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Correios em estado de greve: R$ 6 bilhões em prejuízo, corte de 10 mil funcionários e paralisação nacional expõem drama da estatal

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 05/12/2025 às 10:41 Atualizado em 05/12/2025 às 10:44
Assista o vídeoGreve dos Correios ganha força em meio a prejuízo bilionário, cortes de pessoal e crise que pressiona governo e ameaça o serviço postal nacional.
Greve dos Correios ganha força em meio a prejuízo bilionário, cortes de pessoal e crise que pressiona governo e ameaça o serviço postal nacional.
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Mobilização dos trabalhadores ganha força em meio a forte crise financeira dos Correios, paralisação nacional é indicada e pressão sobre governo aumenta.

Os trabalhadores dos Correios em São Paulo aprovaram estado de greve e indicativo de paralisação para 16 de dezembro, em um momento em que a estatal acumula cerca de R$ 6,1 bilhões em prejuízo entre janeiro e setembro e discute um amplo plano de reestruturação com corte de até 10 mil funcionários e fechamento de agências.

A mobilização paulista integra uma articulação nacional, com caravana a Brasília e ato unificado em defesa de direitos trabalhistas e da continuidade do serviço postal.

Greve dos Correios em São Paulo

A assembleia que definiu o estado de greve foi convocada pelo SINTECT-SP, sindicato que representa os trabalhadores dos Correios na capital, na Grande São Paulo e na região de Sorocaba.

O encontro reuniu grande número de empregados, que debateram o impasse nas negociações e aprovaram o indicativo de paralisação a partir de 16 de dezembro, à noite.

O sindicato relata que a decisão ocorre em meio a discussões travadas sobre direitos, condições de trabalho e impactos das medidas de reestruturação planejadas pela empresa.

Segundo a entidade, a categoria avalia que as propostas em discussão não preservam garantias trabalhistas consideradas essenciais, nem trazem segurança sobre o futuro dos postos de trabalho nas unidades que podem ser fechadas.

Além da paralisação em São Paulo, a categoria confirmou participação em uma caravana para Brasília no dia 9 de dezembro e em um ato unificado nacional no dia 10, organizado por federações e sindicatos de trabalhadores dos Correios de vários estados.

A expectativa é ampliar a pressão sobre o governo federal e sobre a direção da estatal em torno da negociação do acordo coletivo e da busca de soluções para a crise financeira da empresa.

Greve dos Correios ganha força em meio a prejuízo bilionário, cortes de pessoal e crise que pressiona governo e ameaça o serviço postal nacional.
Greve dos Correios ganha força em meio a prejuízo bilionário, cortes de pessoal e crise que pressiona governo e ameaça o serviço postal nacional.

O presidente do SINTECT-SP, Elias Diviza, vem reforçando publicamente que a mobilização serve tanto para defender direitos quanto para chamar atenção para a situação da estatal.

Em manifestações recentes, o dirigente tem insistido que a unidade da categoria será decisiva diante de um cenário que combina corte de custos, fechamento de unidades e incertezas sobre o futuro do serviço postal.

Situação financeira dos Correios

A mobilização ocorre em um quadro de forte deterioração financeira.

Os Correios acumulam prejuízo superior a R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, praticamente o triplo do resultado negativo registrado no mesmo período do ano anterior.

Em 2024, o balanço anual já havia fechado no vermelho, com perda bilionária e sucessivos trimestres sem resultado positivo.

De acordo com demonstrações contábeis recentemente aprovadas pelo conselho de administração, a estatal enfrenta queda de receitas e aumento expressivo de despesas operacionais e administrativas.

Decisões judiciais trabalhistas, passivos acumulados e a concorrência com empresas privadas de logística pressionam ainda mais o caixa.

Outro fator citado por integrantes do governo e da própria empresa é o efeito da chamada “taxa das blusinhas” e de mudanças no comércio eletrônico internacional, que afetam o movimento de encomendas e a rentabilidade de parte dos serviços postais.

Ao mesmo tempo, a empresa precisa manter a infraestrutura necessária para atender todo o território nacional, inclusive em regiões onde a operação é deficitária.

Em documentos oficiais, o Ministério da Fazenda já classificou a situação dos Correios como “muito ruim” e indicou que o desempenho da estatal aumenta o risco de necessidade de cortes adicionais de gastos públicos em 2026, caso o quadro não seja revertido.

Plano de reestruturação dos Correios

Para tentar reverter a trajetória de perdas, a direção dos Correios elaborou um amplo plano de reestruturação, que tem como eixo um programa de demissão voluntária e o enxugamento da rede física de atendimento.

