O Vale de Torysh, no Cazaquistão, reúne milhares de esferas rochosas gigantes formadas em um antigo mar há dezenas de milhões de anos.
No árido oeste do Cazaquistão, em uma paisagem dominada por estepes secas, salinas e formações rochosas esculpidas pelo vento, existe um dos cenários geológicos mais intrigantes da Ásia Central. Espalhadas por quilômetros de terreno estão milhares de esferas de pedra quase perfeitas, algumas maiores que um automóvel. Conhecido como Torysh, ou simplesmente Vale das Bolas, o local está situado na região de Mangystau, próxima à vila de Shetpe e à montanha Sherkala.
Segundo informações geológicas reunidas por pesquisadores, wikipédia e instituições de turismo científico do país, as estruturas são concreções naturais formadas lentamente no interior de antigos sedimentos marinhos, em um processo que levou dezenas de milhões de anos.
Milhares de esferas gigantes cobrem o deserto em uma das paisagens mais estranhas do planeta
O primeiro impacto visual do Torysh é a quantidade de esferas espalhadas pela paisagem. Segundo a plataforma especializada Advantour Kazakhstan, existem milhares de bolas de pedra distribuídas por vários quilômetros, variando desde pequenas estruturas semelhantes a bolas de gude até enormes blocos com entre 1 e 3 metros de diâmetro, embora alguns exemplares possam ultrapassar 4 metros.
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Muitas permanecem totalmente intactas, enquanto outras aparecem rachadas, achatadas ou parcialmente enterradas nos sedimentos, criando uma paisagem que lembra um gigantesco campo de projéteis abandonados.
Segundo o portal turístico Mangystau Overland, algumas concreções possuem apenas 10 a 15 centímetros, enquanto outras atingem aproximadamente 4 metros de diâmetro, demonstrando a enorme diversidade de tamanhos presente no local.
Cientistas acreditam que as esferas se formaram em um antigo oceano desaparecido
Embora o aspecto das pedras tenha alimentado lendas locais durante séculos, a explicação mais aceita atualmente está ligada à geologia sedimentar.
Segundo a descrição geológica do Torysh compilada pela enciclopédia Wikipedia, a região fazia parte de áreas associadas ao antigo Oceano Tétis, que ocupou extensas porções da Eurásia durante milhões de anos.

Os pesquisadores da mangystau acreditam que pequenos fragmentos orgânicos, conchas, grãos minerais ou restos biológicos atuaram como núcleos iniciais para a deposição de minerais dissolvidos na água.
Ao longo do tempo, minerais como calcita, silicatos e óxidos de ferro foram sendo depositados camada após camada ao redor desses núcleos, formando concreções progressivamente maiores.
Posteriormente, processos de compactação e cimentação endureceram as estruturas. Com a elevação tectônica da região e a erosão dos sedimentos mais frágeis ao redor, as concreções resistentes permaneceram expostas na superfície, criando a paisagem observada atualmente.
Algumas pedras possuem rachaduras que lembram ovos gigantes prestes a se abrir
Nem todas as esferas apresentam aparência lisa. Segundo relatos compilados do Advantour Kazakhstan e por operadores de turismo geológico, muitas apresentam rachaduras superficiais e divisões naturais que fazem lembrar enormes ovos fossilizados ou cápsulas prestes a se partir.
Essa característica contribuiu para o surgimento de inúmeras interpretações populares. Há quem compare as pedras a ovos de dinossauros gigantes, bolas de canhão abandonadas por civilizações antigas ou objetos extraterrestres espalhados pelo deserto.
No entanto, a ciência continua apontando para um mecanismo natural de formação baseado em concreções sedimentares, fenômeno observado também em locais como as Moeraki Boulders, na Nova Zelândia, e a Bowling Ball Beach, na Califórnia.
Algumas estimativas indicam que as esferas podem ter entre 40 e 60 milhões de anos
A idade exata das formações ainda é objeto de debate. Segundo a Advantour Kazakhstan, estudos estimam que as concreções de Torysh tenham se desenvolvido entre 40 e 60 milhões de anos atrás, após a sedimentação de materiais depositados no antigo Oceano Tétis.

Já outras interpretações citadas em materiais geológicos apontam que algumas estruturas poderiam estar associadas a sedimentos mais antigos, datados do Jurássico e do Cretáceo, entre aproximadamente 120 e 180 milhões de anos.
Não existe consenso absoluto sobre a cronologia de todas as esferas, já que o vale ainda é considerado relativamente pouco estudado em comparação com outras formações geológicas famosas do mundo.
O Vale das Bolas continua sendo um dos maiores mistérios geológicos da Ásia Central
Apesar dos avanços nas interpretações científicas, Torysh continua cercado por mistério. A enorme concentração de esferas em um único local, combinada com a escala da paisagem e a aparência quase artificial das rochas, transforma a região em um dos cenários mais impressionantes do planeta para geólogos, fotógrafos e viajantes.
No silêncio do deserto do Cazaquistão, milhares de pedras continuam espalhadas pelo solo como testemunhas de um oceano desaparecido há milhões de anos.
E a sensação permanece a mesma para quem chega ao local pela primeira vez: parece que alguém gigantesco interrompeu uma partida de boliche em escala continental e nunca mais voltou para recolher as bolas.

