Com queda nas encomendas, piora na qualidade do serviço e gastos em alta, os Correios veem 32 por cento das entregas fora do prazo, projetam demitir 15 mil empregados, fechar mil unidades e aguardam aporte do Tesouro para pagar salários e 13º, fornecedores, prestadores de serviço e manter operações básicas.
Em grave crise financeira, os Correios vivem em 2025 uma combinação de queda nas encomendas transportadas, deterioração da qualidade das entregas e aumento de despesas que pressiona o caixa da estatal. Documentos internos mostram recuo acelerado dos principais indicadores operacionais entre 28 de janeiro e 6 de dezembro de 2025, com menos pacotes circulando e mais atrasos registrados em todo o país.
Em 10 de dezembro de 2025, quando o cenário foi detalhado, a direção dos Correios já trabalhava com corte de benefícios previstos em acordo coletivo, um plano para demitir 15 mil empregados e fechar mil agências, ao mesmo tempo em que corria atrás de socorro emergencial do Tesouro Nacional para pagar a folha de dezembro, a segunda parcela do 13º salário, fornecedores e prestadores de serviços essenciais.
Queda nas encomendas e explosão de entregas fora do prazo
Os dados internos apontam que o volume diário de encomendas entregues pelos Correios caiu de 1.745.897 em 28 de janeiro para 1.293.675 em 6 de dezembro, uma retração de 26 por cento no intervalo.
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Em vez de aproveitar o natural aquecimento das compras de fim de ano, a estatal chega a dezembro transportando menos do que no início de 2025.
Na média diária mensal, o quadro também é negativo. Em janeiro, os Correios movimentaram cerca de 1,75 milhão de encomendas por dia.
Em dezembro, essa média recuou para 1,46 milhão, queda de 16 por cento em quase um ano.
O contraste com 2022 é expressivo: naquele dezembro, a empresa chegou a operar com média diária de 2,28 milhões de encomendas.
A qualidade do serviço acompanhou a piora do volume.
O indicador que mede entregas no prazo caiu de 98,95 por cento em 3 de fevereiro, um desempenho recorde para os Correios, para 68,15 por cento em 6 de dezembro.
Na prática, 32 por cento das encomendas passaram a ser entregues fora do prazo nesse momento crítico.
A média de dezembro, de 76,63 por cento, está bem abaixo dos 97,7 por cento registrados em janeiro.
Despesas em alta e pressão sobre a folha de pagamento
Enquanto os indicadores operacionais recuam, a despesa cresce.
A projeção dos Correios é encerrar 2025 com 22,9 bilhões de reais em despesas correntes, alta de 2,9 por cento em relação ao ano anterior.
A maior parte desse montante está concentrada em gastos com pessoal, estimados em 15,1 bilhões de reais, incluindo salários, encargos e benefícios.
Essa combinação de queda de receitas com encomendas e aumento do custo fixo aprofunda o desequilíbrio financeiro da empresa.
A direção admite internamente que a margem para manter benefícios trabalhistas e a estrutura atual de agências se reduziu de forma significativa, o que explica a escalada de medidas de contenção anunciadas ao longo do segundo semestre de 2025.
Fim do acordo coletivo e plano para demitir 15 mil e fechar mil agências
Nesta terça-feira, a direção dos Correios comunicou aos representantes dos trabalhadores que não vai renovar o Acordo Coletivo de Trabalho, que vence em 15 de dezembro.
O ACT assinado pela gestão anterior previa, entre outros pontos, gratificação de 70 por cento das férias, vale-natal e correção salarial e do vale-refeição pela inflação, itens agora colocados em xeque pela crise.
A justificativa oficial é que a situação financeira dos Correios impede a concessão de benefícios fora do plano de reestruturação em elaboração.
Esse plano prevê demitir 15 mil funcionários por meio de um programa de desligamento voluntário e fechar mil agências em diferentes regiões do país, numa tentativa de reduzir a folha e cortar custos operacionais fixos.
Aposta em aporte emergencial do Tesouro e empréstimo de 20 bilhões
Enquanto corta benefícios e redesenha o quadro de pessoal, a diretoria dos Correios corre para garantir um aporte emergencial do Tesouro Nacional.
A intenção é usar o dinheiro para pagar salários de dezembro, a segunda parcela do 13º, fornecedores e prestadores de serviços essenciais, evitando uma paralisação da operação em plena alta demanda de fim de ano.
Um decreto publicado nesta terça-feira abriu caminho jurídico para esse aporte. Internamente, a preocupação é encontrar uma solução que dê mínima sustentabilidade financeira aos Correios e tenha respaldo legal, evitando novos questionamentos de órgãos de controle.
O aporte é tratado como alternativa temporária até que a estatal consiga fechar um empréstimo bancário de 20 bilhões de reais com garantia da União.
A direção admite que, sem recomposição de caixa e reestruturação profunda, o risco de colapso financeiro dos Correios deixa de ser apenas cenário teórico e passa a integrar as discussões de curto prazo sobre o futuro da empresa.
Para você, diante da crise dos Correios, o que deve vir primeiro: preservar empregos, manter agências abertas em regiões vulneráveis ou concentrar tudo em salvar as contas da estatal?

Primeiro lugar salvar os empregos de mais de 80 mil funcionários que longe disso, não são os culpados pela roubalheira dos Correios. A culpa é do governo atual.