Contrato assinado em 9 de julho pelo BAAINBw encarrega MBDA Deutschland e Rheinmetall Waffe Munition de desenvolver o sistema operacional previsto para 2029, aproveitando resultados de uma campanha de testes que avaliou rastreamento, engajamento e integração contra diferentes ameaças em condições realistas.
A Alemanha contratou, em 9 de julho, o desenvolvimento de uma arma a laser naval prevista para entrar em serviço até 2029. Criado pela MBDA Deutschland e pela Rheinmetall Waffe Munition, o sistema pretende ampliar a proteção de navios contra drones e outros alvos aéreos, marítimos e terrestres.
Contrato transforma testes em sistema pronto para combate
De acordo com o rheinmetall, o Escritório Federal de Equipamentos, Tecnologia da Informação e Suporte em Serviço da Bundeswehr (BAAINBw) assinou o contrato com o Grupo de Trabalho de Demonstração Naval de Laser de Alta Energia (ARGE HEL).
O ARGE HEL é formado pela MBDA Deutschland e pela Rheinmetall Waffe Munition. As duas empresas também estão criando uma joint venture dedicada à supervisão do programa.
-
Uma americana enriqueceu com máquinas de fabricar barris, mas foi o seu bote salva-vidas dobrável, patenteado em 1882 e usado anos depois em navios, inclusive no Titanic, que a colocou entre as inventoras mais lucrativas do século 19, com 15 patentes
-
China surge com foguete de 16 toneladas que pousa de ré, retorna apenas 6 minutos após a separação e é capturado por 4 ganchos em uma rede no mar, desafiando a tecnologia da SpaceX de Elon Musk.
-
China leva detector de uma tonelada a 2.400 metros sob uma montanha, usa partículas cósmicas para “radiografar” 3 km de rocha e transforma laboratório subterrâneo de 300 mil m³ em um scanner gigante do planeta
-
Enquanto a medicina ainda não consegue transplantar um olho capaz de enxergar, cientistas criam uma “máquina-coração” que faz líquido circular pelos vasos e mantém um globo ocular humano vivo por horas fora do corpo em projeto de US$ 5,3 milhões
O acordo marca a passagem de anos de demonstrações tecnológicas para o desenvolvimento de um sistema operacional pronto para combate. Segundo a Rheinmetall, a arma a laser naval deverá entrar em serviço até 2029.
A tecnologia foi projetada para reforçar a defesa da Marinha Alemã, especialmente diante da expansão do uso de drones e de ataques realizados por grupos de sistemas aéreos não tripulados.
Roman Koehne, chefe da Divisão de Armas e Munições da Rheinmetall, afirmou que o projeto demonstra o nível de maturidade tecnológica alcançado quando Rheinmetall e MBDA combinam suas capacidades complementares em um sistema completo.
Segundo Koehne, a arma aumentará significativamente a proteção dos soldados destacados em navios de guerra, principalmente contra drones. Ele também informou que a produção em série será realizada, em grande parte, na Alemanha.
Arma a laser naval passou um ano em testes
O programa utiliza como base o demonstrador de Laser de Alta Energia (HEL), submetido a uma extensa campanha de testes durante um ano a bordo de uma fragata da Marinha Alemã.
Nas avaliações operacionais, o demonstrador comprovou sua eficácia contra diferentes ameaças. A relação de alvos testados incluiu objetos aéreos, marítimos e terrestres em condições consideradas realistas de operação.
Os resultados validaram as capacidades de rastreamento, engajamento e integração da tecnologia. Essa etapa forneceu às autoridades de defesa alemãs a confiança necessária para autorizar a próxima fase do desenvolvimento.
Thomas Gottschild, Diretor Geral da MBDA Deutschland GmbH e Vice-Presidente Executivo de Estratégia e Crescimento Futuro da MBDA, classificou o sistema como um projeto tecnológico emblemático e altamente sofisticado.
De acordo com Gottschild, a tecnologia atende aos requisitos específicos da Bundeswehr e deverá fortalecer consideravelmente a defesa da Marinha Alemã contra ameaças provenientes do ar, do mar e da terra.
O executivo acrescentou que o efetor a laser instalado em contêiner também poderá ser economicamente viável para a segurança de portos e outras aplicações.
Tecnologia oferece disparos enquanto houver energia elétrica
As armas a laser são consideradas um componente relevante para a futura defesa aérea naval porque podem atingir drones, mísseis e outras ameaças emergentes na velocidade da luz.
Diferentemente dos interceptores convencionais baseados em mísseis, esses sistemas possuem um carregador praticamente ilimitado, desde que o navio tenha energia elétrica suficiente disponível para manter seu funcionamento.
Outra vantagem apresentada no material é a redução significativa do custo por disparo. A combinação dessas características permite que a tecnologia complemente os sistemas tradicionais de defesa formados por mísseis e canhões.
Essa possibilidade ganha importância para marinhas que precisam responder ao crescimento de ameaças representadas por aeronaves não tripuladas e ataques em enxame.
Produção deverá ocorrer principalmente na Alemanha
A Rheinmetall informou que a maior parte da produção em série será realizada na Alemanha. A medida deverá fortalecer a base industrial de defesa do país e preservar sua soberania tecnológica em uma área considerada estratégica.
A cooperação reúne a experiência da MBDA em sistemas de armas guiadas e as competências da Rheinmetall em sensores, controle de tiro e tecnologias de laser de alta energia.
Além da fabricação, o programa deverá criar novas oportunidades de treinamento e emprego no país. Para as empresas, o desenvolvimento poderá colocar a Alemanha entre as principais nações envolvidas na produção de armas navais a laser operacionais.
