Mônica Poplawski, dona e única funcionária da Alphahouser, virou a corretora das mansões de Alphaville gravando vídeos sem roteiro com a ajuda do filho, e já fechou venda de R$ 25 milhões com clientes que incluem celebridades
A corretora de imóveis e influenciadora Mônica Poplawski é uma das protagonistas do novo programa de mercado imobiliário da Exame, o Por trás do tijolo, em episódio publicado em 8 de julho. Quando começou a divulgar mansões milionárias nas redes e ouvia que ninguém compraria imóvel de luxo pelo TikTok, ela respondia com a frase que virou sua marca: “O filho do rico está no TikTok”.
Os números dão razão a ela: Mônica Poplawski atua no altíssimo padrão de Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, com propriedades que tocam nos R$ 110 milhões, e soma quase 1,8 milhão de seguidores nas redes sociais, segundo a Exame. O detalhe mais saboroso da história é de onde ela veio: do palco do homem do “quem quer dinheiro?”.
A telemoça que tirou Silvio Santos do tanque de água
Muito antes de vender mansões, Mônica Poplawski foi “telemoça” de Silvio Santos e de Gugu Liberato, um tipo de assistente de palco oficial dos apresentadores, segundo o InfoMoney, que contou a trajetória dela em um perfil. Foi ela quem ajudou a retirar Silvio de dentro do tanque de água onde ele caiu durante uma brincadeira no programa dominical, cena que entrou para a história da TV e foi relembrada nas homenagens ao apresentador, segundo o InfoMoney.
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A escola do SBT virou vantagem competitiva. “Ter trabalhado em TV me ajudou muito com a comunicação, entender de edição e ter postura na hora de gravar. Mas eu sempre trabalhei com vendas, inclusive quando fui telemoça do Silvio e do Gugu, pois a gente gravava somente às quintas, sábados e domingos”, contou Mônica ao InfoMoney.
Da locação de R$ 900 ao alto padrão na pandemia

O começo de Mônica Poplawski como corretora de imóveis, há cerca de 7 anos, passou longe do luxo. “Eu comecei fazendo uma locação pequenininha, de R$ 900”, lembrou a corretora ao InfoMoney, e a primeira venda de imóvel só veio depois de 1 ano e meio de profissão. A virada aconteceu em 2020, quando a demanda das famílias confinadas por espaços maiores criou disputa pelos imóveis luxuosos de Alphaville, com aluguéis em disparada e fila de espera.
Mônica decidiu ficar de vez no segmento. Hoje, ainda segundo o InfoMoney, o aluguel de um imóvel anunciado pela Alphahouser, corretora da qual ela é dona e única funcionária, não sai por menos de R$ 13 mil e pode chegar a R$ 200 mil por mês, enquanto à venda o mais barato é um apartamento de R$ 1,3 milhão.
A vitrine: Mansão Diamante de R$ 110 milhões, com 18 vagas e 13 banheiros
O topo do catálogo impressiona. A Mansão Diamante, o imóvel mais caro de Alphaville, está à venda por R$ 110 milhões e tem mais de 2 mil metros quadrados, garagem para 18 carros, 13 banheiros, 8 suítes com a master de 200 metros quadrados, spa com piscina aquecida e construção com mármore italiano, segundo o InfoMoney. No vídeo em que apresenta a casa, Mônica Poplawski surpreende tocando o piano de cauda do imóvel.
A lista segue com a Mansão Tamboré 2, de R$ 79 milhões, com 1.950 metros quadrados, 15 vagas cobertas e garagem com base giratória para exposição de automóveis, além de elevador para 8 pessoas, e com a Casa Tamboré 2, de R$ 55 milhões, com living de pé direito de 9 metros, rooftop de 450 metros quadrados e 25 vagas, ainda de acordo com o InfoMoney.
Sem roteiro, com o filho atrás da câmera: o “reality show” que vende casa
O método de gravação é o oposto das produções milionárias. A corretora grava a maioria dos conteúdos com a ajuda do filho, em sequências únicas e sem roteiro, e já fugiu de um cachorro no meio de uma gravação e levou um banho da cuba de uma cozinha de luxo enquanto mostrava as funcionalidades, segundo o InfoMoney. “Nós chegamos nas casas e aquilo que a gente vê, a gente mostra e grava. Não tem roteiro nenhum. A coisa sai espontânea, informal. E eu tenho percebido que é isso que as pessoas gostam”, afirma.
