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Robôs agrícolas movidos a energia solar trabalham até 24 horas por dia, removem ervas daninhas com precisão de 8 mm e prometem reduzir herbicidas sem gastar combustível no campo

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 05/07/2026 às 12:33
Assista o vídeoAigen coloca robôs solares com IA para capinar sem herbicida, ampliar a precisão no campo e enfrentar ervas daninhas resistentes.
Foto: Divulgação/Aigen
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Aigen coloca robôs solares com IA para capinar sem herbicida, ampliar a precisão no campo e enfrentar ervas daninhas resistentes.

A Aigen, startup de tecnologia agrícola dos Estados Unidos, colocou em operação no campo um sistema de robôs autônomos movidos a energia solar voltado ao controle diário de ervas daninhas. Batizada de Element, a plataforma usa visão computacional, IA embarcada e ação mecânica no solo para eliminar plantas invasoras sem aplicar herbicidas, numa tentativa de atacar ao mesmo tempo a resistência química das ervas, a pressão por redução de insumos e a escassez de mão de obra no campo.

A proposta já saiu da fase de conceito. Em abril de 2025, a empresa anunciou a chegada do Element gen2, versão baseada em mais de 10 mil horas de uso real em fazendas, com expansão para lavouras de algodão, soja e beterraba, enquanto a Tech Brew informou que havia 50 unidades em teste e que a companhia buscava ampliar a presença comercial da tecnologia nos Estados Unidos.

Robôs solares para controle de ervas daninhas resistentes ganham espaço na agricultura de precisão

O avanço do Element está ligado a um problema cada vez mais caro para o agronegócio: o aumento das ervas daninhas resistentes a herbicidas.

A Tech Brew relata que o uso repetido de químicos ao longo dos anos ajudou a selecionar plantas que já não respondem da mesma forma aos produtos tradicionais, pressionando custos e dificultando o manejo em várias áreas agrícolas.

Foi nesse cenário que a Aigen posicionou sua tecnologia. No site da empresa, o Element é descrito como uma equipe autônoma de robôs que patrulha o campo todos os dias, usa IA para localizar e atingir ervas daninhas com precisão e reduz a dependência de produtos químicos, com a promessa de manter o controle de mato de forma contínua.

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A lógica do projeto é trocar pulverização ampla por intervenção cirúrgica. Em vez de espalhar herbicida sobre a lavoura, os robôs identificam o alvo e executam golpes mecânicos precisos no solo, buscando preservar a cultura principal e reduzir o uso de insumos químicos.

Element combina energia solar, baterias, câmeras com IA e ação mecânica no solo para capinar sem herbicida

A Aigen afirma que seus robôs operam com 100% de energia solar, apoiados por armazenamento em bateria a bordo.

A empresa também destaca que o sistema foi projetado para trabalhar em condições reais de lavoura, incluindo chuva, lama, declives e terreno irregular, com tração integral e estrutura pensada para durar várias safras.

Aigen coloca robôs solares com IA para capinar sem herbicida, ampliar a precisão no campo e enfrentar ervas daninhas resistentes.
Foto: Divulgação/Aigen

A parte de identificação das ervas depende de visão computacional. A Tech Brew informou que o Element usa câmeras com IA para distinguir plantas invasoras da cultura comercial e compreender a anatomia vegetal, permitindo que o sistema selecione o alvo e envie sinais de controle aos motores que executam a remoção mecânica.

Na segunda geração, a Aigen informou que o robô ganhou 50% mais capacidade solar, 4 vezes mais poder de computação embarcada e visão estéreo de profundidade, pacote técnico criado para melhorar a detecção e a precisão do ataque às ervas daninhas em diferentes estágios de crescimento.

Rede em malha e coleta contínua de dados transformam a capina em monitoramento diário da lavoura

Além da capina, a empresa apresenta o Element como uma plataforma de coordenação em campo. No site oficial, a Aigen diz que os robôs se comunicam por uma rede em malha inteligente, o que permite que atuem como equipe, se adaptem às áreas com maior pressão de invasoras e funcionem com pouca ou nenhuma intervenção humana.

A Tech Brew acrescenta que o sistema também coleta dados agronômicos enquanto navega pelo campo. Segundo a publicação, os robôs constroem mapas detalhados da área e geram métricas como contagem de estande e pressão de ervas daninhas, ampliando o papel da máquina para além da simples remoção mecânica.

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Esse desenho ajuda a reposicionar o equipamento dentro da agricultura de precisão. Em vez de entrar no campo apenas para uma operação pontual, o Element foi concebido para circular diariamente, observar a lavoura, registrar variações e executar manejo contínuo com base em leitura automatizada do ambiente.

Element gen2 já opera em algodão e amplia a atuação da Aigen em soja e beterraba

Em 22 de abril de 2025, a Aigen anunciou oficialmente o Element gen2 em parceria com a Bowles Farming Company, fazenda familiar da Califórnia. Segundo o comunicado, as equipes robóticas passaram a trabalhar em campos de algodão durante a safra de 2025, marcando a entrada da empresa em novos tipos de cultivo.

A Future Farming informou que o novo modelo foi desenhado com estrutura mais larga e mais alta, o que ampliou a compatibilidade com linhas de algodão, soja e beterraba. A publicação também relatou que cada robô pode cobrir até 20 acres de forma autônoma e que, em 2025, a empresa tinha 50 unidades operacionais, das quais 30 estavam rodando em três fazendas.

A expansão reforça que a Aigen já está em fase de validação comercial, e não apenas de demonstração técnica. A própria empresa colocou o sistema à venda com entregas previstas para 2026, enquanto o uso em algodão passou a funcionar como vitrine para testar desempenho em escala agrícola real.

Custo e escala ainda são os principais gargalos para os robôs solares no agronegócio

Apesar do avanço técnico, a escala segue como o maior desafio. A Tech Brew informou que os robôs da Aigen conseguiam capinar entre 20 e 40 acres por safra, desempenho que ainda fica distante da dimensão de muitas propriedades rurais americanas, o que limita a adoção ampla sem formação de frotas maiores.

O custo da operação também pesa. A Future Farming reportou preço de US$ 50 mil por unidade, além de uma taxa adicional de US$ 20 mil por frota para coordenação do sistema e serviços de software, valor que exige ganho de eficiência claro para justificar investimento em larga escala.

Mesmo assim, a tecnologia já se consolidou como uma das apostas mais visíveis da nova fase da agricultura robótica. Ao combinar energia solar, IA embarcada, remoção mecânica de ervas e operação contínua no campo, o Element entra na disputa por um modelo de produção menos dependente de herbicidas e mais orientado por automação, dados e precisão.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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