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Cientistas fixaram bactérias quase indestrutíveis do lado de fora da Estação Espacial Internacional por 3 anos, deixaram pelotas de Deinococcus radiodurans enfrentarem vácuo, radiação cósmica e variações extremas, e células de apenas 500 micrômetros voltaram vivas à Terra capazes de reparar o próprio DNA

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 20/04/2026 às 17:08
Atualizado em 20/04/2026 às 17:12
Assista o vídeoBactérias Deinococcus radiodurans sobreviveram 3 anos no espaço, expostas ao vácuo e radiação, e voltaram vivas com DNA reparado.
Cientistas fixaram bactérias quase indestrutíveis do lado de fora da Estação Espacial Internacional por 3 anos
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Bactérias Deinococcus radiodurans sobreviveram 3 anos no espaço, expostas ao vácuo e radiação, e voltaram vivas com DNA reparado.

Em 2020, pesquisadores japoneses divulgaram resultados que chamaram atenção da comunidade científica ao mostrar que micro-organismos podem sobreviver por anos no espaço. O estudo foi conduzido por equipes ligadas à Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA) dentro da missão Tanpopo, um projeto voltado a investigar a possibilidade de transporte natural de vida entre planetas, hipótese conhecida como panspermia. No experimento, agregados da bactéria Deinococcus radiodurans foram colocados do lado externo da Estação Espacial Internacional (ISS) e permaneceram expostos diretamente ao ambiente espacial por até três anos. Durante esse período, os microrganismos enfrentaram condições que incluem vácuo extremo, radiação cósmica, radiação ultravioleta solar e variações severas de temperatura.

Os resultados, publicados na revista científica Frontiers in Microbiology, indicaram que estruturas com cerca de 500 micrômetros de espessura ainda continham células viáveis após todo esse período, e que essas células foram capazes de se recuperar e reparar danos ao DNA quando retornaram à Terra.

O que torna a Deinococcus radiodurans uma das bactérias mais resistentes do planeta

A escolha da bactéria Deinococcus radiodurans não foi por acaso. Esse micro-organismo é conhecido por sua resistência excepcional a condições extremas, especialmente à radiação.

Em ambientes laboratoriais, essa bactéria já demonstrou capacidade de suportar níveis de radiação milhares de vezes superiores aos que seriam letais para seres humanos. Isso ocorre devido a um conjunto de mecanismos biológicos que permitem a reconstrução do DNA mesmo após danos severos.

Entre esses mecanismos está a presença de múltiplas cópias do genoma e sistemas altamente eficientes de reparo molecular. Isso permite que a bactéria reorganize fragmentos de DNA danificados e retome suas funções normais.

Essa capacidade de “reconstruir” o próprio material genético é o que faz da Deinococcus radiodurans um dos organismos mais estudados em astrobiologia.

Como foi montado o experimento das bactérias que sobreviveram 3 anos no espaço

No experimento Tanpopo, os cientistas não enviaram bactérias isoladas, mas sim agregados celulares compactados em pequenas “pelotas”. Essas estruturas foram projetadas para simular agrupamentos naturais de microrganismos que poderiam existir em poeira espacial ou superfícies planetárias.

As amostras foram fixadas em painéis externos da Estação Espacial Internacional, onde ficaram expostas diretamente ao ambiente espacial. Não havia proteção significativa contra radiação ou vácuo, o que torna o experimento particularmente relevante.

Experimental tools in the Tanpopo mission. (A) Sample plate (18 mm in diameter) with wells (2 mm in diameter) filled with deinococcal cells. Image (B) and cross-section (C) of an exposure unit. A metal mesh was placed at the top of the window to prevent scattering of accidentally broken windows. Wells of the upper sample plate were filled with deinococcal cells to different depths. The lower sample plate contained the dark control samples (modified from Kawaguchi et al., 2016). (D) Each exposure panel was comprised of 20 exposure units (modified from Kawaguchi et al., 2016). A1–A4: D. radioduras wild type R1 and mutant strains KH311, rec30, and UVS78, under MgF2 window. A5: D. aerius TR0125 under MgF2

Essas amostras permaneceram no espaço por períodos que chegaram a três anos, sendo posteriormente recuperadas e analisadas em laboratório. O objetivo era testar se a própria estrutura em camadas dessas pelotas poderia proteger células internas, criando uma espécie de escudo biológico natural.

O que significa sobreviver ao vácuo e à radiação do espaço

O ambiente espacial é extremamente hostil para qualquer forma de vida conhecida. O vácuo remove rapidamente a água das células, levando à desidratação total. Ao mesmo tempo, a ausência de atmosfera expõe os organismos a níveis elevados de radiação ultravioleta e cósmica.

Além disso, as temperaturas podem variar drasticamente, dependendo da exposição ao Sol, alternando entre calor intenso e frio extremo.

Sobreviver a essas condições por qualquer período já é um desafio significativo. No caso da Deinococcus radiodurans, a sobrevivência por anos indica uma resistência muito além do esperado para organismos terrestres.

