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Egito encontra 18 tumbas antigas com línguas de ouro na boca de alguns mortos, em descoberta que revela rituais funerários incomuns e pequenos amuletos que podem ter sido usados para dar voz aos falecidos no mundo dos mortos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 05/07/2026 às 07:48 Atualizado em 05/07/2026 às 07:50
Egito revela 18 tumbas em Marina el-Alamein com línguas de ouro e achados que ajudam a entender rituais funerários antigos. Imagem: Ilustrativa
Egito revela 18 tumbas em Marina el-Alamein com línguas de ouro e achados que ajudam a entender rituais funerários antigos. Imagem: Ilustrativa
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Arqueólogos identificaram sepulturas antigas no litoral norte do Egito e uma cidade bizantina no deserto ocidental, em achados que reúnem peças de ouro, estruturas urbanas e registros do cotidiano de populações antigas.

O Egito anunciou em 4 de julho de 2026 a descoberta de 18 tumbas antigas no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, no litoral norte do país, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria.

Durante as escavações, arqueólogos encontraram quatro pequenas peças de ouro colocadas na boca de alguns mortos, conhecidas como “línguas de ouro”, prática associada a crenças funerárias do período greco-romano, segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades.

A descoberta foi apresentada pelo governo egípcio junto de outro achado: uma cidade residencial da era bizantina no Oásis de Dakhla, no deserto ocidental.

As duas frentes de escavação reúnem evidências sobre a vida cotidiana, a organização urbana, a atividade econômica e práticas religiosas em diferentes períodos da história do Egito.

O anúncio ocorre em meio aos esforços do país para ampliar a presença da arqueologia no turismo.

O setor é uma das principais fontes de moeda estrangeira do Egito, ao lado do Canal de Suez, e tem parte de sua força ligada ao interesse de visitantes por sítios antigos, museus e roteiros históricos.

Línguas de ouro foram achadas em sepulturas no Egito

As tumbas foram localizadas em Marina el-Alamein, área próxima à cidade de El Alamein, na costa mediterrânea egípcia.

O sítio é associado por arqueólogos à antiga cidade portuária greco-romana de Leukaspis, construída no século 2 e ocupada até o século 4, segundo informações divulgadas pelo ministério.

No local, a equipe encontrou 11 tumbas escavadas na rocha, com profundidade média de 8 metros, e sete sepulturas superficiais construídas em calcário.

Parte das estruturas preservava aberturas de sepultamento fechadas por placas de pedra, dado destacado pelas autoridades egípcias na descrição do estado das escavações.

Segundo a chefe da missão arqueológica, Eman Abdel-Khaliq, as quatro peças de ouro foram identificadas dentro da boca de alguns dos mortos.

A prática, conhecida como “língua de ouro”, aparece em contextos funerários do Egito antigo e greco-romano e costuma ser interpretada por pesquisadores como um elemento ligado às crenças sobre a vida após a morte.

O achado não indica que todas as 18 tumbas continham esse tipo de amuleto.

A informação divulgada pelo ministério aponta apenas a presença das peças em alguns dos corpos, o que exige cautela para evitar a interpretação de que o conjunto inteiro apresentava o mesmo ritual funerário.

Além das peças de ouro, os arqueólogos encontraram vasos de cerâmica, ânforas, lâmpadas, pratos, altares, bacias de calcário e outros objetos ligados ao uso funerário das estruturas.

Também foi localizado um sarcófago de granito de 2,5 metros, com restos ósseos que permanecem em estudo.

Nas proximidades do sarcófago, a equipe identificou fragmentos de uma estátua de esfinge feita em gesso.

De acordo com a missão, o conjunto de objetos recuperados será analisado para ampliar a compreensão sobre os ritos, a ocupação e a composição social da antiga cidade portuária.

Marina el-Alamein preserva vestígios greco-romanos

Marina el-Alamein foi revelada em 1986 e passou a ser estudada como um dos sítios ligados à ocupação greco-romana na costa norte do Egito.

A antiga Leukaspis ficava em uma área estratégica do Mediterrâneo e, segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades, teve atividade entre os séculos 2 e 4.

Os materiais encontrados nas tumbas indicam a presença de referências egípcias, gregas e romanas no mesmo contexto arqueológico.

Entre os itens descritos em comunicados e reportagens baseadas nas informações oficiais, há altares, elementos funerários, sarcófagos e amuletos associados às práticas religiosas da época.

