Cientistas alertam que a Copa do Mundo pode ter partidas mais lentas, com impacto no ritmo dos jogadores, nas decisões em campo e na intensidade esperada pelos torcedores durante o torneio, que será disputado em 16 estádios no Canadá, México e Estados Unidos.
Análises da Climate Central e da World Weather Attribution indicam que o calor pode alterar desempenho, segurança e planejamento da Copa do Mundo de 2026, com 93% dos jogos sob risco de temperaturas acima de 28°C e preocupação adicional em estádios ao ar livre.
Calor acima de 28°C pode afetar 93% dos 104 jogos da Copa do Mundo de 2026, elevando riscos ao desempenho dos atletas, à segurança de torcedores e ao ritmo das partidas no Canadá, México e Estados Unidos.
Copa do Mundo terá desafio climático em 16 estádios
A análise foi divulgada pela Climate Central, organização beneficente que criou uma ferramenta interativa para estimar como cada seleção pode ser afetada pelo calor durante o torneio. O levantamento usa dados históricos para calcular a probabilidade de temperaturas diárias ultrapassarem 28°C.
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Esse limite é associado à queda no desempenho físico dos jogadores. Pesquisas anteriores indicam que, acima dessa marca, atletas podem reduzir a frequência de sprints, percorrer menor distância total e precisar de mais tempo para recuperação durante as partidas.
A Copa do Mundo de 2026 será disputada em 16 estádios distribuídos por Canadá, México e Estados Unidos. O calendário terá 104 jogos, número usado como base nas análises sobre exposição ao calor durante junho e julho.
O alerta é relevante porque o futebol depende de explosão, intensidade, tomada rápida de decisão e mudanças repentinas no jogo. Em condições mais quentes, a velocidade da partida, as escolhas táticas e o estilo de jogo podem ser afetados.

Mudanças climáticas elevam chance de calor debilitante
Os cientistas da Climate Central estimam que o aquecimento provocado pelas mudanças climáticas aumenta em cerca de 8% as chances de ondas de calor debilitantes durante o torneio. A entidade afirma que as consequências poderão aparecer em tempo real no esporte.
A análise indica que as mudanças climáticas ampliam a possibilidade de o calor prejudicar o desempenho em todas as partidas. O caso de maior atenção citado envolve o jogo de 26 de junho, no México, entre Uruguai e Espanha.
Outra avaliação recente da Climate Central aponta que os dias extremamente quentes de junho e julho estão aumentando em todos os estádios da Copa do Mundo de 2026, com exceção de dois. A combinação entre calor e umidade amplia a preocupação.
O risco não se limita aos jogadores. Torcedores e funcionários também estarão expostos, especialmente porque a maioria dos estádios é ao ar livre. Apenas três arenas contam com climatização completa: Atlanta, Dallas e Houston.
Inglaterra aparece entre seleções com risco elevado
A primeira partida da Inglaterra, contra a Croácia, aparece com 95% de chance de ter temperaturas capazes de prejudicar o desempenho. No mesmo grupo, a seleção inglesa tem risco médio de 49% nos jogos da fase inicial.
O segundo compromisso, contra Gana, apresenta cenário mais ameno, com 16% de probabilidade de calor prejudicial ao desempenho. Já o terceiro jogo, contra o Panamá, tem 36% de chance de ser afetado por altas temperaturas.
A Climate Central calcula ainda que, se a Inglaterra chegar à final, terá quatro partidas com mais de 50% de probabilidade de sofrer impacto do calor. O dado mostra como o problema pode acompanhar seleções ao longo do torneio.
A Escócia também aparece em uma situação de atenção. O confronto contra o Brasil, marcado para 24 de junho, em Miami, está entre os jogos citados em análises sobre condições de calor intenso para torcedores britânicos.
Estudos apontam partidas em condições inseguras
Um grupo independente de pesquisadores, ligado à World Weather Attribution, modelou as condições climáticas durante cada uma das 104 partidas. Os resultados indicam que um quarto dos jogos poderá ocorrer em condições consideradas inseguras.
O mesmo estudo aponta que cinco partidas teriam calor tão intenso que especialistas recomendariam o adiamento completo. Entre os locais citados como preocupantes estão Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia, onde muitos jogos ocorrerão sem climatização total.
A Dra. Joyce Kimutai, do Imperial College London e uma das autoras do estudo, afirmou que o contexto em que o torneio é disputado mudou de forma fundamental em apenas 32 anos. A declaração reforça a dimensão climática do problema.
Organizadores já adotam medidas para reduzir riscos. Entre elas estão mais jogos à noite em cidades mais quentes e pausas obrigatórias para hidratação em todas as partidas, recurso voltado à proteção de atletas em condições de calor.
As partidas também podem ser adiadas quando a temperatura de bulbo úmido e globo, conhecida pela sigla WBGT, alcançar 32°C. Essa medição combina calor e umidade para avaliar o risco de estresse térmico.
Mesmo com adaptações, pesquisadores alertam que há risco real de jogos em condições inseguras para jogadores e torcedores. O problema ganha peso porque envolve desempenho esportivo, saúde pública e organização de um evento global, também durante o verão do hemisfério norte.
Na prática, a Copa do Mundo pode revelar um novo desafio para o futebol: competir em ambientes cada vez mais quentes, com impacto direto sobre quem joga, quem assiste e quem trabalha nos estádios.
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