Estudo internacional aponta alta de até 60% na vazão em áreas alagáveis do baixo Amazonas, com risco de impactos sobre peixes, várzea, erosão, comunidades ribeirinhas e equilíbrio ecológico da região
A vazão do Amazonas cresceu de forma significativa em planícies de inundação e afluentes do baixo rio nas últimas décadas, com aumento de até 60% em áreas como o Lago Grande do Curuai, em Santarém. O estudo, feito por pesquisadores do Brasil, França e Reino Unido, alerta para impactos na biodiversidade, nas comunidades ribeirinhas e na floresta de várzea.
Vazão do Amazonas cresce mais nas áreas alagáveis
O rio Amazonas, reconhecido como o mais extenso e volumoso do planeta, passa por mudanças hidrológicas cada vez mais intensas.
A pesquisa analisou dados de 1970 a 2023 e identificou uma elevação importante no fluxo de água em planícies inundáveis do baixo Amazonas.
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O levantamento foi liderado pela hidróloga Alice Fassoni de Andrade, da Universidade de Brasília. A equipe usou imagens de satélite, medições de nível da água e modelos computacionais para reconstruir o comportamento do rio em quatro grandes planícies entre Manaus e Santarém.
Entre 2005 e 2023, a vazão média do Amazonas aumentou 4,7% em relação ao período anterior. Em algumas regiões, porém, o avanço foi muito maior.
No Lago Grande do Curuai, em Santarém, o crescimento chegou a 60%, percentual considerado surpreendente pelos pesquisadores.

Rio tem volume comparável aos maiores do mundo
Com cerca de 6.900 quilômetros de extensão, dos Andes peruanos até o oceano Atlântico, o Amazonas forma a maior bacia hidrográfica do planeta.
Em Óbidos, no Pará, a aproximadamente 800 quilômetros da foz, a vazão média chega a 160 mil metros cúbicos por segundo.
Esse volume é comparável à soma dos sete maiores rios do mundo. Durante parte do ano, as águas avançam sobre extensas áreas de várzea, levando sedimentos e nutrientes essenciais ao funcionamento dos ecossistemas amazônicos.
Nos últimos anos, os extremos ficaram mais frequentes. As enchentes históricas de 2009 e 2021 fizeram a vazão em áreas como a planície de Parintins passar de 40 mil metros cúbicos por segundo, quase igualando a vazão média do rio Congo, na África.
Tecnologia ajudou a medir mudanças no baixo Amazonas
Medir a vazão de um rio com as dimensões do Amazonas é uma tarefa complexa. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico monitora continuamente o nível do rio em diferentes estações, enquanto o Serviço Geológico do Brasil faz medições diretas algumas vezes por ano.
Essas medições usam equipamentos com ultrassom para calcular a velocidade da água em diferentes profundidades. A partir desses dados, os cientistas calibraram modelos capazes de estimar o fluxo das águas ao longo do tempo.
A equipe também desenvolveu um modelo hidrodinâmico detalhado de um trecho de 1.100 quilômetros do Amazonas.
A área analisada abrange quase 40 mil quilômetros quadrados. Em expedições realizadas em 2022, os pesquisadores mediram quase 17 mil metros cúbicos por segundo no Lago Grande do Curuai, valor semelhante ao do rio Mississippi.

Várzea pode sentir efeitos maiores que o rio principal
Os pesquisadores observaram que pequenas alterações na vazão do rio principal podem gerar mudanças muito maiores nas planícies inundáveis.
Isso ocorre porque essas áreas são rasas e reagem rapidamente a pequenas elevações no nível da água.
Com mais água circulando, a velocidade do escoamento aumenta. Esse processo pode intensificar erosão, transporte de sedimentos e alterações nos ecossistemas de várzea, que dependem do equilíbrio entre cheia, seca, vegetação e espécies aquáticas.
O ecólogo Leandro Castello alerta que peixes adaptados a águas mais calmas, como pirarucu, tucunaré e acará-açu, podem enfrentar dificuldades diante das novas condições hidrológicas. A vegetação da várzea também tem papel importante ao reduzir a força das correntezas.
Árvores e plantas aquáticas ajudam a diminuir os impactos das enchentes sobre comunidades ribeirinhas. Pesquisadores alertam, porém, que poucas áreas dessas florestas estão protegidas por unidades de conservação.
Os resultados reforçam projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que indicam intensificação de secas e cheias na Amazônia associada ao aquecimento global.
Cientistas defendem mais monitoramento das planícies inundáveis e políticas públicas para proteger a várzea e as populações que dependem do rio.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do estudo conduzido por pesquisadores do Brasil, França e Reino Unido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

Até há algum tempo os cientistas estavam dizendo que a humanidade iria sucumbir à falta de água.
Há décadas atrás lembro também que eles diziam que a guerras futuras seriam por águas potáveis. E passou-se os anos e o que vemos é que continua tendo água adoidado. E que as benditas terras raras está a disputa entre as grandes potências.