Relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos reúne estimativas da inteligência americana sobre a expansão dos arsenais de China e Rússia até 2035, mas alerta que previsões militares de longo prazo carregam incertezas, como demonstram avaliações anteriores que não se concretizaram dentro dos prazos inicialmente projetados.
Os mísseis hipersônicos da China poderão saltar dos atuais 600 para cerca de 4.000 até 2035, segundo estimativas da inteligência americana reunidas pelo IISS. A Rússia, que possui entre 200 e 300 unidades, deverá alcançar aproximadamente 1.000, projeção que já influencia o planejamento militar dos Estados Unidos.
Mísseis hipersônicos da China podem chegar a 4.000
A China e a Rússia devem ampliar significativamente suas forças hipersônicas nos próximos nove anos, de acordo com um novo relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o IISS.
A análise, baseada em estimativas da inteligência americana, calcula que os mísseis hipersônicos da China poderão passar dos atuais 600 para aproximadamente 4.000 até 2035. Entre os sistemas previstos está o DF-27.
-
Um inglês irritado com o aspirador que perdia sucção gastou cinco anos e a renda da esposa em 5.127 protótipos até criar em 1993 o primeiro aspirador sem saco do mundo, uma fortuna bilionária nascida de 5.126 fracassos seguidos
-
Cientistas usam um experimento de mais de 200 anos, apontam um laser para um pequeno disco e conseguem criar quatro tipos de estruturas de luz ao mesmo tempo
-
JBL lança Tuner 3 no Brasil com som Pro Sound de 7W RMS, Bluetooth 5.3, bateria de até 15 horas e proteção IP68 contra água e poeira por preço baixo
-
NASA procura estado da matéria previsto por Einstein em laboratório do tamanho de um minifrigorífico na Estação Espacial
A Rússia, por sua vez, possui atualmente entre 200 e 300 armas dessa categoria. Seu arsenal inclui os sistemas 3M22 Zircon, Kh-47M2 Kinzhal e Avangard.
Até 2035, a inteligência dos Estados Unidos projeta que o estoque russo alcançará cerca de 1.000 mísseis hipersônicos. A estimativa representa um crescimento expressivo em relação aos números atuais.
O relatório mostra que essas projeções não se limitam à contagem de armamentos. Elas já estão afetando decisões militares americanas sobre defesa antimíssil e aquisição de milhares de armas de ataque de longo alcance.
Estoques de mísseis ar-ar também devem crescer
A inteligência americana avalia as ameaças de mísseis em diferentes categorias. Uma delas reúne os mísseis ar-ar de longo alcance, utilizados para atingir alvos aéreos a grandes distâncias.
As estimativas atuais indicam que a Rússia dispõe de 300 a 600 mísseis desse tipo, provavelmente incluindo os modelos R-33 e R-37M. Até 2035, o estoque russo poderá atingir aproximadamente 1.000 unidades.
A China teria atualmente cerca de 1.000 mísseis ar-ar de longo alcance. O relatório prevê que esse número poderá chegar a 5.000 até 2035, cinco vezes o volume estimado hoje.
Além dos mísseis hipersônicos da China e das armas ar-ar, o IISS apresenta projeções para diferentes sistemas chineses, incluindo mísseis balísticos intercontinentais, armas lançadas por submarinos e mísseis de cruzeiro.
China pode ampliar diferentes categorias de armamentos
A inteligência americana acredita que a China possui atualmente cerca de 400 mísseis balísticos intercontinentais terrestres, conhecidos pela sigla ICBMs. Esse estoque poderá alcançar aproximadamente 700 unidades até 2035.
O número de mísseis balísticos chineses lançados por submarinos também deverá crescer. A projeção indica uma elevação das atuais 72 unidades para 132 no mesmo período.
Outro aumento relevante envolve os mísseis de cruzeiro lançados do ar e do mar. A China possui aproximadamente 1.000 dessas armas atualmente, quantidade que poderá alcançar cerca de 5.000 até 2035.
Esses mísseis provavelmente serão operados por navios de guerra de superfície, submarinos e bombardeiros estratégicos H-6. As projeções apontam, portanto, uma expansão distribuída entre diferentes plataformas militares chinesas.
Projeções militares de longo prazo carregam incertezas
O próprio IISS alerta que avaliações anteriores da inteligência americana nem sempre se confirmaram. Segundo o relatório, essas análises frequentemente se concentraram em cenários catastróficos.
Os analistas citam a Comissão Rumsfeld de 1998. Na época, o grupo previu que Irã e Coreia do Norte poderiam desenvolver mísseis balísticos intercontinentais dentro de cinco anos, cenário que não se concretizou.
O exemplo demonstra a incerteza presente nas previsões militares de longo prazo. Mesmo assim, governos utilizam essas estimativas para definir prioridades, organizar o planejamento de defesa e decidir quais sistemas devem ser produzidos ou adquiridos.
Estados Unidos aceleram produção e novas compras
Apesar das incertezas, as projeções sobre os mísseis hipersônicos da China e outras ameaças já influenciam os gastos militares americanos. Em fevereiro de 2026, o Pentágono firmou um acordo com a RTX.
O objetivo é ampliar a produção dos interceptores SM-3 Block IIA e SM-3 Block IB, utilizados no sistema americano de defesa antimíssil.
O Departamento de Defesa também planeja comprar até 10.000 mísseis de cruzeiro lançados do solo e 4.300 mísseis de cruzeiro lançados do ar nos próximos anos.
Os planos incluem ainda a aquisição de até 12.000 mísseis hipersônicos Blackbeard de baixo custo. Essas iniciativas mostram como estimativas para 2035 já estão orientando decisões atuais de produção, defesa e aquisição dos Estados Unidos.
