A fabricante britânica de máquinas pesadas JCB, a mesma empresa que transformou um trator no mais rápido do mundo a 217 km/h, prepara o Hydromax para tentar o recorde de velocidade em terra com hidrogênio na Bonneville SpeedWeek, em Utah, em agosto. Segundo informações da Forbes, o veículo de 9,75 metros é movido por dois motores a combustão a hidrogênio que juntos entregam 1.600 cavalos de potência, desenvolvidos ao longo de cinco anos de pesquisa com investimento de US$ 135 milhões.
O piloto será Andy Green, ex-piloto da Royal Air Force britânica e ainda o homem mais rápido da Terra depois de quebrar a barreira do som em terra em 1997. Green já pilotou para a JCB em 2006, quando levou o JCB Dieselmax movido a diesel a 563,48 km/h nas mesmas Bonneville Salt Flats, estabelecendo um recorde que permanece intacto até hoje. A missão do Hydromax é ultrapassar essa marca usando hidrogênio em vez de diesel, provando que motores a combustão alimentados pelo gás podem entregar desempenho igual ou superior ao dos combustíveis fósseis. “O Hydromax é mais leve, mais potente e mais rápido do que o Dieselmax original”, afirmou Green. A tentativa começará com testes no Reino Unido antes de a equipe seguir para Utah, e a JCB também planeja buscar recordes reconhecidos pela FIA.
US$ 135 milhões para provar que o hidrogênio funciona

O Hydromax não é um projeto de garagem. A JCB investiu US$ 135 milhões ao longo de cinco anos no desenvolvimento de motores a combustão a hidrogênio, uma aposta que vai na contramão da maioria da indústria, concentrada em veículos elétricos a bateria. A escolha por motores a combustão em vez de células de combustível (que convertem hidrogênio em eletricidade) é deliberada: a JCB argumenta que máquinas pesadas da construção civil e da agricultura precisam de potência bruta, reabastecimento rápido e operação contínua em ambientes remotos, características que baterias elétricas ainda não oferecem de forma competitiva.
O veículo de recorde foi desenvolvido em parceria com as empresas britânicas Prodrive e Ricardo, ambas especializadas em engenharia de alto desempenho e automobilismo. Os dois motores a hidrogênio do Hydromax são baseados em unidades de produção, o que significa que a tecnologia não existe apenas para bater recordes: ela já está sendo aplicada em máquinas JCB que começaram a sair das linhas de produção no início deste ano. O recorde de velocidade é a forma mais espetacular de demonstrar essa tecnologia, mas não é o objetivo final.
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O homem mais rápido da Terra volta ao volante

Andy Green não é um piloto qualquer. Em 1997, ele se tornou o primeiro ser humano a quebrar oficialmente a barreira do som em terra, pilotando o ThrustSSC a 1.228 km/h no deserto de Black Rock, em Nevada. O recorde permanece imbatível até hoje, e Green continua sendo reconhecido como o homem mais rápido da Terra. Em 2006, ele pilotou o JCB Dieselmax a 563,48 km/h em Bonneville, estabelecendo o recorde de velocidade para veículos a diesel.
Agora, aos 63 anos, Green retornará às mesmas Salt Flats de Utah para tentar um novo recorde, desta vez com hidrogênio. A continuidade da parceria entre Green e a JCB ao longo de duas décadas indica confiança mútua entre piloto e fabricante. Para Green, o desafio é diferente: enquanto o Dieselmax de 2006 utilizava uma tecnologia madura e bem compreendida, o Hydromax trabalha com motores a combustão a hidrogênio que nunca foram testados nessas velocidades. Cada quilômetro acima de 500 km/h é território desconhecido para essa tecnologia.
Por que combustão a hidrogênio e não célula de combustível

