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Em Florianópolis, comunidade com pouco mais de 40 famílias vive sem ônibus nem carteiro, preserva engenhos, alambiques e roças centenárias e revela um lado rural da Ilha da Magia que muita gente nem imagina existir

Escrito por Carla Teles
Publicado em 13/06/2026 às 09:57
Atualizado em 13/06/2026 às 09:59
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Florianópolis revela Sertão do Ribeirão, comunidade tradicional com turismo de base comunitária perto do Ribeirão da Ilha.(Imagem: Adaptação)
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Em reportagem do Balanço Geral Florianópolis, da NDTV Record, o Sertão do Ribeirão aparece como uma Florianópolis rural, localizada entre Ribeirão da Ilha e Pântano do Sul, com pouco mais de 40 famílias, tradições agrícolas, engenhos, alambiques, gastronomia local e turismo de base comunitária em meio à natureza preservada viva.

Florianópolis costuma ser lembrada pelas praias, pelo turismo e pelo crescimento urbano, mas uma comunidade afastada do centro mostra outro lado da capital catarinense. Em reportagem do Balanço Geral Florianópolis, da NDTV Record, o Sertão do Ribeirão foi apresentado como um território rural onde pouco mais de 40 famílias mantêm tradições antigas.

A exibição da reportagem. aconteceu no dia 04 de junho de 2026. O local visitado fica entre o Ribeirão da Ilha e o Pântano do Sul, no Sul da Ilha, e aparece no quadro como uma Florianópolis diferente dentro da própria Florianópolis, com roças, engenhos, alambiques, gastronomia local e uma rotina marcada por outro tempo.

Sertão do Ribeirão fica entre o Ribeirão da Ilha e o Pântano do Sul

O Sertão do Ribeirão fica em uma área de natureza preservada entre dois pontos conhecidos do Sul da Ilha: o Ribeirão da Ilha e o Pântano do Sul. A reportagem mostra o acesso a partir do Ribeirão da Ilha, um dos bairros mais tradicionais de Florianópolis.

A localidade também é citada com outros nomes, como Sertão do Peri, Sertão dos Indaiás e Barreiros do Ribeirão. Segundo o professor e historiador Rodrigo, nativo do Ribeirão e profissional com mais de 20 anos de atuação, trata-se de uma comunidade centenária formada por descendentes de açorianos.

Roças antigas abasteciam mercados de Florianópolis

Florianópolis revela Sertão do Ribeirão, comunidade tradicional com turismo de base comunitária perto do Ribeirão da Ilha.
Imagem: Canal Balanço Geral Florianópolis

O historiador Rodrigo explica na reportagem que a vocação agrícola do Sertão do Ribeirão sempre teve peso na região. Mandioca, cana-de-açúcar, milho, amendoim, feijão, frutas, lenha, farinha e cachaça faziam parte da produção local.

Esses produtos eram vendidos para abastecer mercados de Florianópolis. O dado ajuda a entender que a comunidade não é apenas um cenário rural preservado, mas parte da própria formação econômica e cultural da cidade.

Comunidade quer reconhecimento como tradicional

A reportagem também ouviu Giana, ligada ao projeto Vivências do Sertão, iniciativa voltada ao turismo de base comunitária. O projeto busca receber visitantes com experiências ligadas à gastronomia, à natureza e às tradições da comunidade.

Segundo Giana, em 2014 os moradores organizaram uma associação que fortaleceu a luta para permanecer no território. Ela afirma que o grupo não quer ser tratado apenas como um bairro, mas como uma comunidade tradicional. Essa diferença é importante porque envolve identidade, permanência e reconhecimento cultural.

Gastronomia local mostra outro sabor da Ilha da Magia

No centro comunitário do Sertão do Ribeirão, a equipe da NDTV Record foi recebida com café da manhã preparado com produtos locais. A mesa tinha frutas, bolinho de chuva, cuscuz, polenta de milho, bolo de aipim e doce de goiaba.

