito-juçara.
O problema é que a retirada do palmito mata a planta, já que ele vem do único caule da palmeira.
Foi exatamente esse uso que colocou a espécie em risco. O extrativismo predatório do palmito, muitas vezes ilegal, levou a palmeira-juçara a ser considerada oficialmente uma espécie ameaçada de extinção.
Por isso, devolver 700 mil sementes às matas do Litoral do Paraná é também uma forma de combater o estrago deixado pela exploração clandestina.
O papel ecológico e por que a dispersão aérea faz sentido
A palmeira-juçara é peça-chave para a fauna da Mata Atlântica. Seus frutos alimentam dezenas de espécies de aves e mamíferos: tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas estão entre os principais dispersores das sementes, enquanto cutias, antas, catetos e esquilos também se beneficiam.
Recuperar a planta, portanto, significa fortalecer toda uma teia alimentar.
A escolha pela dispersão aérea tem explicação técnica. A germinação da juçara é lenta e irregular, e a planta, adaptada ao sub-bosque, costuma formar um denso banco de sementes que aguarda as condições ideais de luz e umidade.
Como ela pode chegar a 20 metros de altura e leva cerca de seis anos para se reproduzir, espalhar 700 mil sementes do alto é uma forma viável de acelerar sua volta aos remanescentes da Mata Atlântica no Litoral do Paraná.
Vale lembrar que o resultado é uma aposta de longo prazo, que só o monitoramento dos próximos anos poderá confirmar.
Ver um helicóptero transformar 700 mil sementes em chuva verde sobre a Mata Atlântica é o tipo de notícia que mostra a natureza reagindo à ação de quem a destrói.
Conte nos comentários se você apoia esse tipo de restauração ambiental e se plantaria uma muda de palmeira-juçara em casa para ajudar.
