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Com 76 anos, aposentado revela labirinto subterrâneo que cavou à mão por 30 anos sob o próprio jardim, desce 6 metros em dunas de areia, ergue paredes de concreto de 1,5 metro com cálculos da esposa matemática e transforma ideia “maluca” em caverna escondida com ponte e cachoeira

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Escrito por Ana Alice Publicado em 10/07/2026 às 08:45 Atualizado em 10/07/2026 às 08:48
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Idoso cavou por 30 anos um labirinto sob o quintal, com cavernas sustentadas por cálculos da esposa em terreno de areia. (Imagem: Ilustrativa)
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Em Ainsdale, perto de Liverpool, um jardim comum esconde cavernas cavadas à mão por Francis Proctor, com paredes de concreto calculadas pela esposa para sustentar túneis em terreno de areia.

No quintal de uma casa aparentemente comum em Ainsdale, perto de Liverpool, no Reino Unido, o aposentado Francis Proctor construiu ao longo de três décadas uma rede subterrânea de cavernas, túneis e passagens cavadas à mão em um terreno de areia.

O projeto fica cerca de 6 metros abaixo do jardim e só foi possível, segundo ele, graças aos cálculos feitos pela mulher, Barbara, que era matemática.

Proctor, de 76 anos, é fotógrafo aposentado e mora há mais de 50 anos na propriedade, em Southport, na região de Merseyside.

A ideia surgiu depois de uma visita à Blue John Cavern, uma caverna turística em Derbyshire, e começou como a intenção de criar um cômodo subterrâneo acessado pelo jardim.

O terreno, no entanto, não favorecia a obra.

A casa fica sobre dunas de areia próximas à praia de Ainsdale, uma condição que tornava a escavação mais difícil e aumentava o risco de desabamento.

Em entrevista reproduzida por veículos britânicos, Proctor explicou que cavar em areia exigia uma solução estrutural antes de qualquer avanço em profundidade.

“Se você cava na areia, dá para imaginar o que aconteceria: ela simplesmente desabaria sobre si mesma, então você pensaria que seria quase impossível construir cavernas aqui”, disse ele.

A solução veio durante uma obra de ampliação da casa.

Segundo Proctor, Barbara analisou os planos, fez os cálculos e indicou que seria necessário escorar as paredes de cima para baixo, com estruturas espessas de concreto para sustentar a escavação.

“Barbara olhou os planos e disse que era bastante simples. Sob a orientação dela, ela explicou o que precisávamos fazer”, afirmou Proctor ao The Sun.

O resultado foi uma construção subterrânea apoiada por paredes de concreto de cerca de 1,5 metro de espessura, equivalentes a cinco pés.

Com pás e enxadas, Proctor avançou lentamente no subsolo e transformou a ideia inicial em um labirinto com câmaras, escadas, ponte, queda d’água e objetos decorativos reunidos ao longo dos anos.

Francis Proctor, um fotógrafo aposentado que passou 30 anos escavando manualmente uma rede de cavernas de 6 metros de profundidade sob o quintal de sua casa em Southport, Inglaterra
Francis Proctor, um fotógrafo aposentado que passou 30 anos escavando manualmente uma rede de cavernas de 6 metros de profundidade sob o quintal de sua casa em Southport, Inglaterra

Jardim subterrâneo em Ainsdale

O espaço fica nos fundos da casa, em 33 Pershore Grove, endereço hoje listado no National Garden Scheme, programa britânico que abre jardins privados ao público em datas ou visitas combinadas para arrecadação beneficente.

A página oficial do jardim descreve o local como um pequeno jardim com ponte, ruína romântica e cavernas artificiais com recursos de entretenimento, construído ao longo de 30 anos.

O perfil também informa o uso de materiais reciclados e alerta que a entrada das cavernas pode não ser adequada para pessoas com dificuldade de mobilidade.

A visita não acontece como em um ponto turístico aberto todos os dias.

