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E se a nossa primeira conversa começou com uma risada? Cientistas descobrem que o riso dos macacos guarda semelhanças com o humano há 15 milhões de anos e investigam sua ligação com a origem da linguagem

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 25/06/2026 às 18:49 Atualizado em 25/06/2026 às 18:52
Dois chimpanzés em uma floresta tropical demonstram comportamento semelhante a uma risada durante interação, ilustrando estudo sobre o riso dos primatas e sua relação com a evolução da comunicação humana.
Chimpanzés aparecem em momento de interação vocal na floresta, representando a pesquisa científica que analisou como o ritmo do riso dos grandes primatas permaneceu semelhante ao humano por milhões de anos.
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Pesquisa com grandes primatas revela como o ritmo do riso permaneceu semelhante ao humano por milhões de anos e pode ajudar a entender a evolução da comunicação vocal

Cientistas analisaram diferentes espécies de primatas para investigar como o controle dos sons, a variação das risadas e a flexibilidade vocal evoluíram até chegar às características presentes nos humanos.

Riso de primatas mantém características semelhantes às humanas

Segundo um estudo publicado em 25 de junho na revista Communications Biology, o ritmo da risada de grandes primatas permanece semelhante ao humano há pelo menos 15 milhões de anos.

Além disso, a pesquisa indica que o riso passou por mudanças ao longo da evolução. Dessa forma, ele se tornou mais rápido e mais variável entre os hominídeos.

De acordo com os pesquisadores, essa transformação pode ter relação com o desenvolvimento da fala humana. Entretanto, ainda são necessárias novas análises para confirmar totalmente essa hipótese.

Pesquisa analisou diferentes espécies de grandes primatas

Para realizar o estudo, os cientistas avaliaram cinco grupos de grandes primatas existentes.

Foram observadas sequências de riso de:

  • Orangotangos (Pongo pygmaeus);
  • Gorilas (Gorilla gorilla);
  • Bonobos (Pan paniscus);
  • Chimpanzés (Pan troglodytes);
  • Humanos (Homo sapiens).

Ao todo, foram examinadas 140 sequências de risadas. Além disso, os pesquisadores mediram os intervalos entre cada emissão sonora.

Como resultado, foi identificado que o riso dos grandes primatas apresenta um padrão isócrono, ou seja, mantém intervalos regulares entre os sons.

Ritmo do riso pode revelar caminhos da evolução da fala

Ainda assim, os cientistas apontam que os principais grupos de hominídeos desenvolveram diferentes repertórios de vocalização.

Porém, o riso permaneceu conservado entre as espécies. Além disso, essa característica apareceu independentemente de idade ou gênero.

De acordo com os autores Chiara De Gregorio, Marina Davila Ross e Adriano R. Lameira, pesquisadores ligados à Universidade de Warwick, no Reino Unido, as diferenças no ritmo das risadas podem indicar mudanças no controle vocal.

Assim, o estudo sugere que a flexibilidade dos sons aumentou gradualmente durante a evolução dos grandes símios e dos humanos.

Humanos conseguem adaptar o ritmo da risada

Além disso, a pesquisa revelou uma diferença importante entre humanos e outros primatas.

Os seres humanos conseguem alterar a velocidade do riso conforme o contexto. Por exemplo, uma pessoa pode rir mais rapidamente durante cócegas do que durante uma brincadeira.

Por outro lado, outros primatas analisados não apresentam essa mesma capacidade de adaptação.

Consequentemente, os pesquisadores indicam que a variação temporal do riso pode transmitir informações sociais, emocionais e comportamentais.

Resultados ampliam estudos sobre a origem da comunicação humana

Portanto, a pesquisa amplia descobertas anteriores sobre vocalizações de primatas.

Anteriormente, estudos já haviam identificado padrões semelhantes em orangotangos. Agora, os novos dados incluem outros grandes primatas.

Dessa forma, os resultados reforçam a possibilidade de que o desenvolvimento do controle vocal humano tenha sido uma etapa importante para o surgimento da linguagem humana.

Contudo, segundo os pesquisadores, mais estudos com novas amostras ainda serão necessários para confirmar essa relação evolutiva.

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Caio Aviz

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