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Com aluguel passando de R$ 10 mil em Itajaí, casal trocou o apartamento por morar em veleiro e paga R$ 2,3 mil pela vaga molhada, ao lado de 10 famílias

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 23/06/2026 às 09:09 Atualizado em 23/06/2026 às 09:14
Morar em veleiro para fugir do aluguel: casal paga R$ 2,3 mil pela vaga molhada na Marina Itajaí e vive entre 10 famílias que decidiram morar em barco.
Morar em veleiro para fugir do aluguel: casal paga R$ 2,3 mil pela vaga molhada na Marina Itajaí e vive entre 10 famílias que decidiram morar em barco.
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Na cidade com um dos metros quadrados mais caros do Brasil, o engenheiro Vinicius Freitas e a arquiteta Luciana Tenorio decidiram morar em veleiro para fugir do aluguel. Pagam R$ 2,3 mil pela vaga molhada na Marina Itajaí e dividem o cais com outras famílias que escolheram morar em barco.

Enquanto o vizinho de bairro assina um contrato de aluguel que passa de R$ 10 mil por mês, Vinicius Freitas acorda balançando de leve sobre a água e paga R$ 2,3 mil pela vaga onde vive. Ele e a esposa, a arquiteta Luciana Tenorio, trocaram o apartamento por um veleiro de 32 pés chamado Nomad Wind, ancorado na Marina Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. A conta que fez esse casal largar o tijolo pelo casco é o mesmo tipo de matemática que muita gente nas cidades caras anda fazendo de cabeça hoje.

O caso ganhou as páginas da Exame em setembro de 2024, numa reportagem da repórter Júlia Storch que pôs lado a lado as duas formas de viver à beira-mar na mesma cidade. Vinicius, que é engenheiro e velejador, mora a bordo há sete anos, sendo os últimos quatro ao lado de Luciana. A decisão de morar em veleiro não nasceu de modismo nem de aventura passageira: foi a resposta de quem olhou para o preço do metro quadrado em Itajaí e concluiu que fugir do aluguel cabia melhor no bolso do que continuar pagando por ele. E o casal está longe de ser o único.

A conta que fez o casal largar o tijolo pelo casco

Morar em veleiro para fugir do aluguel: casal paga R$ 2,3 mil pela vaga molhada na Marina Itajaí e vive entre 10 famílias que decidiram morar em barco.
O que prende qualquer um nessa história é o dinheiro, e ele é simples de entender.

O casal paga R$ 2,3 mil por mês pela vaga molhada na Marina Itajaí, valor que já inclui internet, segurança e assistência 24 horas. Some a isso cerca de R$ 1 mil de manutenção mensal do veleiro de 32 pés, e o custo de viver sobre a água fica perto de R$ 3,3 mil por mês, com vista permanente para o canal.

Agora olhe para o outro lado da rua. Segundo a reportagem da Exame, um apartamento de um quarto na Beira-Rio, a região mais valorizada da cidade, sai em torno de R$ 5 mil de aluguel, fora o condomínio. E nos endereços mais cobiçados desse mesmo bairro os aluguéis ultrapassam os R$ 10 mil mensais. Fugir do aluguel, nesse cenário, deixou de ser discurso e virou planilha: morar em veleiro saiu literalmente pela metade do preço de um apê pequeno em terra firme.

Não é que o barco seja barato em si. É que o chão, em Itajaí, ficou caro demais. A vaga molhada funciona como uma espécie de condomínio aquático: você paga pelo espelho d’água onde o casco fica ancorado e pela estrutura ao redor, e leva a casa junto. Para quem já tem a embarcação, a diferença entre os dois mundos aparece todo dia 10, quando o boleto chega.

Quem são Vinicius e Luciana, o casal do Nomad Wind

Vinicius Freitas não chegou ao mar por acaso nem por causa do aluguel. “Eu entrei para o mundo da vela aos 14 anos, através de competições”, contou o engenheiro à Exame. A relação com a água vem da adolescência, e morar em veleiro foi o desdobramento natural de quem nunca quis ficar longe dela. São sete anos vivendo a bordo, uma rotina que para ele já é simplesmente a vida normal.

A virada recente da história tem o nome de Luciana Tenorio. Arquiteta, ela aceitou o desafio de trocar as paredes fixas pelo balanço do casco e vive com Vinicius no Nomad Wind há quatro anos. Não é pouca coisa um casal abrir mão de metros quadrados, de armário, de quintal, para caber numa embarcação de cerca de dez metros e ainda assim descrever a escolha como um ganho, não como sacrifício.

O olhar de arquiteta de Luciana, aliás, ajuda a entender por que o projeto funciona. Morar em barco com conforto é antes de tudo uma questão de aproveitar cada centímetro, e é justamente isso que a profissão dela treina. O veleiro deixou de ser só meio de transporte ou objeto de lazer e passou a ser endereço, com tudo o que um endereço precisa ter.

Como é morar em 32 pés sem abrir mão do básico

Pé é a medida que o mundo náutico usa para o comprimento do casco, e 32 pés equivalem a pouco menos de dez metros. Parece apertado, e é compacto mesmo, mas o Nomad Wind tem o essencial de uma casa de verdade. A bordo cabem um quarto com cama de casal, uma sala com sofá conversível, um banheiro com chuveiro e água aquecida, e uma cozinha equipada. Nada de improviso de acampamento: é moradia para o ano inteiro.

