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Empresa de pesquisa independente de Wall Street afirma ter enviado um analista ao Estreito de Ormuz – e foi isso que ele descobriu

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/04/2026 às 21:32
Analista enviado ao Estreito de Ormuz relata 15 navios por dia, passagem parcial e petroleiros sem AIS em meio à crise.
Analista enviado ao Estreito de Ormuz relata 15 navios por dia, passagem parcial e petroleiros sem AIS em meio à crise.
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A ida de um analista de uma empresa independente de Wall Street ao Estreito de Ormuz, em meio à tensão entre Irã e Estados Unidos, revelou passagem parcial de navios, uso de petroleiros sem AIS e um fluxo estimado em cerca de 15 embarcações por dia

Uma empresa independente de pesquisa de Wall Street afirmou ter enviado um analista ao Estreito de Ormuz para observar de perto a navegação na região em meio ao aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos. A apuração feita pela Citrini Research indica que a rota segue em funcionamento, embora com fluxo reduzido e sob um esquema de controle seletivo sobre a passagem de embarcações.

Enquanto operadores do mercado de petróleo acompanhavam imagens de satélite e comunicados oficiais para medir o risco na principal artéria do comércio global de petróleo, a empresa disse ter adotado um método diferente. O analista teria sido enviado à Península de Musandam, em Omã, de onde seguiu de barco para observar a atividade marítima na área de conflito.

Visita de campo no Estreito de Ormuz

A Citrini Research informou que o analista constatou a continuidade da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, contrariando a percepção dominante de que a via estaria efetivamente bloqueada. O nome do profissional não foi divulgado, sob a justificativa de sensibilidade da atividade realizada na região.

De acordo com o relato publicado pela empresa no Substack, o tráfego teria aumentado nos últimos dias para cerca de 15 navios por dia.

Mesmo abaixo dos níveis normais, esse volume foi tratado como sinal de uma interrupção parcial e ainda em evolução, e não de um fechamento definitivo da rota.

A publicação também relatou que quatro ou cinco petroleiros estariam passando diariamente sem emitir sinal no AIS. A avaliação apresentada é que o volume real de embarcações em trânsito seria maior do que os dados oficiais mostram, com aumento registrado nos dois dias anteriores no canal de Qeshm.

Tráfego sem AIS e controle seletivo

O AIS é o sistema usado para transmitir localização, velocidade, identidade e rota de uma embarcação. A Citrini sustentou que muitos navios desligam seus transponders, o que os retira dos sistemas oficiais de rastreamento e dificulta a leitura completa do movimento marítimo.

A empresa afirmou ainda que entrevistas feitas pelo analista com pescadores, contrabandistas e autoridades regionais apontaram para um arranjo no qual o Irã permite seletivamente a passagem de navios. Nesse modelo, petroleiros precisariam de aprovação antes de cruzar áreas próximas ao território iraniano, formando o que foi descrito como um “posto de controle funcional”, e não um bloqueio total.

A leitura apresentada pela Citrini foi a de um cenário mais complexo do que as interpretações extremas que vêm influenciando os mercados.

A empresa afirmou que a situação não se encaixa de forma simples nem na tese de estreito aberto com queda do petróleo nem na de estreito fechado com disparada parabólica dos preços.

Mercado de petróleo e projeção para o Estreito de Ormuz

As conclusões, no entanto, foram acompanhadas de uma ressalva importante. A própria empresa reconheceu que o material se apoia em uma única visita de campo e em relatos anedóticos difíceis de verificar de forma independente, especialmente por causa da baixa transparência na região.

Mesmo assim, a Citrini afirmou esperar uma interrupção mais longa, capaz de consolidar um prêmio de risco duradouro no mercado de petróleo.

Com base nessa avaliação, a empresa declarou preferência por exposição ao petróleo bruto com vencimentos mais longos, favorecendo contratos de WTI para dezembro de 2026 em vez de contratos do mês seguinte.

Na projeção apresentada, o novo normal para o Estreito de Ormuz incluiria um prêmio de risco permanente, embora com recuperação parcial do fluxo. A expectativa indicada pela empresa é de que o tráfego alcance até 50% do nível pré-conflito nas próximas quatro a seis semanas.

Com informações de cnbc.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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