A ida de um analista de uma empresa independente de Wall Street ao Estreito de Ormuz, em meio à tensão entre Irã e Estados Unidos, revelou passagem parcial de navios, uso de petroleiros sem AIS e um fluxo estimado em cerca de 15 embarcações por dia
Uma empresa independente de pesquisa de Wall Street afirmou ter enviado um analista ao Estreito de Ormuz para observar de perto a navegação na região em meio ao aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos. A apuração feita pela Citrini Research indica que a rota segue em funcionamento, embora com fluxo reduzido e sob um esquema de controle seletivo sobre a passagem de embarcações.
Enquanto operadores do mercado de petróleo acompanhavam imagens de satélite e comunicados oficiais para medir o risco na principal artéria do comércio global de petróleo, a empresa disse ter adotado um método diferente. O analista teria sido enviado à Península de Musandam, em Omã, de onde seguiu de barco para observar a atividade marítima na área de conflito.
Visita de campo no Estreito de Ormuz
A Citrini Research informou que o analista constatou a continuidade da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, contrariando a percepção dominante de que a via estaria efetivamente bloqueada. O nome do profissional não foi divulgado, sob a justificativa de sensibilidade da atividade realizada na região.
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De acordo com o relato publicado pela empresa no Substack, o tráfego teria aumentado nos últimos dias para cerca de 15 navios por dia.
Mesmo abaixo dos níveis normais, esse volume foi tratado como sinal de uma interrupção parcial e ainda em evolução, e não de um fechamento definitivo da rota.
A publicação também relatou que quatro ou cinco petroleiros estariam passando diariamente sem emitir sinal no AIS. A avaliação apresentada é que o volume real de embarcações em trânsito seria maior do que os dados oficiais mostram, com aumento registrado nos dois dias anteriores no canal de Qeshm.
Tráfego sem AIS e controle seletivo
O AIS é o sistema usado para transmitir localização, velocidade, identidade e rota de uma embarcação. A Citrini sustentou que muitos navios desligam seus transponders, o que os retira dos sistemas oficiais de rastreamento e dificulta a leitura completa do movimento marítimo.
A empresa afirmou ainda que entrevistas feitas pelo analista com pescadores, contrabandistas e autoridades regionais apontaram para um arranjo no qual o Irã permite seletivamente a passagem de navios. Nesse modelo, petroleiros precisariam de aprovação antes de cruzar áreas próximas ao território iraniano, formando o que foi descrito como um “posto de controle funcional”, e não um bloqueio total.
A leitura apresentada pela Citrini foi a de um cenário mais complexo do que as interpretações extremas que vêm influenciando os mercados.
A empresa afirmou que a situação não se encaixa de forma simples nem na tese de estreito aberto com queda do petróleo nem na de estreito fechado com disparada parabólica dos preços.
Mercado de petróleo e projeção para o Estreito de Ormuz
As conclusões, no entanto, foram acompanhadas de uma ressalva importante. A própria empresa reconheceu que o material se apoia em uma única visita de campo e em relatos anedóticos difíceis de verificar de forma independente, especialmente por causa da baixa transparência na região.
Mesmo assim, a Citrini afirmou esperar uma interrupção mais longa, capaz de consolidar um prêmio de risco duradouro no mercado de petróleo.
Com base nessa avaliação, a empresa declarou preferência por exposição ao petróleo bruto com vencimentos mais longos, favorecendo contratos de WTI para dezembro de 2026 em vez de contratos do mês seguinte.
Na projeção apresentada, o novo normal para o Estreito de Ormuz incluiria um prêmio de risco permanente, embora com recuperação parcial do fluxo. A expectativa indicada pela empresa é de que o tráfego alcance até 50% do nível pré-conflito nas próximas quatro a seis semanas.
Com informações de cnbc.

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