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Em crise histórica, Correios transportam menos encomendas, atrasam um terço das entregas, correm atrás de socorro do Tesouro, planejam demitir 15 mil funcionários e fechar mil agências para tentar evitar colapso financeiro

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/12/2025 às 09:18
Correios em crise transportam menos encomendas, acumulam entregas fora do prazo, dependem de aporte do Tesouro e estudam fechar agências em meio a forte ajuste financeiro.
Correios em crise transportam menos encomendas, acumulam entregas fora do prazo, dependem de aporte do Tesouro e estudam fechar agências em meio a forte ajuste financeiro.
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Com queda nas encomendas, piora na qualidade do serviço e gastos em alta, os Correios veem 32 por cento das entregas fora do prazo, projetam demitir 15 mil empregados, fechar mil unidades e aguardam aporte do Tesouro para pagar salários e 13º, fornecedores, prestadores de serviço e manter operações básicas.

Em grave crise financeira, os Correios vivem em 2025 uma combinação de queda nas encomendas transportadas, deterioração da qualidade das entregas e aumento de despesas que pressiona o caixa da estatal. Documentos internos mostram recuo acelerado dos principais indicadores operacionais entre 28 de janeiro e 6 de dezembro de 2025, com menos pacotes circulando e mais atrasos registrados em todo o país.

Em 10 de dezembro de 2025, quando o cenário foi detalhado, a direção dos Correios já trabalhava com corte de benefícios previstos em acordo coletivo, um plano para demitir 15 mil empregados e fechar mil agências, ao mesmo tempo em que corria atrás de socorro emergencial do Tesouro Nacional para pagar a folha de dezembro, a segunda parcela do 13º salário, fornecedores e prestadores de serviços essenciais.

Queda nas encomendas e explosão de entregas fora do prazo

Os dados internos apontam que o volume diário de encomendas entregues pelos Correios caiu de 1.745.897 em 28 de janeiro para 1.293.675 em 6 de dezembro, uma retração de 26 por cento no intervalo.

Em vez de aproveitar o natural aquecimento das compras de fim de ano, a estatal chega a dezembro transportando menos do que no início de 2025.

Na média diária mensal, o quadro também é negativo. Em janeiro, os Correios movimentaram cerca de 1,75 milhão de encomendas por dia.

Em dezembro, essa média recuou para 1,46 milhão, queda de 16 por cento em quase um ano.

O contraste com 2022 é expressivo: naquele dezembro, a empresa chegou a operar com média diária de 2,28 milhões de encomendas.

A qualidade do serviço acompanhou a piora do volume.

O indicador que mede entregas no prazo caiu de 98,95 por cento em 3 de fevereiro, um desempenho recorde para os Correios, para 68,15 por cento em 6 de dezembro.

Na prática, 32 por cento das encomendas passaram a ser entregues fora do prazo nesse momento crítico.

A média de dezembro, de 76,63 por cento, está bem abaixo dos 97,7 por cento registrados em janeiro.

Despesas em alta e pressão sobre a folha de pagamento

Enquanto os indicadores operacionais recuam, a despesa cresce.

A projeção dos Correios é encerrar 2025 com 22,9 bilhões de reais em despesas correntes, alta de 2,9 por cento em relação ao ano anterior.

A maior parte desse montante está concentrada em gastos com pessoal, estimados em 15,1 bilhões de reais, incluindo salários, encargos e benefícios.

Essa combinação de queda de receitas com encomendas e aumento do custo fixo aprofunda o desequilíbrio financeiro da empresa.

A direção admite internamente que a margem para manter benefícios trabalhistas e a estrutura atual de agências se reduziu de forma significativa, o que explica a escalada de medidas de contenção anunciadas ao longo do segundo semestre de 2025.

Fim do acordo coletivo e plano para demitir 15 mil e fechar mil agências

Nesta terça-feira, a direção dos Correios comunicou aos representantes dos trabalhadores que não vai renovar o Acordo Coletivo de Trabalho, que vence em 15 de dezembro.

O ACT assinado pela gestão anterior previa, entre outros pontos, gratificação de 70 por cento das férias, vale-natal e correção salarial e do vale-refeição pela inflação, itens agora colocados em xeque pela crise.

A justificativa oficial é que a situação financeira dos Correios impede a concessão de benefícios fora do plano de reestruturação em elaboração.

Esse plano prevê demitir 15 mil funcionários por meio de um programa de desligamento voluntário e fechar mil agências em diferentes regiões do país, numa tentativa de reduzir a folha e cortar custos operacionais fixos.

Aposta em aporte emergencial do Tesouro e empréstimo de 20 bilhões

Enquanto corta benefícios e redesenha o quadro de pessoal, a diretoria dos Correios corre para garantir um aporte emergencial do Tesouro Nacional.

A intenção é usar o dinheiro para pagar salários de dezembro, a segunda parcela do 13º, fornecedores e prestadores de serviços essenciais, evitando uma paralisação da operação em plena alta demanda de fim de ano.

Um decreto publicado nesta terça-feira abriu caminho jurídico para esse aporte. Internamente, a preocupação é encontrar uma solução que dê mínima sustentabilidade financeira aos Correios e tenha respaldo legal, evitando novos questionamentos de órgãos de controle.

O aporte é tratado como alternativa temporária até que a estatal consiga fechar um empréstimo bancário de 20 bilhões de reais com garantia da União.

A direção admite que, sem recomposição de caixa e reestruturação profunda, o risco de colapso financeiro dos Correios deixa de ser apenas cenário teórico e passa a integrar as discussões de curto prazo sobre o futuro da empresa.

Para você, diante da crise dos Correios, o que deve vir primeiro: preservar empregos, manter agências abertas em regiões vulneráveis ou concentrar tudo em salvar as contas da estatal?

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Sérgio Soares
Sérgio Soares
10/12/2025 16:12

Primeiro lugar salvar os empregos de mais de 80 mil funcionários que longe disso, não são os culpados pela roubalheira dos Correios. A culpa é do governo atual.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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