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Escassez de mão de obra volta a preocupar o Canadá: aposentadorias já tiram 25,5 mil trabalhadores por mês do mercado e país pode voltar a enfrentar falta de gente mesmo com desemprego ainda elevado

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 04/06/2026 às 23:24
Atualizado em 04/06/2026 às 23:29
Canadá enfrenta escassez de mão de obra com 25,5 mil aposentadorias por mês, menos jovens no mercado e pressão sobre empresas.
Canadá enfrenta escassez de mão de obra com 25,5 mil aposentadorias por mês, menos jovens no mercado e pressão sobre empresas.
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A redução da força de trabalho no Canadá expõe um desafio que vai além do desemprego atual: aposentadorias em ritmo recorde, menor entrada de jovens no mercado e dependência da imigração podem recolocar empresas diante da falta de trabalhadores nos próximos anos.

O Canadá se aproxima de uma nova fase de escassez de mão de obra, mesmo com desemprego ainda elevado, enquanto aposentadorias recordes, restrições à imigração e queda da população jovem reduzem a força de trabalho disponível no país.

Escassez de mão de obra aparece antes da recuperação

A combinação parece contraditória. A taxa de desemprego segue alta, pressionada pelo ciclo de aperto monetário do Banco do Canadá em 2023 e 2024 e pelas perturbações associadas às tarifas americanas. Ainda assim, os sinais estruturais apontam para menos trabalhadores disponíveis.

Esse quadro dá aos formuladores de políticas margem para manter limites restritivos à imigração. O problema é que a aparente folga atual esconde uma mudança demográfica que reduz a oferta de mão de obra.

Com menos crescimento do emprego, ou pequenas quedas, as condições por trabalhador podem melhorar. A taxa de desemprego tende a recuar porque a taxa de emprego de equilíbrio caiu no Canadá.

Para quem procura emprego, especialmente jovens com dificuldade para entrar no mercado, a mudança pode aliviar a disputa por vagas. Para as empresas, porém, a escassez de mão de obra tende a voltar quando o desemprego elevado for absorvido.

Aposentadorias mensais chegam a 25,5 mil trabalhadores

As aposentadorias alcançaram patamar estruturalmente alto no Canadá. Cerca de 0,12% da força de trabalho deixa o mercado mensalmente, o equivalente a 25.500 trabalhadores por mês.

O número é quase o dobro da média registrada duas décadas atrás, quando as aposentadorias ficavam em torno de 14.000 por mês. A principal explicação está no avanço da geração baby boomer, nascida após a Segunda Guerra Mundial.

Essa onda pode ter atingido um ponto elevado, mas ainda não chegou ao limite. Os baby boomers mais jovens completarão 65 anos em 2029 e 70 anos em 2034, mantendo o fluxo de saídas alto até a próxima década.

As aposentadorias costumam crescer entre trabalhadores acima de 55 anos e atingir o pico entre 65 e 69 anos. Parte da população permanece ativa por mais tempo, especialmente a população imigrante, que representa 28,4% da força de trabalho canadense.

O envelhecimento já reduziu em 4,5 pontos percentuais a taxa de participação na força de trabalho, que mede a parcela da população de 15 anos ou mais trabalhando ou procurando emprego, ante duas décadas atrás.

Candá sofre com um sério problema de falta de mão de obra
Candá sofre com um sério problema de falta de mão de obra

Canadá depende da imigração para renovar trabalhadores

Sem imigração, a população canadense em idade ativa diminuiria. A queda da fecundidade após o baby boom reduziu a reposição natural de trabalhadores.

No Canadá, a população em cada faixa etária até 35 anos é menor do que a faixa seguinte. Isso significa que a entrada de potenciais trabalhadores jovens tende a encolher enquanto uma parcela alta da força de trabalho se aposenta.

A tendência aparece nos dados recentes. Em abril, a população com menos de 35 anos caiu 120.500 pessoas ante o ano anterior. A força de trabalho disponível nessa faixa recuou 76.000 pessoas, apesar de pequena alta na participação.

Parte desse declínio recente está associada ao fluxo líquido de residentes temporários. Sem impacto da imigração, a população entre 15 e 34 anos cairia 186.000 pessoas por ano nos próximos cinco anos, ou 15.500 por mês.

Mantidas as taxas de participação por idade, o número de trabalhadores disponíveis com menos de 35 anos diminuiria 139.000 por ano, média de 11.600 por mês.

Empresas já relatam falta em setores específicos

No curto prazo, a redução da força de trabalho não deve representar obstáculo generalizado para contratações, porque o desemprego juvenil permanece em dois dígitos. Esse ambiente pode favorecer quem tenta conseguir o primeiro emprego.

A pressão deve crescer conforme o mercado melhorar e a taxa de desemprego recuar. Os limites à imigração poderão precisar ser flexibilizados depois que a parcela de residentes temporários se aproximar da meta federal de 5% da população total.

A expectativa é que essa meta seja atingida por volta de meados de 2027. Mesmo assim, a flexibilização esperada pode não ser suficiente para compensar totalmente os desafios estruturais na oferta de mão de obra.

Sinais de escassez já aparecem. Cerca de 17% das empresas consultadas pela Canadian Federation of Independent Business relatam falta de trabalhadores não qualificados ou semiqualificados, abaixo dos mais de 40% de 2022, mas perto do padrão pré-pandemia.

Na Pesquisa de Perspectivas Empresariais do Banco do Canadá, cerca de um quinto das empresas também relatou escassez de mão de obra e disse esperar aumento na intensidade do problema.

A falta de trabalhadores não atinge todos os setores da mesma forma. Hospedagem, serviços de alimentação e construção civil citam a escassez com mais frequência como obstáculo ao crescimento de curto prazo do que a demanda.

O desafio canadense não está apenas na criação de vagas, mas na capacidade de manter gente suficiente trabalhando enquanto a população envelhece. O que você achou dessa mudança no mercado de trabalho?

Com informações de RBC.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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