1. Início
  2. Construção
  3. Dubai está erguendo no deserto o maior aeroporto do mundo, uma estrutura de 35 bilhões de dólares com 400 portões e capacidade para 260 milhões de passageiros por ano, e planeja aposentar até 2035 o atual, hoje o mais movimentado do planeta em voos internacionais, para mudar tudo de lugar
Faça um comentário 5 min de leitura

Dubai está erguendo no deserto o maior aeroporto do mundo, uma estrutura de 35 bilhões de dólares com 400 portões e capacidade para 260 milhões de passageiros por ano, e planeja aposentar até 2035 o atual, hoje o mais movimentado do planeta em voos internacionais, para mudar tudo de lugar

Foto de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 28/05/2026 às 14:17 Atualizado em 28/05/2026 às 14:19
Vista aérea de um megaaeroporto no deserto, ilustração do conceito do maior aeroporto do mundo
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Dubai está erguendo no meio do deserto o maior aeroporto do mundo, uma estrutura de 35 bilhões de dólares com 400 portões e capacidade para 260 milhões de passageiros por ano, e o plano é tão radical que inclui aposentar até 2035 o aeroporto atual, hoje o mais movimentado do planeta em voos internacionais, para mudar tudo de lugar.

O nome do projeto é Al Maktoum International, parte do complexo Dubai World Central, a sudoeste da cidade. Os números são difíceis de processar: 400 portões, cinco pistas paralelas, capacidade para 260 milhões de passageiros por ano e um custo na casa dos 35 bilhões de dólares. Quando estiver pronto, será cerca de cinco vezes maior que o já enorme aeroporto internacional de Dubai que conhecemos hoje.

Cinco vezes o atual, o maior já planejado

Para ter ideia da escala, os maiores aeroportos do mundo hoje movimentam algo entre 80 e 110 milhões de passageiros por ano. O Al Maktoum nasce mirando mais que o dobro disso, num único complexo. Não é uma ampliação, é uma cidade-aeroporto levantada praticamente do zero na areia, projetada para ser o maior ponto de embarque e desembarque que a humanidade já construiu.

Vale o contraste com o resto do mundo. Aeroportos novos de grande porte costumam levar décadas entre o anúncio e a inauguração, atolados em licenças, desapropriações e brigas de orçamento. Dubai comprime esse calendário na base da decisão política rápida e do bolso fundo, transformando em obra o que, em muitos países, ainda seria um estudo de viabilidade engavetado.

Interior monumental de um grande aeroporto no Golfo Pérsico
Os aeroportos do Golfo viraram cartões de visita arquitetônicos das nações que os erguem. O Al Maktoum quer ser o maior e mais ambicioso de todos.

Dubai vai fechar o aeroporto mais movimentado do mundo

A parte mais ousada do plano nem é construir o novo, e sim abandonar o antigo. O atual aeroporto internacional de Dubai, líder mundial em tráfego de passageiros internacionais, deve ser desativado por volta de 2035, com todas as operações migrando para o Al Maktoum. Imagine fechar o aeroporto mais movimentado do planeta de propósito, porque ele simplesmente não tem mais para onde crescer, espremido dentro da malha urbana. É a aposta de que vale mais recomeçar grande do que remendar o que já estourou a capacidade.

Deserto nos arredores de Dubai, onde o novo aeroporto está sendo construído
É nesse tipo de planície desértica, a sudoeste de Dubai, que a cidade-aeroporto de 35 bilhões de dólares está tomando forma.

Por que um emirado pequeno aposta US$ 35 bilhões nisso

Os números do aeroporto atual ajudam a entender a aposta. O Dubai International move cerca de 90 milhões de passageiros por ano e lidera o tráfego internacional do mundo desde meados da década passada. É a casa da Emirates, a maior companhia aérea internacional do planeta, dona de uma frota enorme de gigantes A380. Junte a isso a posição no mapa, que coloca boa parte da humanidade a menos de oito horas de voo dali, e fica claro por que a cidade trata o aeroporto como infraestrutura de sobrevivência, não de luxo.

Dubai não tem petróleo de sobra como os vizinhos, e há décadas decidiu que seu futuro seria ser o entroncamento do mundo. A localização ajuda: dá para alcançar boa parte da Ásia, da Europa e da África em poucas horas de voo. Em cima disso a cidade montou uma economia de turismo, comércio e logística que depende diretamente de mover gente e carga pelo céu. O aeroporto, nesse modelo, não é despesa, é o motor. É a mesma lógica de prestígio e escala que se vê em outros megaprojetos bilionários do Golfo, como a arena Sphere que Abu Dhabi está erguendo.

Confesso que é difícil não admirar a ousadia, mesmo desconfiando do gigantismo. Enquanto muito país do mundo leva décadas brigando para reformar um terminal, Dubai decide construir o maior aeroporto da história e ainda jogar fora o que já tinha. É aposta de quem não quer chegar em segundo lugar.

Uma cidade-aeroporto em números

Só a primeira fase já assusta. O terminal oeste deve ter cerca de 800 mil metros quadrados distribuídos em sete níveis, com um sistema de bagagem capaz de processar dezenas de milhares de malas por hora e um trem interno com 14 estações para levar passageiros de um lado a outro do complexo, porque andar a pé seria inviável. As primeiras grandes etapas devem ficar prontas no começo da próxima década, e o conjunto inteiro vai sendo entregue por partes ao longo dos anos seguintes.

E o aeroporto não vem sozinho. Ao redor dele, Dubai projeta uma cidade inteira, com bairros residenciais, zonas logísticas e áreas comerciais pensados para crescer junto com as pistas, abrigando talvez mais de um milhão de pessoas. É o conceito de aerotrópole levado ao extremo: em vez de um aeroporto na beira da cidade, uma cidade construída em volta do aeroporto, com tudo orbitando os aviões.

É o tipo de obra que muda o mapa do transporte aéreo global e empurra a próxima fronteira da aviação, num momento em que até o combustível dos aviões está sendo reinventado para poluir menos. Fico imaginando a cena daqui a dez anos: o velho aeroporto silencioso e vazio, e toda aquela multidão de viajantes do mundo inteiro fluindo por um complexo que hoje ainda é, em boa parte, deserto.

Faz sentido demolir o aeroporto mais movimentado do mundo só para construir um ainda maior, ou é ambição grande demais para um deserto?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x