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Um único tanque no lago de uma usina rende 90 mil quilos de tilápia a cada seis meses, e a empresa quer multiplicar isso por 500 para levar Mato Grosso do Sul do 11º lugar ao topo do país

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/06/2026 às 22:33
Atualizado em 13/06/2026 às 22:36
Assista o vídeoUm projeto de tilápia no Rio Paraná, em Mato Grosso do Sul, prevê R$ 200 milhões e 500 tanques; a piscicultura pode levar o estado do 11º ao 1º lugar do país.
Um projeto de tilápia no Rio Paraná, em Mato Grosso do Sul, prevê R$ 200 milhões e 500 tanques; a piscicultura pode levar o estado do 11º ao 1º lugar do país.
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No lago da usina de Jupiá, em Selvíria, Mato Grosso do Sul, uma empresa cria tilápia nas águas do Rio Paraná. Hoje são 26 tanques, mas o plano é chegar a 500, com mais de R$ 200 milhões previstos. Se der certo, o estado pode sair do 11º lugar para o topo do país.

Um único tanque no lago de uma usina hidrelétrica rende cerca de 90 toneladas de tilápia a cada seis meses. Agora imagine isso multiplicado por centenas. É essa a aposta de uma empresa que cria peixes nas águas do Rio Paraná, em Mato Grosso do Sul, e quer transformar o estado em líder nacional.

De acordo com o programa Vale Agrícola, o projeto fica em Selvíria, no lago da usina de Jupiá, e a empresa obteve em 2017 uma outorga para explorar mais de 500 hectares do rio por 20 anos. A previsão é investir mais de R$ 200 milhões ao longo de sete anos e ampliar a estrutura dos atuais 26 tanques para 500. A meta, ambiciosa, é produzir cerca de 30 por cento de toda a tilápia do país.

Por que o Rio Paraná foi escolhido

Um projeto de tilápia no Rio Paraná, em Mato Grosso do Sul, prevê R$ 200 milhões e 500 tanques; a piscicultura pode levar o estado do 11º ao 1º lugar do país.
A escolha do lugar não foi por acaso. 

A empresa trabalha com peixes desde 2001, e a tilápia sempre esteve no radar.

Antes de fixar a produção, passou por cidades como Buritama, no interior de São Paulo, e rodou o Brasil em busca do ponto ideal. No fim, voltou para o Rio Paraná.

Aqui, as condições foram consideradas perfeitas. Além da qualidade da água, o clima ajuda, com temperatura, chuva e horas de sol favoráveis.

A lógica por trás da aposta é simples, segundo a empresa: se o Brasil é um dos maiores produtores de gado e de frango do mundo, não haveria motivo para não liderar também na criação de peixes.

Como funciona a criação nos tanques

Hoje, a operação já é grande, mesmo sem a expansão. 

São 26 tanques instalados no Rio Paraná, cada um com 20 metros de diâmetro.

Em cada tanque entram cerca de 90 mil alevinos, os filhotes de peixe, que em seis meses rendem, em média, 90 toneladas de tilápia. Isso dá por volta de 50 quilos por metro cúbico.

E a rotina dos peixes é puxada. 

Eles chegam a ser alimentados até seis vezes por dia, num movimento que vira quase um espetáculo nas águas escuras da represa.

É essa engrenagem que a empresa quer multiplicar nos próximos anos.

Os números bilionários do plano

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É aqui que entram as cifras que impressionam, todas ainda no campo da projeção. 

A intenção é ampliar dos 26 tanques atuais para 500 e investir em toda a cadeia, da incubação e classificação de alevinos até a engorda, o processamento e a distribuição.

O plano se estende pelos próximos sete anos.

Se tudo sair como o previsto, os números ficam enormes. 

Com o frigorífico em plena operação, a produção de tilápia poderia chegar a 100 mil toneladas por ano e gerar um faturamento anual de R$ 1 bilhão, segundo a empresa.

A expectativa é criar 2.700 empregos diretos, além de reunir pequenos produtores da região em cooperativas para abastecer a fábrica.

A aposta na tilápia e os gargalos

O trunfo da tilápia, segundo o presidente da empresa, está na conversão alimentar. 

Ela precisa de menos ração para produzir cada quilo de carne do que o frango ou o gado, e até menos que o salmão, o que reduz o impacto no uso de matérias-primas.

Some-se a isso o fato de o peixe atender a todos os bolsos, e a conta fecha.

O Ceará, por exemplo, é um dos campeões de consumo por habitante, com cerca de 3,5 quilos por ano, de acordo com a Peixe BR, a associação brasileira da piscicultura.

Mas o caminho tem pedras. O presidente da Peixe BR aponta dois gargalos principais, o marco regulatório ambiental, que depende de cada estado, e a cessão das águas da União, onde ficam as hidrelétricas.

Ele lembra que a produção nacional foi de 722 mil toneladas no último ano, enquanto há pedidos protocolados para 3 milhões de toneladas, e resume que o governo ainda é o que mais dificulta.

Mesmo assim, com a expansão, o Mato Grosso do Sul pode saltar do 11º para o primeiro lugar entre os estados produtores.

O projeto resume bem o tamanho da ambição da piscicultura brasileira. 

Por enquanto, o que está de pé são os 26 tanques no Rio Paraná, mas a meta de chegar a 500 e de produzir parte relevante da tilápia do país mostra para onde o setor quer ir.

As cifras bilionárias, vale lembrar, ainda são planos.

E você, costuma comer tilápia ou prefere outras proteínas? Acha que o Brasil tem mesmo tudo para virar potência na criação de peixes? Conte nos comentários, com respeito às diferentes opiniões e experiências, e compartilhe esta matéria com aquele amigo que acompanha o agro e a piscicultura.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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