Na conversa com a Exame, ela explica a lógica de vender para quem já tem tudo: “O meu cliente já tem uma casa, que provavelmente também vale milhões. Preciso gerar nele, através de um vídeo meu, um desejo de ter uma casa que ele nem sabia que queria comprar, mas que ele vai ter vontade de ter”. E a audiência que nunca vai comprar tem função no negócio: segundo o InfoMoney, é justamente o engajamento desse público que faz o conteúdo chegar aos compradores.
Whindersson, Maiara e Maraísa e os clientes que não deixam tirar foto

A carteira de clientes tem gente famosa. A lista de quem já alugou ou adquiriu mansões com a Alphahouser inclui Whindersson Nunes, a dupla sertaneja Maiara e Maraísa, o ex-goleiro da Chapecoense Jakson Follmann e a youtuber Camila Loures, segundo o InfoMoney. O sigilo, porém, é regra: “Assinamos termos de sigilo e muitas vezes não podemos divulgar o nome de quem comprou o imóvel”, explica Mônica. “São clientes com quem eu adoraria aparecer na foto, para dizer que fechei a venda, mas eles não deixam.”
O tamanho dos cheques explica a discrição. Em 2024, ano que marcou a carreira dela segundo o InfoMoney, Mônica fez sua maior venda até então, uma mansão de R$ 25 milhões, e fechou outro negócio de R$ 14 milhões. Em São Paulo, a comissão costuma equivaler a 6% do valor do imóvel, normalmente dividida entre os corretores da negociação. “É comum passar mais de um ano trabalhando na venda de uma casa, arcando com todos os custos de trabalho”, diz ela, citando anúncios, fotos, vídeos, recepções e até a exigência de um bom carro: recentemente, comemorou nas redes a compra de uma BMW.
O outro lado da moeda: o corretor dos “achados” e do apartamento “detonadinho”
O mesmo episódio da Exame mostra a estratégia inversa. O corretor Henry Ebert, com cerca de 150 mil seguidores e vídeos que passam de 200 mil visualizações, ganhou popularidade mostrando achados, oportunidades e apartamentos icônicos e modernistas a preço justo nos bairros tradicionais de São Paulo, segundo a Exame. “São imóveis reais para pessoas reais. Às vezes, em vez de pagar uma grana em prédios novos, eu acho um detonadinho para reformar e restaurar”, afirma ele no programa.
Da casa de vó de 1970 vendida a preço baixo até a mansão de Alphaville avaliada em R$ 72 milhões que aparece no episódio, a mensagem dos dois é a mesma: no TikTok, no Instagram ou no YouTube, há espaço para quase todos os nichos do mercado imobiliário, e o corretor que aparece todo dia no feed chega primeiro a quem nem sabia que queria comprar.
O pano de fundo: São Paulo nunca teve tantos imóveis à venda
Há uma razão de mercado para tanta criatividade. São Paulo terminou 2025 com 517 mil anúncios de imóveis à venda, contra cerca de 180 mil no fim de 2024, uma alta de mais de 180% em quatro trimestres seguidos de crescimento, segundo a Exame. Nunca houve tanta oferta, e nunca houve tanta gente querendo vender.
Nesse oceano de anúncios, esperar o cliente entrar na imobiliária virou receita de prateleira vazia. Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: a ex-telemoça entendeu antes da maioria que a vitrine do imóvel de luxo mudou de endereço, saiu da revista impressa e foi parar na tela de 6 polegadas.
Do palco do SBT à Mansão Diamante, a história de Mônica Poplawski mostra que uma corretora de imóveis que sabe segurar a atenção de uma plateia vence em qualquer mercado.
Conta pra gente nos comentários: você já se pegou assistindo tour de mansão que nunca vai comprar, ou acha que imóvel de milhões se vende mesmo é no aperto de mão?
