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Localização MG Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 5 comentários

Com mais de 90 anos, agricultor mineiro segue no trabalho pesado ao lado da esposa, corta cana, usa machado e mantém viva a produção de rapadura artesanal em um dos últimos engenhos da região

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 29/01/2026 às 00:22
Atualizado em 30/01/2026 às 12:08
Assista o vídeoSr. João Balduino e Dona Maria trabalham juntos em engenho de rapadura artesanal em Minas Gerais
Sr. João Balduino e Dona Maria mantêm engenho de rapadura artesanal ativo no interior de Minas Gerais
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Casal do interior de Minas mantém rotina agrícola ativa mesmo após oito décadas de vida, preserva métodos tradicionais e resiste à falta de mão de obra no campo brasileiro

No interior de Minas Gerais, em uma propriedade simples cercada por canaviais e árvores frutíferas, o Sr. João Balduino, agricultor com mais de 90 anos, desafia o tempo ao manter uma rotina pesada de trabalho no campo ao lado da esposa, Dona Maria, com quem divide há décadas a vida na roça, a produção artesanal de rapadura e os hábitos simples que moldaram sua longevidade.

Mesmo após nove décadas de vida, o casal segue ativo. Ele corta cana, usa machado, maneja roçadeira, sobe e desce escadas mais de 50 vezes por dia e participa diretamente do funcionamento de um dos últimos engenhos ainda ativos da região. Dona Maria, por sua vez, cuida da horta, auxilia no preparo da rapadura e mantém a rotina da casa que abriga a história de várias gerações da família.

A rotina pesada no campo que continua mesmo após os 90 anos

A informação foi divulgada em vídeo publicado em redes sociais e canais especializados em vida rural, onde o Sr. João Balduino aparece trabalhando normalmente na propriedade onde nasceu e vive há mais de 70 anos. Prestes a completar 91 anos, ele afirma que nunca conseguiu ficar parado e que o trabalho sempre fez parte da sua saúde física e mental.

Antigamente, segundo o agricultor, conseguia carregar até 80 quilos sozinho. Hoje, o limite caiu para cerca de 50 quilos, mas isso não o impede de continuar ativo. Ele ainda trabalha com machado, motosserra, roçadeira e participa do corte da cana-de-açúcar, sempre respeitando os limites do corpo. Quando sente dores ao amanhecer, descansa algumas horas e retoma o serviço no período da tarde.

Para o agricultor, trabalhar devagar é melhor do que não trabalhar. “Se for para atrapalhar, é melhor nem ir”, afirma, explicando que prefere orientar e ensinar quando não consegue executar tarefas mais pesadas. Ao lado dele, Dona Maria acompanha a rotina, ajuda no que pode e mantém o equilíbrio da vida doméstica e produtiva.

Produção de rapadura artesanal preserva tradição quase extinta

O engenho mantido pelo casal é um dos últimos ainda ativos na região. Segundo o Sr. João Balduino, décadas atrás existiam cerca de 15 engenhos nas redondezas. Hoje, apenas o dele continua funcionando. Parte da estrutura tem mais de 100 anos, enquanto outros equipamentos foram adaptados ao longo do tempo, passando do funcionamento com tração animal para sistemas motorizados e elétricos.

A produção de rapadura segue métodos tradicionais. A cana-de-açúcar é cultivada pelo próprio agricultor, sem uso de adubos químicos. Cada plantio permite até 15 cortes antes da renovação do canavial. Atualmente, o casal produz entre 1.000 e 1.200 rapaduras por ano, número bem menor do que no passado, quando chegavam a fabricar até 200 ou 300 unidades por dia, com ajuda de outros trabalhadores.

Hoje, a produção ocorre em menor escala principalmente pela falta de mão de obra no campo. Mesmo assim, as rapaduras costumam ser vendidas rapidamente. Muitos clientes fazem encomendas antecipadas, e parte da produção é levada para outras cidades de Minas Gerais e até para estados vizinhos, como Goiás.

Vida simples, parceria no campo e conhecimento passado entre gerações

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A longevidade do casal também chama atenção pelos hábitos de vida. O Sr. João Balduino afirma que nunca consumiu óleo industrializado ou banha processada, utilizando apenas gordura de porco na alimentação. Dona Maria cultiva uma horta que produz verduras em quantidade suficiente para o consumo da família e para doações aos vizinhos, prática comum ao longo da vida no campo.

Além da rapadura tradicional, o casal produz versões artesanais de leite, amendoim, abóbora e cidra, sempre evitando misturas artificiais usadas apenas para dar aparência mais bonita ao produto. O ponto correto da rapadura, segundo o agricultor, não depende de testes com água, mas da experiência acumulada ao longo de décadas.

Esse conhecimento vem sendo transmitido aos netos, que hoje ajudam no engenho e em outras tarefas da propriedade. Parte da terra já foi doada formalmente à família, garantindo que a tradição, o modo de vida rural e o saber agrícola não se percam com o passar do tempo.modo de vida e o conhecimento agrícola permaneçam vivos mesmo com o avanço da idade do casal.

Mesmo após os 90 anos, você teria disposição para seguir trabalhando no pesado ao lado de quem ama e manter viva uma tradição que sustenta a história do campo brasileiro?

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Imir de jesus da cruz vale
Imir de jesus da cruz vale
03/02/2026 18:26

Adorei essa história eu também só um agricultor

Clovis Nogueira
Clovis Nogueira
03/02/2026 17:21

Sou mineiro de nascimento, conheço em MG em torno de 680 cidades, mesmo assim, não consigo imaginar de que cidade ou lugarejo seria o Sr João.
A reportagem é linda porém, o destaque seria grande se tivessem incluído a cidade, o município ou mesmo o lugarejo onde moram.
Fica a dica!!!

Nadir
Nadir
03/02/2026 12:43

Em que cidade eles moram

Fonte
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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