Aqui vale explicar um termo que aparece o tempo todo nessa vida e que muita gente nunca ouviu. Vaga molhada é o espaço na água, atracado ao píer, onde o barco fica enquanto serve de casa. Existe também a vaga seca, em que a embarcação fica fora d’água, em terra, geralmente para quem só navega de vez em quando. Quem mora a bordo precisa da vaga molhada, porque é ali que a casa flutua, ligada à energia, à água e à internet da marina.

O detalhe que mais surpreende quem imagina uma vida espartana é o conforto. A vaga molhada na Marina Itajaí entrega internet, segurança 24 horas e assistência sempre que algo precisa de reparo. O morador troca a metragem pela localização e pela vista, e ganha de quebra uma estrutura que muitos condomínios de apartamento não têm. Morar em veleiro, nesse arranjo, está mais perto de um estilo de vida escolhido do que de uma renúncia.

A comunidade flutuante que poucos sabem que existe

A parte mais inesperada da história talvez seja descobrir que Vinicius e Luciana têm vizinhos de cais. Cerca de 10 famílias moram a bordo de seus veleiros na Marina Itajaí atualmente, formando uma pequena comunidade que vive sobre a água no coração da cidade. Não são turistas de fim de semana: é gente que fez do barco endereço fixo, com a mesma rotina de quem mora em prédio.

Esse número já foi bem maior. De acordo com a Exame, durante a pandemia mais de 30 famílias chegaram a morar em barco na marina ao mesmo tempo, atraídas pela combinação de isolamento natural, espaço aberto e custo previsível. O movimento esfriou depois, mas deixou uma base de moradores que transformou a opção em algo permanente, não em fuga emergencial.

A infraestrutura ajuda a explicar por que dá certo. A Marina Itajaí opera desde 2016, tem 405 vagas entre secas e molhadas e oferece internet, estacionamento, lavanderia, vestiário, segurança 24 horas, restaurante e até heliponto, segundo a Revista USE. O complexo carrega certificações ambientais como a ISO 14.001 e o selo Bandeira Azul, e fica perto de supermercado, hospital, farmácia e comércio, o que torna o dia a dia tão prático quanto o de qualquer bairro.

“Este ambiente acolhedor e seguro faz da Marina Itajaí um lugar especial para quem deseja viver sobre as águas”, afirmou Carlos Gayoso de Oliveira, diretor da marina, à reportagem. A fala resume por que a vaga molhada virou disputada: não se trata de aventura, e sim de morar em barco com a mesma comodidade de quem fica em terra.

Por que Itajaí ficou cara demais para tanta gente

Para entender a corrida pela água, é preciso olhar o que aconteceu com o chão. Itajaí registrou valorização imobiliária de cerca de 90% nos últimos cinco anos, segundo os dados citados nas reportagens, e chegou a aparecer em terceiro lugar no país no ranking de valorização do metro quadrado. O município é o maior polo náutico do Brasil e atrai gente de outras regiões e de fora do país, o que pressiona ainda mais os preços.

O quadro não aliviou desde então, ao contrário. Em janeiro de 2026, o índice FipeZAP colocava Itajaí entre as quatro cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil, com média em torno de R$ 12,8 mil por metro quadrado, e os imóveis de um quarto, justamente os mais procurados, lideravam a valorização na cidade. Nos endereços de luxo, como Praia Brava, o metro quadrado já passa de R$ 30 mil. Quem quer fugir do aluguel encontra um mercado cada vez mais apertado.

É nesse encontro de contas que a escolha do casal deixa de parecer excêntrica. Quando o apartamento pequeno custa o dobro da vaga molhada, morar em veleiro vira decisão racional, não excentricidade. A água, num lugar onde o metro quadrado em terra dispara, virou o endereço mais barato com a melhor vista, e foi por aí que essa comunidade silenciosa se formou.

O outro lado de morar em barco, que o cais não mostra de cara

Antes que pareça paraíso, vale o contraponto honesto. Morar em barco cobra um preço que não está no boleto: espaço reduzido, manutenção constante e uma relação diária com o tempo e a maré que apartamento nenhum exige. O R$ 1 mil mensal de manutenção do veleiro não é detalhe, é parte do custo de vida, e tende a crescer conforme o casco envelhece.

Há ainda a curva de aprendizado. Não se mora a bordo sem saber o mínimo de navegação, de cuidados com a embarcação e de rotina de marina, e é aí que a bagagem de Vinicius como velejador desde os 14 anos faz diferença. Para quem nunca pôs o pé num veleiro, a romantização da vida sobre a água esconde um aprendizado técnico que leva tempo. A escolha funciona melhor para quem já tem alguma intimidade com o mar.

Mesmo assim, para um perfil específico de morador, a equação fecha. Quem topa abrir mão de metragem, encara a manutenção como custo fixo e valoriza estar no centro com vista para o canal encontra na vaga molhada uma saída concreta para fugir do aluguel. Não é para todo mundo, mas para o casal do Nomad Wind virou casa, e não experimento.

A história de Vinicius e Luciana mostra uma reviravolta que a crise dos aluguéis vem provocando sem alarde: na cidade mais cara para se viver à beira-mar em Santa Catarina, a opção mais inteligente para alguns deixou de ser o apartamento e passou a flutuar. Morar em veleiro, que soa como sonho distante, virou para cerca de 10 famílias uma conta que simplesmente fecha melhor do que a do tijolo. E enquanto o metro quadrado em terra sobe, a tendência é que mais gente faça essa mesma pergunta.

E você, encararia o balanço diário e o espaço apertado para cortar pela metade o custo de morar e fugir do aluguel, ou prefere a segurança do chão firme mesmo pagando bem mais caro? Conta aqui nos comentários se você toparia trocar o apartamento por uma vaga molhada em Itajaí.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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