Alguns dos sete túmulos de superfície construídos em calcário, descobertos no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, são vistos a oeste da cidade mediterrânea de Alexandria, no Egito. Imagem: Ministério do Turismo e Antiguidades/AP
Alguns dos sete túmulos de superfície construídos em calcário, descobertos no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, são vistos a oeste da cidade mediterrânea de Alexandria, no Egito. Imagem: Ministério do Turismo e Antiguidades/AP

Segundo relatos publicados com base no comunicado do ministério, os arqueólogos também encontraram um altar de calcário para oferendas com fachada inspirada no chamado “falso portal”, elemento conhecido na tradição funerária egípcia.

O conjunto inclui ainda uma estátua de mármore incompleta que pode representar Afrodite e uma lápide de calcário com a figura de um homem sentado segurando uma ave.

O ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, afirmou que as escavações contribuem para o estudo da identidade cultural dos habitantes de Marina el-Alamein.

Segundo a pasta, o avanço das pesquisas também integra o plano de preparar o sítio para receber visitantes, em uma região já conhecida pelo turismo de praia no litoral norte egípcio.

Há divergência entre fontes sobre o total acumulado de tumbas já identificadas em Marina el-Alamein.

A agência Associated Press informou que o novo achado elevou o número para 48, enquanto veículos árabes que citaram o comunicado do ministério registraram 44.

Até nova confirmação consolidada, o dado deve ser apresentado como divergente.

Cidade bizantina é identificada no Oásis de Dakhla

No mesmo anúncio, o Egito informou a descoberta de uma cidade residencial da era bizantina no sítio de Ain el-Sabil, no Oásis de Dakhla, na província de Novo Vale, no deserto ocidental.

A área reúne ruas, casas, estruturas religiosas e construções defensivas ligadas a uma comunidade do século 4, período em que o Egito fazia parte do Império Bizantino.

O traçado urbano descrito pelas autoridades mostra vias principais no sentido norte-sul, cruzadas por ruas menores no sentido leste-oeste.

Essa organização formava praças e espaços abertos, segundo Hisham el-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Na parte elevada do assentamento, a missão identificou uma igreja em estilo basílica, datada de meados do século 4.

A construção ficava voltada para uma das principais ruas da cidade e aparece como uma das estruturas religiosas mencionadas pelo governo egípcio na divulgação da descoberta.

A equipe também localizou duas torres de observação nas bordas do assentamento e uma estrutura fortificada com paredes espessas.

As casas tinham salões de recepção e tetos abobadados, conforme a descrição da missão arqueológica.

Em áreas associadas à vida doméstica, foram encontrados fornos de pão, cozinhas e ferramentas de pedra usadas para moer grãos.

Esses vestígios indicam atividades ligadas à produção de alimentos e à rotina dos antigos moradores, de acordo com os pesquisadores responsáveis pela escavação.

Casas, moedas e inscrições ajudam a reconstruir o cotidiano

Entre as construções identificadas em Dakhla está a casa de Tisus, descrito como diácono da igreja e associado à segunda metade do século 4.

Arqueólogos também apontam que outra residência, atribuída a Tapibos e datada do início do mesmo século, pode ter funcionado como igreja doméstica antes da construção da basílica.

A hipótese de uso religioso doméstico foi apresentada pela equipe arqueológica com base na disposição da casa e no contexto do assentamento.

Como se trata de interpretação técnica, a informação deve permanecer atribuída aos pesquisadores e não ser tratada como conclusão independente.

Os objetos recuperados incluem moedas de bronze bem preservadas, com retratos de imperadores bizantinos, inscrições em latim e símbolos cristãos.

Também foram encontradas moedas de ouro atribuídas ao reinado de Constâncio 2º, imperador romano entre 337 e 361.

Outro conjunto citado pelas autoridades reúne cerca de 200 fragmentos de cerâmica usados como suporte de escrita, conhecidos como ostraca.

As inscrições registram transações comerciais, correspondências e detalhes da administração cotidiana, segundo Diaa Zahran, chefe do departamento de Antiguidades Islâmicas, Coptas e Judaicas.

Esse tipo de material é usado por pesquisadores para estudar práticas administrativas, relações comerciais e aspectos da rotina de comunidades antigas.

No caso de Dakhla, os fragmentos ajudam a conectar as estruturas arquitetônicas a registros escritos produzidos no próprio assentamento.

A presença de moedas, textos, igrejas, casas e equipamentos domésticos indica uma comunidade com atividades econômicas, religiosas e sociais organizadas, conforme a leitura apresentada pelos especialistas envolvidos nas escavações.

Novas análises ainda devem detalhar a cronologia das estruturas e a relação entre os objetos encontrados e os edifícios escavados.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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