Dois estudantes brasileiros da Faetec, em Niterói, criaram uma maca hospitalar que se ajusta só pela voz, sem manivelas nem telas. O projeto de controle de voz, pensado para dar autonomia a idosos e tetraplégicos, levou o prêmio de melhor projeto internacional em uma feira de ciência em Portugal.
Dois estudantes brasileiros transformaram a experiência de cuidar de uma avó doente em um projeto premiado no exterior. João Marcelo e Cauã Da Cal, do curso de Eletrônica da Faetec, em Niterói (RJ), criaram uma maca hospitalar que se ajusta apenas pela voz do paciente e levaram, no fim de maio, o prêmio de melhor projeto internacional em uma mostra de ciência em Portugal.
A maca usa tecnologia de controle de voz para que o próprio paciente ajuste a inclinação e a altura do leito, sem manivelas nem telas de toque. A proposta é dar mais autonomia a idosos, pessoas com mobilidade reduzida e até tetraplégicos, reduzindo a dependência de terceiros mesmo em hospitais com muitos leitos.
Como funciona a maca hospitalar por controle de voz
A grande sacada está na simplicidade do uso. A maca hospitalar, apelidada de maca 3.0, foi montada com a plataforma Arduino e módulos de reconhecimento vocal, parecidos com os de assistentes como a Alexa.
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Com isso, o paciente consegue erguer, abaixar ou inclinar o leito apenas falando, sem depender das manivelas ou das telas sensíveis ao toque das macas comerciais.
Esse recurso de controle de voz muda a rotina de quem tem dificuldade de movimento. Segundo a Faetec, a aplicação dessa tecnologia em uma maca hospitalar desse jeito ainda não existia, e o diferencial é justamente devolver autonomia ao paciente.
Em vez de chamar um cuidador ou enfermeiro para cada pequeno ajuste, a pessoa comanda o próprio leito, o que faz diferença especialmente para idosos, acamados e tetraplégicos.
A inspiração: a avó de João Marcelo
Por trás da tecnologia, há uma história de afeto. A ideia nasceu da vivência de João Marcelo, de 18 anos, um dos estudantes brasileiros por trás do projeto.
Ele queria encontrar uma forma de melhorar a rotina e a qualidade de vida da avó, que está acamada por causa de uma cardiopatia e enfrenta limitações de mobilidade.
Da vontade de ajudar a avó até o protótipo premiado, o caminho passou pela sala de aula.
Com a orientação do professor Altair Martins, os dois alunos dedicaram cerca de um ano a pesquisas, testes e visitas técnicas ao Hospital Universitário Antônio Pedro.
Foi nesse processo que a maca hospitalar por controle de voz ganhou forma e começou a chamar a atenção em feiras científicas.
O prêmio em Portugal e a trajetória de conquistas

O reconhecimento internacional veio no fim de maio. Os estudantes brasileiros conquistaram o prêmio de Melhor Projeto Internacional na Mostra de Ciência Nacional 2026, realizada na cidade do Porto, em Portugal, no sábado (30).
João Marcelo e Cauã foram os únicos representantes do Brasil na disputa, em um evento que contou com apoio da Câmara Municipal do Porto e da Fundação da Juventude.
A vitória em Portugal coroou uma sequência de bons resultados. Antes dela, a maca hospitalar por controle de voz já havia conquistado o 1º lugar na feira do CRT-RJ, vencido a Mostratec na categoria Engenharia Eletrônica, ficado em 2º lugar na FECTI e em 3º na Febrace, uma das principais feiras estudantis de ciência e engenharia do país.
O valor da educação técnica pública
Mais do que um troféu, a conquista joga luz sobre o papel da educação técnica pública. O projeto nasceu dentro da Faetec, na Escola Técnica Estadual Henrique Lage, e mostra como uma ideia de sala de aula pode alcançar relevância internacional quando une orientação, conhecimento técnico e sensibilidade social. O resultado também coloca Niterói no mapa da inovação estudantil.
Vale lembrar que a invenção ainda é um protótipo, e o caminho até virar um produto disponível em larga escala costuma envolver novos testes, refinamentos e validações.
Mesmo assim, o feito desses estudantes brasileiros já tem um valor enorme: provou que tecnologia de impacto pode sair da vontade de cuidar de alguém querido.
Para João Marcelo e Cauã, a maca hospitalar por controle de voz começou como um gesto de amor e terminou premiada em Portugal.
Ver dois jovens da escola técnica pública criarem uma maca por controle de voz e vencerem em Portugal mostra a força da educação e da criatividade brasileira.
Conte nos comentários o que você achou da invenção desses estudantes brasileiros e onde mais essa tecnologia de voz poderia ajudar pacientes.

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