A proposta prevê a redução de até 10 mil trabalhadores em um contingente hoje estimado em pouco mais de 80 mil empregados.

A estatal também planeja o fechamento ou a venda de até mil agências consideradas deficitárias, com redistribuição do atendimento para outras unidades ou uso de parceiros comerciais em algumas localidades.

A direção afirma que a medida busca adequar a estrutura da empresa às mudanças no mercado, com avanço dos serviços digitais e maior participação de operadores privados de logística e encomendas.

Outra frente do plano é a venda de imóveis ociosos, com expectativa de arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão.

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Esses recursos seriam usados para reforçar o caixa, quitar parte de dívidas antigas e apoiar a modernização de operações, em especial na área de encomendas e logística integrada.

A empresa também estuda ampliar parcerias com o setor privado em serviços complementares, mantendo sob controle estatal as atividades consideradas essenciais do serviço postal.

Sindicatos e entidades de trabalhadores afirmam que a combinação de demissões, fechamento de agências e mudanças em benefícios pode gerar sobrecarga nas unidades remanescentes, piorar as condições de trabalho e comprometer a qualidade do atendimento em regiões mais afastadas ou com menor rentabilidade.

Empréstimo bilionário vetado pelo Tesouro

Um dos pilares do plano de recuperação financeira dos Correios era a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a um consórcio de bancos públicos e privados.

A operação chegou a ser aprovada pelo conselho de administração da estatal.

A ideia era usar o dinheiro para reforçar a liquidez imediata, financiar o programa de demissão voluntária, quitar dívidas com fornecedores e reduzir passivos trabalhistas e previdenciários.

No entanto, após análise do Tesouro Nacional, a operação foi reprovada por causa do custo considerado elevado.

A proposta dos bancos envolvia juros em torno de 136% do CDI, acima do limite de 120% do CDI adotado pelo governo em operações com garantia da União.

Sem o aval do Tesouro, a estatal não teria acesso à garantia federal que reduziria o risco para as instituições financeiras.

Após a negativa, a direção dos Correios decidiu suspender as negociações para a contratação do crédito.

A empresa avalia alternativas, que vão desde a tentativa de renegociar as condições com os bancos até a busca de outras formas de apoio, como aportes diretos do governo federal ou ajustes adicionais nas metas fiscais para acomodar o plano de reestruturação.

Sem a injeção imediata de recursos prevista no empréstimo, a estatal terá menos margem para executar ao mesmo tempo o programa de demissões, a modernização da operação e a quitação de passivos acumulados.

Impasse e incertezas sobre o futuro da estatal

A aprovação do estado de greve em São Paulo expõe, ao mesmo tempo, a preocupação dos trabalhadores com seus direitos e a dimensão da crise enfrentada pelos Correios.

De um lado, a direção da empresa insiste na necessidade de ajustes profundos para garantir a sustentabilidade do serviço postal nos próximos anos.

De outro, sindicatos alertam para o risco de que o remédio escolhido comprometa a própria capacidade da estatal de cumprir sua função social e atender regiões em que a iniciativa privada não tem interesse econômico.

Para a população, o impasse traz incertezas em relação a prazos de entrega de encomendas, distribuição de correspondências e manutenção de serviços considerados essenciais, como o envio de documentos oficiais e provas de concursos.

Em um cenário de prejuízos elevados, veto ao empréstimo bilionário e ameaça de paralisação, a pressão sobre governo, empresa e trabalhadores tende a aumentar nos próximos dias.

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Sergio Rodrigues
Sergio Rodrigues
10/12/2025 09:02

Kkkk Chuuuuupaaaa Seus **** Arrombados….
Agora Fazuely e Vão viver de amor seus Lixos….. 🤣🤣🤣😂😂😂😂

Sergio Luis Borba
Sergio Luis Borba
06/12/2025 23:05

Poderiam remanejar parte dos funcionários a outras estatais como TSE INSS e RFB que estão com falta de pessoal e também juntar outras estatais numa só uma idéia já foi falado e foi bem aprovada mas nada feito. Mas governo anterior deteriorou a mesma com planejamento de vender de graça pro EUA e não aconteceu mas deixou a mesma no vermelho pra futuramente fazer o mesmo agora está desse jeito uma empresa que sempre esteve presente na vida de todos ajudando em vários serviços gratuitos agora nessa situação lamentável.

MauLim
MauLim
Em resposta a  Sergio Luis Borba
15/12/2025 10:01

Sugiro que envie esta recomendação para o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos que ja deveria ter “enxergado” que algo precisaria ser feito NOS CORREIOS.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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