De acordo com o National Garden Scheme, o jardim recebe grupos mediante agendamento entre 19 de maio e 18 de outubro, com grupos de 10 a 20 pessoas.

Esse detalhe ajuda a dimensionar o tipo de atração.

O labirinto não é uma caverna natural nem uma estrutura pública convencional, mas uma criação privada que passou a receber visitantes por meio de um programa de jardins abertos.

Do lado de fora, a casa não indica o que existe nos fundos.

As imagens publicadas por veículos britânicos mostram uma residência comum vista da rua, enquanto o jardim atrás da propriedade reúne escadas, pedras, passagens subterrâneas e elementos cenográficos.

Este é o "Jardim de Barbara" - Imagem: Reprodução
Este é o “Jardim de Barbara” – Imagem: Reprodução

Inspiração na Blue John Cavern

Francis Proctor relatou que a inspiração veio da Blue John Cavern, em Derbyshire, conhecida por formações minerais e visitas turísticas.

Depois da viagem, ele passou a imaginar uma sala subterrânea que pudesse ser acessada pelo jardim de casa.

A primeira versão da ideia era menor.

Segundo ele, o objetivo inicial era ter um cômodo abaixo do quintal, não uma rede completa de cavernas.

Com o passar dos anos, a obra foi se expandindo conforme o aposentado continuava a escavar e acrescentar novas áreas.

“Quando compramos a casa há mais de 50 anos, eu queria ter uma sala subterrânea para onde pudesse descer a partir do jardim”, afirmou Proctor, em entrevista citada pelo The Sun.

A escavação foi feita manualmente, com ferramentas simples.

O aposentado não descreve o trabalho como uma obra profissional executada por empreiteira, mas como um projeto pessoal conduzido no próprio ritmo e com ajuda de outras pessoas em diferentes momentos.

Com o tempo, as câmaras ganharam elementos decorativos.

Entre os itens citados por veículos britânicos estão objetos trazidos de diferentes lugares, uma ponte, uma cascata e até um esqueleto cenográfico que teria vindo de um set de filmagem de Hollywood.

Cálculos de Barbara sustentaram a obra

A participação de Barbara é tratada por Proctor como decisiva para a segurança da construção.

Segundo ele, a esposa tinha formação matemática e estatística e foi responsável por orientar como a escavação poderia avançar em um terreno de areia.

A solução envolvia escorar a área de cima para baixo, em vez de cavar primeiro e reforçar depois.

Esse método, conforme descrito por Proctor, permitiu que as paredes fossem sustentadas durante o avanço da escavação.

“Não teríamos conseguido fazer nada disso se não fosse pelo fato de Barbara ter descoberto como poderíamos cavar na areia”, disse ele.

A frase também explica por que o jardim passou a ser associado à memória dela.

Barbara morreu quatro anos antes das reportagens britânicas publicadas em 2025, e a entrada do espaço recebeu uma placa com a inscrição “Barbara’s Garden”, ou “Jardim de Barbara”.

O local funciona como um santuário em homenagem à sua falecida esposa, Barbara, que ajudou com os cálculos estruturais. - Imagem: Reprodução
O local funciona como um santuário em homenagem à sua falecida esposa, Barbara, que ajudou com os cálculos estruturais. – Imagem: Reprodução

Outro elemento citado nas reportagens é uma pedra fundamental histórica do Southport Hospital.

A peça teria sido assentada em 1922 pelo Conde de Derby, localizada depois por Proctor e dedicada à memória de Barbara exatamente cem anos depois.

Sem os cálculos da esposa, segundo o próprio aposentado, o terreno arenoso teria inviabilizado o projeto.

Essa atribuição é importante porque evita tratar a obra apenas como resultado de improviso: ainda que tenha sido cavada à mão, a estrutura dependeu de planejamento e reforço em concreto.

Três décadas cavando à mão

A rede subterrânea foi construída aos poucos, em um processo que se estendeu por aproximadamente 30 anos.

Proctor afirmou que cavou com pás e enxadas, ampliando o espaço conforme a obra avançava sob o jardim.

