Ao comentar a construção de centenas de milhares de metros quadrados de lojas e a abertura acelerada de megastores pelo país, o dono da Havan afirmou que o maior problema enfrentado pela empresa não é mercado ou concorrência, mas sim licenças e autorizações
O dono da Havan afirmou que o maior obstáculo para expandir uma rede de varejo no Brasil não está no mercado, na concorrência ou na falta de consumidores. Segundo ele, o principal desafio é lidar com processos burocráticos que podem atrasar projetos por anos.
De acordo com o dono da Havan, um dos casos mais emblemáticos ocorreu quando um projeto de loja levou 22 anos para receber autorização de construção, revelando o peso que a burocracia pode ter no ritmo de crescimento empresarial no país.
O ritmo de expansão que transformou a rede

Ao longo das últimas décadas, o dono da Havan liderou uma expansão acelerada da rede varejista pelo Brasil.
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Segundo ele, foram 180 lojas abertas em cerca de 18 anos, um ritmo que significa aproximadamente dez novas unidades por ano.
Em alguns períodos, o crescimento foi ainda mais intenso.
Houve anos em que a empresa construiu 25 megastores em um único período, totalizando cerca de 360 mil metros quadrados de construção em apenas um ano.
Esse volume equivale a algo próximo de mil metros quadrados construídos por dia.
O ritmo industrial da expansão exige logística complexa, contratação de equipes e planejamento constante.
Ainda assim, o empresário afirma que esses desafios operacionais não são os maiores obstáculos.
O maior inimigo do crescimento segundo o dono da Havan
Para o dono da Havan, o verdadeiro entrave para abrir novas lojas está nos processos administrativos.
Segundo ele, a parte mais difícil não é construir uma loja.
Em muitos casos, uma unidade de grande porte pode ser erguida em 60 a 90 dias após o início das obras.
O problema surge antes mesmo da construção começar.
O maior desafio está na obtenção de licenças, alvarás e autorizações municipais.
O empresário relatou que algumas cidades podem levar meses apenas para analisar um projeto inicial.
Em casos extremos, a sequência de exigências e documentos pode prolongar processos por anos.
O impacto da burocracia nos projetos
Segundo o dono da Havan, o processo burocrático costuma envolver uma sequência extensa de exigências.
Documentos são solicitados, analisados e muitas vezes precisam ser atualizados antes da aprovação final.
Isso cria um ciclo que pode reiniciar várias vezes.
Quando todos os documentos finalmente são entregues, alguns já perderam validade e precisam ser apresentados novamente.
Esse mecanismo, segundo ele, acaba atrasando investimentos e aumentando custos para empresas que desejam expandir operações.
O empresário também afirmou que esse tipo de dificuldade não é exclusivo do Brasil.
Durante viagens ao exterior, ele ouviu relatos de brasileiros vivendo na Europa que enfrentam processos ainda mais complexos para construir imóveis.
Como o dono da Havan escolhe novas cidades
Apesar das dificuldades administrativas, o dono da Havan continua expandindo a rede pelo país.
Segundo ele, não existe uma fórmula matemática exata para decidir onde abrir novas lojas.
A estratégia envolve análise de terrenos, visibilidade e acesso.
As unidades geralmente são instaladas em terrenos grandes, que podem chegar a 20 mil, 30 mil ou até 40 mil metros quadrados.
Outro fator considerado é a localização.
O empresário afirma que prefere áreas elevadas das cidades, que oferecem maior visibilidade e menor risco de enchentes.
A rede também aposta em cidades de diferentes tamanhos.
Hoje existem unidades da empresa em municípios com 20 mil, 30 mil ou 50 mil habitantes, além de centros urbanos maiores.
Logística e operação nacional
Com a expansão da rede, o dono da Havan também investiu em infraestrutura logística.
Um dos principais centros de distribuição da empresa fica em Santa Catarina.
Segundo ele, a estrutura deve alcançar cerca de 250 mil metros quadrados de área, com sistemas automatizados de movimentação de mercadorias.
A partir desse ponto, produtos são enviados para lojas espalhadas por todo o Brasil.
Mesmo cidades muito distantes, como Manaus, fazem parte da rede de abastecimento.
Em alguns casos, a entrega pode levar até 30 dias devido às limitações da infraestrutura de transporte nacional.
A trajetória de crescimento relatada pelo dono da Havan mostra como grandes redes de varejo podem enfrentar desafios que vão além do mercado consumidor.
Mesmo com capacidade de construir lojas rapidamente e expandir operações em várias regiões do país, projetos podem ser atrasados por longos processos administrativos.
Para o empresário, reduzir entraves burocráticos seria uma das formas mais eficazes de acelerar investimentos e desenvolvimento econômico.
Mas o debate sobre burocracia no Brasil continua dividido.
Alguns defendem que regulações são necessárias para garantir segurança e planejamento urbano.
Outros acreditam que o excesso de exigências pode travar investimentos.


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