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Depois de perderem tudo em terremoto e tsunami na Indonésia, sobreviventes ajudaram a escolher o terreno, desenharam o novo assentamento e construíram 38 casas resistentes para recomeçar perto do mar

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 10/06/2026 às 20:45
Atualizado em 10/06/2026 às 20:51
Sobreviventes ajudaram a escolher o terreno, desenharam o novo assentamento e construíram 38 casas resistentes para recomeçar
Sobreviventes ajudaram a escolher o terreno, desenharam o novo assentamento e construíram 38 casas resistentes para recomeçar
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Famílias atingidas pelo terremoto e tsunami de 2018 participaram da reconstrução comunitária na Indonésia, escolheram uma área segura, ajudaram no desenho do assentamento e ergueram 38 casas resistentes a terremotos sem romper o vínculo com a pesca e com a renda perto do mar

Depois de perderem tudo em um terremoto e tsunami na Indonésia, sobreviventes ajudaram a escolher o terreno, desenharam o novo assentamento e construíram 38 casas resistentes a terremotos para recomeçar perto do mar.

As informações foram publicadas por World Habitat, organização responsável pelo World Habitat Awards. O projeto ocorreu após o desastre de setembro de 2018, que atingiu a baía de Palu, na ilha de Sulawesi, e deixou famílias sem moradia.

A reconstrução chamou atenção porque não tratou os moradores apenas como beneficiários. A comunidade de Mamboro Perikanan Village participou das decisões sobre onde viver, como construir e como manter o trabalho ligado à pesca.

Como a comunidade escolheu o terreno sem ficar longe do trabalho no mar

Após o desastre e terremoto, havia uma proposta de realocação para comunidades costeiras em área de maior risco. O novo local previsto ficava 5km para o interior.

Famílias atingidas pelo terremoto e tsunami de 2018 participaram da reconstrução comunitária na Indonésia
Famílias atingidas pelo terremoto e tsunami de 2018 participaram da reconstrução comunitária na Indonésia

Para quem vivia da pesca, da secagem e da venda de peixe, essa distância poderia virar um problema diário. A casa poderia ficar mais segura, mas o acesso ao sustento ficaria mais difícil.

Com apoio da organização não governamental Arkom Indonesia, os moradores escolheram outra área dentro de uma zona segura. A proposta foi aceita pelo governo local e permitiu que a reconstrução mantivesse a comunidade mais próxima da rotina ligada ao mar.

Essa decisão mostrou que reconstruir depois de um desastre não envolve apenas levantar paredes. Também envolve proteger renda, vizinhança, memória e o modo de vida de famílias que dependem do território.

O que torna as 38 casas mais resistentes a terremotos

As 38 casas resistentes a terremotos foram criadas para oferecer mais segurança às famílias em uma região sujeita a abalos. Isso significa uma construção pensada para reduzir riscos quando o chão treme.

Uma casa resistente não é uma casa indestrutível. Ela é feita para proteger melhor as pessoas, diminuir danos e evitar colapsos mais graves durante novos tremores.

As 38 casas resistentes a terremotos foram criadas para oferecer mais segurança às famílias em uma região sujeita a abalos.
As 38 casas resistentes a terremotos foram criadas para oferecer mais segurança às famílias em uma região sujeita a abalos.

As moradias foram concluídas em dezembro de 2020. Depois disso, tinham resistido a choques abaixo de 5 na escala Richter, medida usada para indicar a força de terremotos.

Esse dado ajuda a entender o objetivo central do projeto. A reconstrução não tentou apenas devolver um teto às famílias, mas criar moradias com mais preparo para enfrentar riscos naturais.

Por que participar da obra mudou o recomeço dos sobreviventes

A reconstrução teve participação direta de homens, mulheres e crianças. A comunidade entrou no processo desde a busca pelo terreno até etapas ligadas ao desenho e à construção do assentamento.

Esse tipo de participação muda o sentido da casa. A moradia deixa de ser apenas uma entrega externa e passa a ser parte de uma decisão coletiva, feita por quem realmente conhece o lugar.

Emilia, moradora atingida pelo desastre e terremoto, resumiu o sentimento da comunidade ao dizer que eles já eram independentes, tinham chegado até aquele ponto e precisavam seguir em frente, sem voltar atrás.

A fala mostra que o recomeço não foi tratado apenas como abrigo. Para muitas famílias, participar da obra também significou recuperar autonomia depois de uma perda profunda.

O custo do projeto e o fundo criado para manter a comunidade

O custo total do projeto foi de aproximadamente IDR 8.4 billion ($586,516 USD), financiado por doações e subsídios. O valor sustentou a construção das casas e a formação do novo assentamento.

A reconstrução teve participação direta de homens, mulheres e crianças.
A reconstrução teve participação direta de homens, mulheres e crianças.

World Habitat, organização responsável pelo World Habitat Awards, também registrou a criação de um fundo comunitário. Cada família faz pagamentos mensais para esse fundo, usado em necessidades de educação, economia e habitação no longo prazo.

Esse fundo mostra que a reconstrução não terminou com a entrega das moradias. A comunidade criou uma forma de manter apoio coletivo para demandas futuras.

Na prática, o projeto uniu casa, segurança e organização comunitária. Esse conjunto fortaleceu a vida das famílias depois do desastre.

O que reconstruções brasileiras podem aprender com a experiência da Indonésia

A experiência da Indonésia deixa uma lição importante para qualquer país que enfrenta enchentes, deslizamentos ou outros desastres. Uma casa nova pode resolver a falta de abrigo, mas também precisa considerar trabalho, transporte, escola e laços comunitários.

No caso de Mamboro Perikanan Village, afastar moradores 5km do mar poderia quebrar a rotina econômica de famílias que dependiam da pesca. Por isso, a escolha do terreno virou uma parte central da reconstrução.

Para o Brasil, o exemplo mostra que ouvir moradores não é detalhe. Quem vive no território sabe quais caminhos usa, onde trabalha, como circula e quais mudanças podem afetar a vida de forma imediata.

A reconstrução comunitária na Indonésia também reforça que segurança e participação podem andar juntas. O projeto não ignorou o risco, mas encontrou uma solução com mais diálogo entre necessidade de proteção e vida real das famílias.

Uma mudança de política ampliou o peso da participação dos moradores

O resultado do projeto levou a uma mudança na política oficial. Essa alteração poderia dar a milhares de pessoas mais espaço para decidir como e onde reconstruir a vida depois de um desastre.

Esse ponto é importante porque realocar famílias sem escuta pode resolver um problema e criar outro. Uma casa longe da renda, da escola ou da rede de apoio pode aumentar a dificuldade de recomeçar.

No caso da comunidade atingida na Indonésia, a solução veio de uma escolha mais cuidadosa. O assentamento precisava ser mais seguro, mas também precisava manter os moradores conectados ao mar.

A história das 38 casas resistentes a terremotos mostra que reconstrução não é só obra. É também decisão, pertencimento e chance de recomeçar sem apagar a vida que existia antes do desastre.

Após o terremoto e o tsunami de 2018, a comunidade de Mamboro Perikanan Village mostrou que moradores atingidos podem participar das decisões mais importantes da própria reconstrução. O projeto terminou com casas mais seguras, assentamento escolhido coletivamente e famílias ainda ligadas à renda perto do mar.

Você acha que reconstruções após desastres no Brasil deveriam priorizar casas prontas em qualquer lugar ou ouvir mais os moradores antes de decidir onde a vida vai recomeçar?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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