A profundidade mencionada nas reportagens é de cerca de 20 pés, o equivalente a pouco mais de 6 metros.

Em um terreno de areia, esse dado reforça a importância das paredes espessas de concreto e do método de escoramento citado por Proctor.

Ao longo do tempo, a construção deixou de ser apenas uma sala subterrânea.

O conjunto passou a incluir passagens, câmaras, espaços de permanência e elementos visuais que levaram o jardim a aparecer em reportagens e programas de televisão.

O The Sun informou que a casa já apareceu no programa “Amazing Spaces”, do Channel 4, apresentado por George Clarke.

A informação também foi usada por veículos britânicos para explicar a repercussão recente do local.

Apesar da divulgação, Proctor afirma que não começou o projeto para atrair público.

Segundo ele, a construção era uma atividade pessoal feita no tempo livre.

“Não tínhamos intenção de construir isso para benefício de outras pessoas. Era apenas algo em que eu trabalhava no meu tempo livre com a ajuda de outros”, disse ele.

Visitas pelo National Garden Scheme

Depois que o jardim passou a ser conhecido, visitantes começaram a demonstrar interesse em conhecer as cavernas.

Proctor afirmou que a reação do público o surpreendeu.

“Era algo para fazer que eu gostava. Foi uma surpresa quando as pessoas começaram a demonstrar muito interesse, e agora cada vez mais pessoas vêm ver”, disse.

O cadastro no National Garden Scheme formalizou parte dessas visitas.

A organização lista o jardim de Proctor como um espaço privado com visitas por agendamento, grupos aceitos e disponibilidade de refreshments, termo usado no Reino Unido para indicar oferta de bebidas ou lanches leves.

A descrição oficial também ressalta o uso de materiais reciclados.

Esse ponto aparece em linha com a composição visual do jardim, que combina peças coletadas, estruturas de alvenaria, elementos ornamentais e áreas subterrâneas construídas ao longo de décadas.

Como a entrada nas cavernas pode ter limitações de acessibilidade, o próprio National Garden Scheme orienta que visitantes entrem em contato para informações antes de organizar a visita.

O aviso é relevante porque o percurso envolve escadas e passagens subterrâneas.

O interesse público, portanto, está ligado tanto à aparência do jardim quanto ao processo de construção.

A curiosidade central é a existência de um labirinto artificial escavado sob uma casa comum, em uma área onde a areia exigia reforços estruturais para não ceder.

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Barbara’s Garden e a homenagem

Depois da morte de Barbara, o jardim ganhou uma camada memorial mais explícita.

A placa com o nome dela marca a entrada, e Proctor passou a descrever a obra também como uma forma de manter sua participação associada ao espaço.

Essa leitura aparece nas falas do próprio aposentado.

Ao explicar como a construção foi possível, ele volta aos cálculos da esposa e ao modo como ela orientou o reforço das paredes.

O caso também mostra como uma obra doméstica pode se tornar conhecida fora do bairro quando reúne elementos incomuns, como escavação manual, profundidade, risco estrutural, decoração cenográfica e visitação pública.

Ainda assim, não há confirmação de que o local funcione como atração permanente aberta diariamente.

Na prática, o jardim de Francis Proctor permanece como uma propriedade privada com visitas limitadas e organizadas por agendamento.

As cavernas fazem parte desse conjunto, mas a circulação depende das regras do proprietário e das condições informadas pelo National Garden Scheme.

O que pode ser afirmado com segurança é que Proctor passou cerca de 30 anos cavando e montando o espaço nos fundos da casa, em Ainsdale, com reforços de concreto e orientação técnica atribuída à esposa.

A partir daí, a obra deixou de ser apenas uma sala subterrânea planejada no jardim e virou um labirinto doméstico que passou a atrair visitantes.

Para quem vê a casa pela rua, a cena continua discreta.

O que existe sob o quintal só aparece depois de atravessar o jardim e descer ao espaço cavado na areia.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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