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Land Rover encerra a produção em julho com 371 empregos em risco, enquanto a montadora chinesa avança nas negociações para transformar a fábrica em uma linha de 100 mil veículos por ano a partir de 2027

Publicado em 22/06/2026 às 21:51
Atualizado em 22/06/2026 às 21:54
A Jaguar Land Rover encerra a produção em Itatiaia, com 371 empregos em risco, e a Chery negocia transformar a fábrica em 100 mil veículos por ano.
A Jaguar Land Rover encerra a produção em Itatiaia, com 371 empregos em risco, e a Chery negocia transformar a fábrica em 100 mil veículos por ano.
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Os últimos Discovery Sport e Range Rover Evoque já foram produzidos e devem deixar a fábrica até 15 de julho, segundo fontes. Em meio à indefinição, a Jaguar Land Rover diz não ter novidades, enquanto a Chery negocia assumir a unidade e mira 100 mil carros por ano até 2027.

A Jaguar Land Rover encerra a produção em Itatiaia em julho com 371 empregos em risco, enquanto a Chery avança nas negociações para transformar a fábrica em uma linha de 100 mil veículos por ano a partir de 2027. O caso expõe a indefinição sobre o futuro da unidade no Rio de Janeiro.

A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, vive um momento de indefinição. Segundo informações divulgadas pelo portal da NSC Total, as últimas unidades dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque já foram concluídas e aguardam apenas a distribuição para a rede de concessionárias, até a metade de julho. Questionada pela revista Quatro Rodas, do Grupo Abril, a empresa informou apenas que as atividades de produção seguem normalmente durante junho e que não tem novas informações a divulgar. Enquanto isso, segundo o Sindireal, a planta emprega 371 trabalhadores, e a Chery avança nas negociações para assumir a unidade, com a meta de produzir até 100 mil veículos por ano a partir de 2027.

A indefinição na fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia

Montadora britânica mantém operações em junho, mas o futuro da fábrica de Itatiaia após julho segue cercado de incertezas (Foto: Land Rover, Divulgação)
Montadora britânica mantém operações em junho, mas o futuro da fábrica de Itatiaia após julho segue cercado de incertezas (Foto: Land Rover, Divulgação)

A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, vive um momento de indefinição. Segundo informações de bastidores, as últimas unidades dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque previstas para produção já foram concluídas e aguardam apenas a distribuição para a rede de concessionárias, processo que deve ocorrer até a metade de julho.

Questionada sobre o futuro da operação pela revista Quatro Rodas, do Grupo Abril, a Jaguar Land Rover informou apenas que as atividades de produção seguem normalmente durante o mês de junho, conforme o planejamento da companhia. A empresa afirmou não ter novas informações a divulgar, mas a expectativa é que todos os veículos já produzidos deixem a fábrica até 15 de julho.

371 empregos e a preocupação do sindicato

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal), a planta industrial emprega atualmente 371 trabalhadores de forma direta. Embora o ritmo de produção tenha sido reduzido nos últimos anos, os funcionários vêm participando de programas de qualificação profissional, e os números de mercado refletem a desaceleração: entre janeiro e maio deste ano, os modelos da Jaguar Land Rover registraram apenas 264 emplacamentos no Brasil.

O diretor administrativo do Sindireal, Bruno Mendonça Streva, afirma que a empresa mantém em vigor um acordo coletivo de trabalho e vem cumprindo as suas obrigações trabalhistas. Segundo ele, a principal preocupação do sindicato é garantir a preservação dos empregos em caso de concretização de uma negociação envolvendo a fábrica da Jaguar Land Rover.

As negociações com a Chery avançam

As conversas sobre a possível aquisição da unidade da Jaguar Land Rover avançaram recentemente. No dia 12 de junho, representantes da Prefeitura de Itatiaia participaram de uma reunião virtual com executivos da Chery para dar sequência às negociações, encontro que chegou a ser divulgado no site oficial do município, mas cuja publicação foi posteriormente retirada do ar, segundo informação antecipada pelo jornalista Jorge Moraes, da CNN.

Durante a reunião, a montadora chinesa oficializou o interesse em aderir aos programas de incentivos fiscais disponíveis no município, e a administração local apresentou os requisitos legais e administrativos necessários. Em paralelo, a Chery também negocia com o governo do estado do Rio de Janeiro, mas questões de tributação ainda impedem a conclusão do acordo, com discussões em andamento também na Assembleia Legislativa, tudo em torno do futuro da planta da Jaguar Land Rover.

Uma fábrica que nunca atingiu grande volume

Inaugurada há uma década, a unidade da Jaguar Land Rover nunca atingiu volumes expressivos de produção. Esse contexto contribui para a incerteza sobre a data definitiva de encerramento das operações em Itatiaia.

Atualmente, a fábrica opera no sistema SKD, o Semi Knocked Down, no qual as carrocerias chegam prontas, já pintadas e montadas, cabendo à planta apenas a etapa final de montagem, com predominância de componentes importados. Essa estrutura relativamente simples ajuda a explicar por que os volumes nunca foram altos.

Os planos da Chery: Omoda 4 e 100 mil veículos por ano

A estrutura existente, porém, não atende aos planos industriais da Chery Automobile, que pretende usar o local para produzir nacionalmente o Omoda 4, um SUV compacto com motorização 1.0 turboflex híbrida. O modelo é destinado a disputar mercado com Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e GAC GS3, e a unidade poderá futuramente fabricar veículos das marcas Omoda, Jaecoo, Lepas e Jetour, além de exportar para a América do Sul, aproveitando os incentivos hoje vinculados à Jaguar Land Rover.

O plano prevê transformar a planta para o modelo CKD, o Completely Knocked Down, com soldagem, montagem e pintura feitas localmente, e elevar a capacidade para cerca de 100 mil veículos por ano a partir do segundo semestre de 2027, com 87 mil unidades já contempladas em compromissos com os governos.

Tiggo 5x Max Drive 2024 (Foto: Caoa Chery, Divulgação)
Tiggo 5x Max Drive 2024 (Foto: Caoa Chery, Divulgação)

Fontes da indústria também apontam a possibilidade de a própria Jaguar Land Rover seguir usando a fábrica por meio da Chery, já que o grupo chinês fabrica veículos da Land Rover na China e desenvolve o Freelander em conjunto, em uma parceria anterior que pode ter facilitado as negociações.

Tiggo 5x Max Drive 2024 (Foto: Caoa Chery, Divulgação)
Tiggo 5x Max Drive 2024 (Foto: Caoa Chery, Divulgação)

A fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia enfrenta um futuro incerto: os últimos Discovery Sport e Range Rover Evoque devem deixar a planta até 15 de julho, enquanto 371 empregos diretos estão em risco e o sindicato concentra esforços em preservar esses postos.

Em paralelo, a Chery negocia assumir a unidade e fazer dela uma linha de até 100 mil veículos por ano a partir de 2027, começando pelo Omoda 4, ainda que questões de tributação e a falta de uma confirmação oficial mantenham o desfecho em aberto.

Com uma parceria que já existe entre as duas empresas na China, o cenário pode até resultar em uma operação compartilhada, mas, por ora, o futuro da Jaguar Land Rover no Brasil depende de negociações que ainda não foram concluídas.

E você, o que achou da possível transformação da fábrica da Jaguar Land Rover pela Chery? Acredita que os 371 empregos serão preservados? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o setor automotivo e a indústria.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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