Entre os destaques apareceu o bijajica, doce com amendoim que lembra o pé de moleque, além do suco da palmeira juçara, preparado com limão, laranja, bergamota, gengibre e melado. A reportagem descreve a bebida como uma espécie de “açaí do sertão”, por ter cor e sabor semelhantes ao açaí.

Engenhos e alambiques seguem vivos no território

A equipe também visitou a Casa Engenho e Alambique Indaiá, onde foi recebida por Adilson, nativo do Sertão do Ribeirão. Ele mostrou o processo de fabricação da cachaça e relatou a relação familiar com a atividade.

Segundo a reportagem, no local são produzidas cachaças de banana, abacaxi, pau-tenente e a chamada consertada, feita com cravo, canela e erva-doce. A produção chega a 3.000 litros por temporada e atravessa sete gerações da família. É uma tradição que permanece ativa dentro de Florianópolis, longe da imagem mais urbana e turística da capital.

Agrofloresta transformou antigo pasto em floresta comestível

Outro ponto visitado foi o Sítio Florbela, ligado a um projeto de agrofloresta conduzido pelo casal Eline e Sérgio. Segundo a reportagem, eles chegaram ao local em 2013, quando a área ainda era um grande pasto usado para gado.

Com o passar dos anos, milhares de árvores foram plantadas e mais de 160 espécies diferentes passaram a compor o espaço. O sítio virou uma floresta comestível e recebe grupos de estudantes para aprender sobre natureza, preservação, água, plantas, biodiversidade e cultura local.

Café de sombra e cantoria do divino reforçam a identidade local

No Sítio Florbela, a reportagem também encontrou o chamado café de sombra, cultivado em convivência com a floresta. A fala registrada no vídeo destaca que pequenas produções como essa foram ficando esquecidas diante do ritmo do mercado, mas ainda têm potencial no território.

A equipe também encontrou um grupo de cantoria do divino, tradição que percorre engenhos e alambiques da região. Essas manifestações mostram que a preservação do Sertão do Ribeirão não envolve apenas paisagem, mas também práticas culturais, religiosas, agrícolas e comunitárias.

Engenho de farinha mantém saberes antigos da roça

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O passeio terminou no Engenho de Farinha Casa Branca, do produtor Maurici, apresentado na reportagem como um autêntico manezinho da Ilha. Ele mostrou detalhes da produção de farinha e explicou diferenças locais entre aipim, mandioca e macaxeira.

Maurici também colheu batata-doce e outras raízes durante a visita. A cena reforça a presença da agricultura de subsistência no território, em contraste com a Florianópolis metropolitana citada na reportagem. Ali, a vida rural segue funcionando dentro da capital.

Sem ônibus nem carteiro, comunidade mantém outro ritmo

Um dos trechos mais marcantes da reportagem informa que no Sertão do Ribeirão não passa ônibus nem carteiro. Também é citado que algumas casas ainda mantêm iluminação com lampião, sinal de uma rotina muito diferente daquela associada às áreas mais urbanizadas de Florianópolis.

Essa ausência de serviços reforça o isolamento, mas também ajuda a explicar por que o lugar preservou tantas práticas tradicionais. A comunidade aparece como um território onde história, agricultura e natureza seguem presentes, mesmo dentro de uma cidade conhecida nacionalmente por praias, turismo e expansão urbana.

Uma Florianópolis rural que muita gente não conhece

O Sertão do Ribeirão revela uma Florianópolis pouco vista por quem associa a cidade apenas à praia, trânsito, prédios e temporada de verão. A reportagem mostra uma comunidade pequena, com pouco mais de 40 famílias, que ainda preserva engenhos, alambiques, roças, gastronomia e formas próprias de convivência.

A história também levanta uma discussão sobre futuro. Como preservar comunidades tradicionais dentro de uma capital em crescimento sem transformar tudo em atração turística ou apagar a vida de quem mora ali? Você já conhecia esse lado rural de Florianópolis? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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