Casal do interior de Minas mantém rotina agrícola ativa mesmo após oito décadas de vida, preserva métodos tradicionais e resiste à falta de mão de obra no campo brasileiro
No interior de Minas Gerais, em uma propriedade simples cercada por canaviais e árvores frutíferas, o Sr. João Balduino, agricultor com mais de 90 anos, desafia o tempo ao manter uma rotina pesada de trabalho no campo ao lado da esposa, Dona Maria, com quem divide há décadas a vida na roça, a produção artesanal de rapadura e os hábitos simples que moldaram sua longevidade.
Mesmo após nove décadas de vida, o casal segue ativo. Ele corta cana, usa machado, maneja roçadeira, sobe e desce escadas mais de 50 vezes por dia e participa diretamente do funcionamento de um dos últimos engenhos ainda ativos da região. Dona Maria, por sua vez, cuida da horta, auxilia no preparo da rapadura e mantém a rotina da casa que abriga a história de várias gerações da família.
A rotina pesada no campo que continua mesmo após os 90 anos

A informação foi divulgada em vídeo publicado em redes sociais e canais especializados em vida rural, onde o Sr. João Balduino aparece trabalhando normalmente na propriedade onde nasceu e vive há mais de 70 anos. Prestes a completar 91 anos, ele afirma que nunca conseguiu ficar parado e que o trabalho sempre fez parte da sua saúde física e mental.
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Antigamente, segundo o agricultor, conseguia carregar até 80 quilos sozinho. Hoje, o limite caiu para cerca de 50 quilos, mas isso não o impede de continuar ativo. Ele ainda trabalha com machado, motosserra, roçadeira e participa do corte da cana-de-açúcar, sempre respeitando os limites do corpo. Quando sente dores ao amanhecer, descansa algumas horas e retoma o serviço no período da tarde.
Para o agricultor, trabalhar devagar é melhor do que não trabalhar. “Se for para atrapalhar, é melhor nem ir”, afirma, explicando que prefere orientar e ensinar quando não consegue executar tarefas mais pesadas. Ao lado dele, Dona Maria acompanha a rotina, ajuda no que pode e mantém o equilíbrio da vida doméstica e produtiva.
Produção de rapadura artesanal preserva tradição quase extinta

O engenho mantido pelo casal é um dos últimos ainda ativos na região. Segundo o Sr. João Balduino, décadas atrás existiam cerca de 15 engenhos nas redondezas. Hoje, apenas o dele continua funcionando. Parte da estrutura tem mais de 100 anos, enquanto outros equipamentos foram adaptados ao longo do tempo, passando do funcionamento com tração animal para sistemas motorizados e elétricos.
A produção de rapadura segue métodos tradicionais. A cana-de-açúcar é cultivada pelo próprio agricultor, sem uso de adubos químicos. Cada plantio permite até 15 cortes antes da renovação do canavial. Atualmente, o casal produz entre 1.000 e 1.200 rapaduras por ano, número bem menor do que no passado, quando chegavam a fabricar até 200 ou 300 unidades por dia, com ajuda de outros trabalhadores.
Hoje, a produção ocorre em menor escala principalmente pela falta de mão de obra no campo. Mesmo assim, as rapaduras costumam ser vendidas rapidamente. Muitos clientes fazem encomendas antecipadas, e parte da produção é levada para outras cidades de Minas Gerais e até para estados vizinhos, como Goiás.
Vida simples, parceria no campo e conhecimento passado entre gerações
A longevidade do casal também chama atenção pelos hábitos de vida. O Sr. João Balduino afirma que nunca consumiu óleo industrializado ou banha processada, utilizando apenas gordura de porco na alimentação. Dona Maria cultiva uma horta que produz verduras em quantidade suficiente para o consumo da família e para doações aos vizinhos, prática comum ao longo da vida no campo.
Além da rapadura tradicional, o casal produz versões artesanais de leite, amendoim, abóbora e cidra, sempre evitando misturas artificiais usadas apenas para dar aparência mais bonita ao produto. O ponto correto da rapadura, segundo o agricultor, não depende de testes com água, mas da experiência acumulada ao longo de décadas.
Esse conhecimento vem sendo transmitido aos netos, que hoje ajudam no engenho e em outras tarefas da propriedade. Parte da terra já foi doada formalmente à família, garantindo que a tradição, o modo de vida rural e o saber agrícola não se percam com o passar do tempo.modo de vida e o conhecimento agrícola permaneçam vivos mesmo com o avanço da idade do casal.
Mesmo após os 90 anos, você teria disposição para seguir trabalhando no pesado ao lado de quem ama e manter viva uma tradição que sustenta a história do campo brasileiro?


Adorei essa história eu também só um agricultor
Sou mineiro de nascimento, conheço em MG em torno de 680 cidades, mesmo assim, não consigo imaginar de que cidade ou lugarejo seria o Sr João.
A reportagem é linda porém, o destaque seria grande se tivessem incluído a cidade, o município ou mesmo o lugarejo onde moram.
Fica a dica!!!
Em que cidade eles moram