Esse resultado mostra que, em determinadas condições, a vida pode persistir mesmo em ambientes considerados totalmente inóspitos.

O papel das pelotas de 500 micrômetros na sobrevivência das bactérias que sobreviveram 3 anos no espaço

Um dos achados mais importantes do estudo foi a relação entre a espessura das pelotas bacterianas e a taxa de sobrevivência.

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Os pesquisadores observaram que agregados com cerca de 500 micrômetros de espessura apresentaram maior sobrevivência, pois as camadas externas absorviam a maior parte da radiação, protegendo as células internas.

Esse efeito cria uma espécie de blindagem natural, onde a própria massa celular funciona como escudo contra condições extremas.

Esse mecanismo é fundamental para entender como microrganismos poderiam sobreviver durante viagens interplanetárias protegidos dentro de partículas de poeira ou fragmentos rochosos.

Reparação do DNA após o retorno das bactérias Deinococcus radiodurans à Terra

Após a recuperação das amostras, os cientistas reidrataram as bactérias e analisaram sua viabilidade. Os resultados mostraram que células sobreviventes foram capazes de retomar suas funções e iniciar processos de reparo do DNA.

Isso indica que, mesmo após anos de exposição a danos severos, os mecanismos internos da bactéria permanecem ativos o suficiente para restaurar sua estrutura genética.

Esse processo de reparo é essencial para a sobrevivência a longo prazo, pois a radiação causa quebras no DNA que, se não forem corrigidas, levam à morte celular.

A capacidade de voltar à vida e reparar o próprio DNA após exposição ao espaço é um dos pontos mais impressionantes do estudo.

O que isso muda na hipótese de panspermia

A hipótese de panspermia sugere que a vida pode se espalhar entre planetas através de meteoritos, poeira espacial ou outros mecanismos naturais. Embora essa ideia exista há décadas, experimentos como o Tanpopo fornecem evidências experimentais que ajudam a avaliar sua viabilidade.

Os resultados indicam que microrganismos podem sobreviver no espaço por períodos suficientemente longos para possibilitar viagens entre corpos celestes, especialmente dentro de estruturas que ofereçam algum nível de proteção.

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Isso não prova que a panspermia ocorre de fato, mas mostra que ela é fisicamente possível em determinadas condições.

A sobrevivência de bactérias no espaço fortalece a ideia de que a vida pode ser mais resiliente e distribuída do que se imaginava.

Implicações para exploração espacial e contaminação planetária

Os resultados do experimento também têm implicações importantes para missões espaciais. Se microrganismos terrestres conseguem sobreviver no espaço, existe o risco de contaminação de outros planetas por sondas e equipamentos enviados da Terra.

Esse cenário levanta preocupações sobre a chamada “proteção planetária”, que envolve evitar que a exploração espacial introduza vida terrestre em outros ambientes.

Por outro lado, entender como organismos sobrevivem no espaço pode ajudar no desenvolvimento de tecnologias para suporte à vida em missões de longa duração, incluindo viagens a Marte.

Limitações do estudo e o que ainda não se sabe sobre as Bactérias Deinococcus radiodurans

Embora os resultados sejam significativos, é importante destacar que o experimento foi realizado em órbita baixa da Terra, onde ainda existe alguma proteção parcial contra radiação mais intensa do espaço profundo.

Além disso, as bactérias estavam agrupadas em estruturas específicas, o que pode não refletir todas as condições possíveis em ambientes naturais.

Portanto, ainda há incertezas sobre como esses resultados se aplicariam a viagens interplanetárias de longa duração ou a ambientes mais extremos, como o espaço interestelar.

Isso significa que a sobrevivência observada é um indicativo forte, mas não uma confirmação definitiva de que a vida pode se espalhar facilmente pelo universo.

O papel da missão Tanpopo na astrobiologia

A missão Tanpopo é um dos projetos mais relevantes da astrobiologia moderna, pois busca responder uma das perguntas mais fundamentais da ciência: como a vida se origina e se distribui no universo.

Ao testar diretamente a sobrevivência de organismos no espaço, o projeto fornece dados concretos que ajudam a transformar hipóteses em evidências científicas.

Esses estudos também contribuem para a busca por vida fora da Terra, indicando quais tipos de organismos poderiam sobreviver em ambientes extraterrestres.

Você acredita que a vida pode viajar pelo espaço escondida em partículas microscópicas?

A sobrevivência da Deinococcus radiodurans no ambiente espacial levanta uma questão central sobre a origem e a distribuição da vida no universo. Se microrganismos conseguem resistir ao vácuo, à radiação e ao tempo, a possibilidade de transferência entre planetas deixa de ser apenas teórica.

Diante disso, você acredita que a vida na Terra pode ter vindo de outro lugar ou que esse tipo de resistência apenas mostra o quão adaptável a vida pode ser?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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