De vendedora a CEO, Kristina Bouweiri transformou uma pequena empresa familiar em uma das maiores redes de limousines dos Estados Unidos
Kristina Bouweiri não planejava entrar no setor de limousines. Seu desejo era seguir a carreira diplomática, como o pai. Nascida no Japão, ela passou 20 anos morando fora dos Estados Unidos por causa do trabalho do pai.
Estudou relações internacionais e chegou a trabalhar em projetos voltados para o empoderamento feminino na Somália. Quando voltou aos EUA, conseguiu emprego como vendedora.
Uma ligação que mudou tudo
Durante o trabalho como vendedora, ela ligou para William Bouweiri, dono de uma pequena empresa de limousines na Virgínia. Eles começaram a namorar e, quatro meses depois, Kristina se juntou ao negócio. Em um ano, o casal se casou.
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Na época, a empresa tinha apenas cinco veículos e uma receita de US$ 200 mil por ano. O foco era o público corporativo. Kristina, no entanto, viu oportunidades em outras áreas. Passou a oferecer serviços para casamentos e bailes de formatura.
Em pouco tempo, a empresa já atendia 100 casamentos por fim de semana. Com isso, a receita disparou. Na década de 1990, o faturamento chegou a US$ 5 milhões, com uma frota de 240 veículos. Novos contratos com o governo e empresas como a AOL ajudaram na expansão.
A empreendedora realizou uma reviravolta na gestão e, mais de 30 anos depois, o negócio alcançou receita anual de quase US$ 33 milhões (R$ 183 milhões) e passou a contar com uma frota que também inclui vans e ônibus.
Desafios pessoais e profissionais
Kristina enfrentou uma longa luta contra a infertilidade, que durou cinco anos. Durante esse tempo, ela se dedicou totalmente ao crescimento da empresa, trabalhando até 16 horas por dia.
Quando seus gêmeos nasceram, já havia estruturado a empresa para funcionar mesmo durante sua licença-maternidade. O marido cuidava das crianças enquanto ela seguia na liderança dos negócios.
Crise após o 11 de setembro
O atentado de 11 de setembro de 2001 afetou diretamente o setor de transporte. Viagens foram canceladas, contratos suspensos e eventos corporativos interrompidos. O maior golpe veio quando o banco da empresa decidiu cortar o financiamento.
Alegaram que os veículos da Reston Limousine em Washington D.C. poderiam ser alvos de ataques terroristas. A empresa levou seis meses para conseguir outro banco e cinco anos para voltar a ser lucrativa.
Durante esse período, Kristina assumiu o cargo de CEO. Com o tempo, ela se divorciou e comprou a parte do ex-marido no negócio. A partir daí, passou a comandar sozinha a empresa que ajudou a transformar.
Impactos da pandemia na empresa
A pandemia de covid-19 foi o maior desafio da história da empresa. A demanda despencou e foi preciso demitir 300 dos 450 funcionários. A empresa precisou recorrer a um empréstimo do governo para continuar operando.
Com tempo livre durante a inatividade, Kristina fez ajustes importantes. Contratou consultores, cortou gastos, eliminou softwares desnecessários e reorganizou as operações. O resultado foi uma empresa mais eficiente e preparada para o período pós-pandemia.
Superando barreiras no setor
Kristina também enfrentou resistência por ser mulher em um setor dominado por homens. Participou de reuniões em que era ignorada, mesmo sendo a CEO.
Apesar disso, seguiu firme na liderança, certa de seu valor. Ao longo dos anos, pagou a faculdade de três filhos e viu um deles se tornar diretor de vendas da empresa.
Em abril deste ano, Kristina Bouweiri vendeu a Reston Limousine. Mesmo com a venda, continuará por mais três anos para apoiar a transição.
Ela diz ter orgulho do caminho percorrido: pagou o empréstimo para comprar a parte do ex-marido e construiu uma das maiores empresas de limousines dos Estados Unidos.
Com informações de PEGN.

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