A maioria dos projetos de hidrogênio na indústria automotiva utiliza células de combustível, dispositivos que convertem o gás em eletricidade para alimentar motores elétricos. A JCB optou por um caminho diferente: motores a combustão interna que queimam hidrogênio diretamente, da mesma forma que um motor convencional queima gasolina ou diesel. A diferença é que a combustão do hidrogênio não emite dióxido de carbono, apenas vapor de água e pequenas quantidades de óxidos de nitrogênio.
Para a JCB, a combustão direta faz mais sentido do que células de combustível em máquinas pesadas porque preserva a robustez e a simplicidade dos motores que a indústria da construção já conhece. Uma retroescavadeira que opera em um canteiro de obras empoeirado, sob vibração constante e com demandas variáveis de potência, precisa de um motor que tolere condições extremas. Motores a combustão são projetados para isso há mais de um século. Adaptá-los para queimar hidrogênio em vez de diesel mantém essa resiliência enquanto elimina as emissões de carbono.
Do trator mais rápido do mundo ao carro de recorde com hidrogênio
A JCB tem um histórico incomum de usar recordes de velocidade como ferramenta de demonstração tecnológica. Em 2019, a empresa transformou um trator Fastrac no mais rápido do mundo, atingindo 217 km/h. Em 2014, uma retroescavadeira JCB GT bateu o recorde de velocidade para esse tipo de máquina, ultrapassando 116 km/h. Em 2006, veio o Dieselmax a 563 km/h. Cada recorde serviu para demonstrar a capacidade de engenharia da empresa de forma que uma apresentação corporativa jamais conseguiria.
“Uma escavadeira nem sempre desperta a imaginação da mesma maneira”, admitiu o chairman Anthony Bamford ao explicar por que a JCB investe em projetos de velocidade extrema. O Hydromax segue essa lógica: ao colocar motores a hidrogênio num veículo capaz de ultrapassar 563 km/h, a empresa transforma uma tecnologia industrial em espetáculo que o público e a imprensa repercutem globalmente. Se o recorde for batido, a mensagem será clara: se o hidrogênio move um carro a mais de 563 km/h, pode mover qualquer máquina pesada do planeta.
A fábrica de US$ 500 milhões no Texas
O projeto Hydromax não existe isoladamente. A JCB está construindo uma nova instalação fabril de US$ 500 milhões em San Antonio, no Texas, um complexo de quase 93 mil metros quadrados que empregará cerca de 1.500 trabalhadores na produção de máquinas para o mercado norte-americano. A proximidade temporal entre a inauguração da fábrica americana e a tentativa de recorde com hidrogênio não é coincidência: ambas fazem parte de uma estratégia de expansão que posiciona a JCB como fabricante global de equipamentos pesados com tecnologia de baixa emissão.
Para o mercado americano, onde reguladores estaduais como a Califórnia impõem restrições crescentes a emissões de máquinas pesadas, oferecer equipamentos movidos a hidrogênio pode ser um diferencial competitivo decisivo. A fábrica no Texas produzirá máquinas para construção e agricultura, e a perspectiva de versões movidas a hidrogênio atende a uma demanda regulatória e de mercado que só tende a crescer nos próximos anos.
563 km/h com hidrogênio: o recorde que pode mudar a conversa
A JCB levará o Hydromax às Bonneville Salt Flats em agosto para tentar ultrapassar a marca de 563 km/h estabelecida pelo próprio Dieselmax em 2006, desta vez usando hidrogênio. O veículo de 9,75 metros com dois motores de 1.600 cavalos foi desenvolvido com US$ 135 milhões de investimento e será pilotado pelo homem mais rápido da Terra. Se o recorde cair, a JCB terá provado que motores a combustão a hidrogênio podem entregar desempenho superior ao diesel, deslocando a conversa sobre energia limpa da promessa teórica para uma prova de conceito a mais de 500 km/h.
Você acredita que o hidrogênio pode substituir o diesel em máquinas pesadas? Conte nos comentários o que achou do projeto Hydromax, se a combustão direta de hidrogênio faz mais sentido do que baterias elétricas para a indústria pesada e se o recorde de velocidade é a melhor forma de provar uma tecnologia. Queremos ouvir a sua opinião.

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