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Colapso à vista no Iraque: imagens satelitais captadas pela NASA mostram o maior reservatório do país secando de forma dramática

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 09/04/2026 às 16:15
Atualizado em 09/04/2026 às 16:17
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Crise hídrica ganha escala no Iraque com o colapso parcial dos grandes reservatórios, e imagens satelitais captadas pela NASA revelam a dimensão da retração entre 2020 e 2025, com efeitos diretos sobre irrigação e abastecimento

Os principais reservatórios do Iraque entraram em uma fase crítica depois de vários anos de seca, menor volume de chuva e redução da água que chega pelos rios. O efeito já aparece no campo, nas cidades e na gestão de recursos hídricos.

A perda de água ganhou força entre 2021 e 2025, com impacto direto sobre irrigação, abastecimento e equilíbrio regional. As imagens satelitais captadas pela NASA reforçam a dimensão do problema e mostram que, em alguns casos, os níveis ficaram nos menores patamares desde o início do monitoramento por satélite.

Lago Tharthar registra o menor nível desde 1992

O Lago Tharthar, o maior do Iraque, sofreu uma queda acentuada após anos de entrada fraca de água vinda do rio Tigre. O reservatório, que costuma receber reforço durante períodos de cheia, deixou de recuperar volume em sequência.

Em outubro de 2025, o lago atingiu o menor nível de toda a série acompanhada por satélite desde 1992. A marca ficou mais de 20 metros abaixo do pico observado após as enchentes de 1993, mostrando a dimensão da perda recente.

Falta de chuva e neve enfraquece a recuperação anual

O padrão normal da região depende do degelo nas cabeceiras do Tigre, localizadas na Turquia e no Irã, além das chuvas sazonais. Esse ciclo costuma elevar o nível do reservatório na primavera, quando a água extra chega com mais força.

Mas esse mecanismo falhou nos últimos anos. A combinação entre pouca neve, menos chuva e desvios de água a montante impediu a recuperação em 2021, 2022 e 2023, mesmo com uma melhora discreta em 2024.

Imagens satelitais mostram a diferença entre 2020 e 2025

As imagens satelitais captadas pela NASA revelam uma mudança visível entre setembro de 2020 e outubro de 2025. A área ocupada pela água encolheu bastante, enquanto partes antes alagadas secaram e passaram a ser usadas na agricultura.

Segundo NASA Earth Observatory, a expansão registrada em 2019 havia sido impulsionada por chuvas excepcionais em um curto intervalo de tempo. Depois disso, o cenário se inverteu e a retração voltou a dominar a paisagem.

Medições em solo reforçam a gravidade do recuo

As medições feitas em terra confirmam o mesmo quadro observado do espaço. Em meados de outubro, o nível do Lago Tharthar chegou a 38,5 metros acima do nível do mar, o menor desde a construção do reservatório em 1958.

Esse dado reforça que o problema não é pontual. Trata se de uma perda prolongada, acumulada ao longo de anos, com efeito direto sobre a segurança hídrica e a capacidade de gestão no país.

Habaniya também entra em fase crítica

O Lago Habaniya, abastecido pelo rio Eufrates, passou por um processo parecido. Depois de quase encher em 2019, o reservatório perdeu força até chegar a um ponto em que já não conseguia devolver água ao rio como fazia normalmente.

Em 25 de setembro de 2025, o nível estava em 42,05 metros acima do nível do mar. O volume armazenado era de cerca de 555 milhões de metros cúbicos, muito abaixo da capacidade total de 3,3 bilhões de metros cúbicos. Em meados de outubro, o nível caiu para 41,90 metros e o armazenamento recuou para 511 milhões de metros cúbicos.

Agricultura sente o impacto e pressão aumenta nas cidades

A queda das reservas de água já afeta agricultores em várias áreas do Iraque. Para preservar água nas cidades, autoridades restringiram culturas agrícolas e limitaram o uso para irrigação, o que levou muitos produtores a abandonar áreas ou mudar suas operações.

Também houve o uso de grandes bombas para transferir água do Lago Tharthar ao rio Tigre, numa tentativa de aliviar a pressão sobre regiões mais secas. As imagens satelitais captadas pela NASA ajudam a dimensionar essa transformação e mostram como a escassez deixou de ser apenas ambiental e passou a afetar a rotina econômica e social.

Gestão integrada vira ponto decisivo para o futuro

A resposta mais imediata depende de chuvas no inverno, controle das retiradas para agricultura e práticas de economia de água. Ainda assim, o tamanho da perda indica que ações emergenciais já não bastam sozinhas.

No horizonte mais amplo, a integração entre os reservatórios de Habaniya, Razzaza e Tharthar aparece como peça central para tentar recompor o equilíbrio hídrico. O recuo desses lagos pressiona o país, pesa sobre o campo e muda a leitura estratégica da região.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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