Projeto em Umm Al Quwain mostra como estruturas costeiras, membranas de osmose reversa e sistemas de descarte controlado sustentam uma das maiores operações de dessalinização em funcionamento nos Emirados Árabes Unidos, com impacto direto no abastecimento de água potável dos Emirados do Norte.
A usina NAQA’A, em Umm Al Quwain, nos Emirados Árabes Unidos, opera com capacidade para produzir até 681,9 milhões de litros de água potável por dia a partir da água do mar. A planta usa osmose reversa de água do mar, tecnologia conhecida pela sigla SWRO, e integra captação marítima, tratamento, armazenamento e descarte controlado da salmoura.
O volume informado para a unidade é de 150 MIGD, equivalente a 681.900 metros cúbicos diários. Essa capacidade coloca o projeto entre as maiores estruturas de dessalinização por osmose reversa em operação, com papel relevante no abastecimento dos Emirados do Norte.
Localizada ao sul da fronteira com Ras Al Khaimah, em Umm Al Quwain, a planta ocupa uma área costeira próxima à rodovia E11. A posição permite conectar a entrada de água do mar à infraestrutura industrial e ao sistema de fornecimento operado no projeto.
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Canal de captação leva água salgada até a usina

No início do processo, um canal aberto de captação de 600 metros conduz a água do mar até a estrutura de tratamento. A NAQA’A informa que o projeto também inclui sistema de bombeamento, peneiramento e filtragem antes das etapas principais de dessalinização.
Essa preparação é necessária porque as membranas de osmose reversa dependem de um fluxo previamente condicionado. Ao passar por filtros e sistemas de retenção, a água chega às fases seguintes com menor presença de partículas capazes de afetar a operação dos equipamentos.
A tecnologia SWRO separa a água aproveitável dos sais dissolvidos por meio de pressão e membranas. A corrente que atravessa o sistema segue para tratamento e armazenamento como água potável, enquanto o concentrado salino precisa ser administrado pela própria infraestrutura da usina.
Além do canal de captação, os componentes principais da NAQA’A incluem a planta de osmose reversa e tanques de armazenamento de água potável. Esse conjunto forma a base operacional que transforma a água salgada do Golfo em abastecimento em larga escala.
Emissário submarino faz o retorno da salmoura

Outro elemento central do projeto é o emissário tubular de 3,6 quilômetros, usado para o retorno da corrente concentrada ao mar. A estrutura faz parte dos principais componentes divulgados pela NAQA’A e acompanha a operação do sistema de dessalinização.
A presença do emissário mostra que uma usina desse porte não se limita à produção de água doce. O processo também exige uma solução para a salmoura, subproduto inevitável da separação dos sais, além de estruturas capazes de operar continuamente no ambiente costeiro.
Com captação, bombeamento, filtragem, osmose reversa e armazenamento integrados, a planta funciona como uma linha industrial de produção de água potável. A água do mar entra pelo sistema marítimo, passa pelas etapas de tratamento e segue para uso depois de atingir os padrões operacionais do projeto.
Investimento e operação comercial
A ACWA Power informa que o investimento total do projeto é de aproximadamente 3 bilhões de dirhams dos Emirados Árabes Unidos. A companhia também aponta que a unidade foi desenvolvida com patrocínio da Etihad Water and Electricity, responsável pela compra da água em um contrato de 35 anos.
Segundo a ACWA Power, a empresa detém 40% de participação no projeto. A Argaam também informou que a companhia saudita comunicou, em 10 de agosto de 2022, o início da operação da NAQA’A em Umm Al Quwain, com capacidade de 681.900 metros cúbicos por dia.
Na página do projeto, a ACWA Power registra 5 de agosto de 2022 como data de operação comercial. A diferença entre essa data e o comunicado publicado em 10 de agosto reflete a distinção entre o início operacional informado pela empresa e a divulgação ao mercado.
Segurança hídrica nos Emirados do Norte
A ACWA Power descreve a unidade de Umm Al Quwain como a segunda maior planta de dessalinização SWRO do mundo, com área total de 23,5 hectares. A instalação fica ao lado da rodovia E11 e conta com sistema marítimo de captação e descarga.
Em regiões áridas, estruturas desse tipo ajudam a reduzir a dependência de fontes naturais de água doce. A dessalinização transforma o mar em fonte regular de abastecimento, mas depende de tecnologia, energia, manutenção e controle operacional para funcionar em escala elevada.
No caso da NAQA’A, a combinação entre canal de captação de 600 metros, emissário de 3,6 quilômetros, osmose reversa e tanques de armazenamento explica a dimensão do empreendimento. O projeto reúne obras costeiras e sistemas industriais para produzir água potável em volume compatível com grandes redes de abastecimento.
A unidade também representa parte da estratégia dos Emirados Árabes Unidos para ampliar a segurança hídrica. Ao produzir centenas de milhões de litros por dia, a planta reforça o papel da dessalinização como uma das principais soluções adotadas por países com clima seco e acesso ao litoral.


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