Início Diesel está acima da paridade internacional em 3% na Bahia, que traz como consequência a abertura de espaço para importações

Diesel está acima da paridade internacional em 3% na Bahia, que traz como consequência a abertura de espaço para importações

15 de maio de 2022 às 20:59
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Foto: Reprodução Adobe Stock

Mercado da Bahia é exceção na defasagem do diesel devido a refinaria de grande porte

De acordo com a Associação Brasileiras dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço do diesel no Brasil segue defasado quando comparado ao mercado internacional, mesmo com o aumento de 8,9% anunciado no dia 9 de maio pela Petrobras. O mercado da Bahia é exceção, visto que na Bahia funciona a única refinaria privada de grande porte do Brasil, a Refinaria de Mataripe, controlada pela Acelen, braço do Mubadala, fundo de investimento árabe.

Segundo o Broadcast, o diesel está acima da paridade internacional em 3% na Bahia, o que abre espaço para importações. A Acelen aumentou o diesel na última semana para até R$ 5,63, com media de R$ 5,39 por litro, ou 9,7% acima do preço da Petrobras após o aumento do dia 9 de maio.

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Já nos outros portos do Brasil, que seguem os preços da Petrobras, a discrepância do diesel varia entre 10% e 11%, tornando inviável a importação por pequenos e médios produtores. Essa defasagem traz riscos de reduzir a oferta de diesel no Brasil, o que pode trazer como consequência novos aumentos ou até racionamento em alguns postos de abastecimento mais d do distantes entro de consumo. O Brasil compra cerca de 25% de todo diesel que consome.

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Já a gasolina está a mais de 2 meses sem reajuste, com defasagem de 12% no porto de Aratu na Bahia e de 18% a 19% nos outros portos do Brasil. Em média, a diferença entre o preço praticado dentro e fora do Brasil é de 18%, enquanto a do diesel é de 8%. Segundo a Abicom, para igualar os preços ao mercado internacional a Petrobras deveria aumentar o diesel em R$ 0,45 o litro e a gasolina em R$ 0,83 o litro.

Por que a Petrobras não pratica o Preço de Paridade de Importação (PPI) apenas para o petróleo exportado em vez de taxar todo a produção nacional?

A Política de Paridade Internacional (PPI) da Petrobras foi implementada em 2016, quando na época era presidida por Pedro Parente, na gestão do ex-presidente da República Michel Temer que assumiu o cargo após apoiar o impeachment de Dilma Rousseff. Na prática, o que se faz é dolarizar o preço do petróleo extraído, refinado e consumido aqui mesmo no Brasil, resultando no aumento dos preços dos combustíveis derivados ou não do petróleo sempre que o valor do produto aumenta lá fora.

Um especialista em óleo e gás da Petrobras, consultado pelo Portal CPG – Click Petróleo e Gás, lembra que tentativas de congelamento e subsídios, realizados por outras gestões, causaram prejuízos bilionário à estatal.

“Se fizer isso, há destruição da cadeia de valor (produtores de etanol, refinadores privados, formuladores de combustíveis, braskem, importados”, disse Gauto ao lembrar que a política de praticamente congelar o preço dos combustíveis em 2014 custou quase R$ 100 bilhões, prejudicando até o etanol na época, pois o percentual do álcool na gasolina comum é de 27% e, por isso, deve haver a regulação de mercado.

Privatização das refinarias de petróleo da Petrobras irão encarecer os combustíveis no Brasil, segundo projeções do TCU

Embora o projeto da Petrobras quanto à privatização de 8 refinarias de petróleo, anunciado em 2019, seja benéfico para a estatal, os combustíveis no Brasil poderão sofrer com um encarecimento a curto prazo. Essas projeções foram feitas no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), liberado durante essa última terça-feira, (10/05), que também aponta os principais problemas em torno desse processo de venda das estruturas para companhias privadas. Para saber mais, confira esta matéria na íntegra clicando aqui.

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