A gestora concentra imóveis na zona sul de São Paulo, faz estúdio render cerca de R$ 6 mil por mês no Airbnb, cobra comissão sobre diárias e cresce com estratégia de bairro e operação enxuta
Aos 30 anos, Laísa virou referência ao tocar uma operação de Airbnb com 60 imóveis por temporada, concentrados principalmente em Moema e bairros próximos, e uma rotina que não para. Ela diz que a movimentação mensal total das reservas passa de R$ 200 mil a R$ 300 mil, somando diárias e taxas, enquanto mantém atendimento direto ao hóspede em tempo integral.
O que impressiona não é só o volume, mas o método: foco em poucos bairros, seleção de unidades, padronização do que importa e uma operação que mistura gestão, check-in, vistoria, compra, manutenção e comunicação no mesmo comando. No meio disso, ela ainda explica como um estúdio pode girar perto de R$ 6 mil por mês e por que nem sempre um apartamento maior compensa o investimento.
Uma operação concentrada em Moema e na zona sul
A base do negócio está na lógica de território. Ela explica que o “forte” é Moema e que, para facilitar a rotina, mantém o foco em uma região específica: Moema, Brooklin, Campo Belo e Vila Olímpia. A regra é clara: quanto mais perto, mais previsível fica a operação.
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Dentro de um mesmo condomínio, ela cita um exemplo prático: tem cinco unidades próprias e administra mais 15 de outros proprietários, somando 20 ali. A estratégia evita dispersão, reduz deslocamentos e ajuda a sustentar a qualidade do atendimento no Airbnb.
Como tudo começou e por que o Airbnb virou virada de chave
A entrada no Airbnb veio depois de frustrações com locação tradicional. Ela relata prejuízos e desgaste em aluguéis de longo prazo e conta que decidiu testar temporada quando um estúdio em Moema ficou pronto.
O teste foi rápido: em cerca de 24 horas já entrou reserva. A partir dali, ela fez o que muitos não topam no começo: limpava a unidade, bloqueava datas para dar conta e tocava tudo na mão, especialmente no período da pandemia, quando iniciou em 2020.
Quanto rende um estúdio e como ela explica a conta
O número que chama atenção aparece com clareza: ao ser perguntada sobre um estúdio, ela cita uma média de R$ 6 mil por mês em vendas brutas em um exemplo. No repasse ao proprietário, diz que um mês bom pode ficar em torno de R$ 4 mil a R$ 4,5 mil, variando conforme sazonalidade e ocupação.
Ela reforça que há meses mais fracos e meses melhores, e que parte do resultado depende de rotina, giro e demanda. A lógica do Airbnb aqui é consistência, não uma promessa de valor fixo.
O modelo de comissão e o que entra na operação
Sobre remuneração, ela diz que cobra principalmente 15% sobre o valor bruto das diárias, descontando a taxa de limpeza antes de calcular essa comissão. Em casos específicos, quando a operação é mais difícil por dispersão, ela menciona 17%.
E quando diz que faz “tudo”, ela detalha: financeiro, compras, checklist, vistoria, contato com hóspede e proprietário. Não há funcionário fixo direto na equipe dela, mas existe suporte terceirizado: equipe de limpeza, um manutencionista contratado e apoio jurídico.
Atendimento 24 horas e o custo de ser “tudo em uma pessoa”
A parte mais pesada do relato é simples: ela atende 24 horas. Isso inclui mensagem de madrugada, check-in fora de horário e demanda de última hora. Em um trecho, ela descreve o telefone vibrando à noite e a necessidade de acordar para resolver.
Mesmo assim, ela afirma que consegue manter a rotina e que o volume é administrável por enquanto. O ponto central é que, no Airbnb, o atendimento não é “extra”: ele é parte da entrega do produto.
Por que ela prefere estúdios e nem sempre compra dois dormitórios
Ela comenta que apartamentos de dois dormitórios “voam” em locação, mas também pondera sobre custo de aquisição. A discussão aparece como um dilema de investidor: imóvel maior pode alugar rápido, mas custa muito mais, e a diferença de retorno pode não compensar o valor investido.
Na prática, ela diz que muitos estúdios têm desempenho sólido na região e reforça que, em alguns casos, o que muda o jogo não é o tamanho, mas a baixa vacância e a boa montagem.
O que ela considera diferencial de anúncio e de prédio
A decisão de compra e gestão passa por padrão de prédio e localização. Ela afirma que prefere empreendimentos mais completos, com piscina, academia, coworking e áreas comuns que o hóspede realmente pode usar. Também cita o peso de ter tudo perto, como metrô e serviços.
Na montagem da unidade, as escolhas são pragmáticas: itens que reduzem manutenção e reclamação. Geladeira no lugar de frigobar, cooktop no lugar de fogão elétrico frágil, ar-condicionado e conforto de cama e chuveiro aparecem como prioridades recorrentes no que ela ouve dos hóspedes.
Além do Airbnb: por que ela expandiu para outras plataformas
Ela conta que ficou cerca de um ano e meio só no Airbnb e, depois, foi para Booking, Decolar e também para Expedia, testando aos poucos. A lógica é sempre incremental: colocar uma unidade, entender o processo, ajustar e só então ampliar.
No caso da Expedia, ela descreve uma estratégia direta: subir o preço em 40% a 50% por dar mais trabalho operacional, e diz que o retorno vale a pena em parte do portfólio.
Em algumas unidades, ela afirma que uma fatia relevante das vendas vem por lá, enquanto unidades mais luxuosas não entram porque o Airbnb e a Booking já entregam demanda suficiente.
Pergunta rápida: se você tivesse um estúdio bem localizado em Moema, você colocaria no Airbnb por conta própria ou preferiria entregar para uma gestora mesmo pagando comissão?


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