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Cientistas desenvolvem nova liga de alumínio permite reaproveitar até 350.000 toneladas anuais de sucata automotiva

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 22/01/2026 às 18:25
Nova liga RidgeAlloy reaproveita sucata automotiva de alumínio, reduz consumo de energia e pode substituir parte do alumínio primário nos EUA.
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Desenvolvida pelo Laboratório Nacional de Oak Ridge em apenas 15 meses, a liga RidgeAlloy permite transformar sucata automotiva de alumínio contaminada em componentes estruturais confiáveis, diante da previsão de até 350.000 toneladas anuais de chapas descartadas na América do Norte a partir da década de 2030

O Laboratório Nacional de Oak Ridge desenvolveu, em 15 meses, a liga RidgeAlloy, capaz de transformar sucata automotiva de alumínio contaminada em material estrutural confiável, diante da previsão de até 350.000 toneladas anuais de chapas descartadas na América do Norte e do impacto energético e industrial desse reaproveitamento.

Uma nova liga para um problema iminente da indústria automotiva

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge, ligado ao Departamento de Energia dos EUA, desenvolveram a liga RidgeAlloy para enfrentar o aumento esperado de sucata de carrocerias de alumínio nos próximos dez anos.

Grande parte dessa sucata apresenta níveis elevados de impurezas, o que inviabiliza seu uso direto em componentes automotivos de alto desempenho e reduz de forma significativa seu valor econômico no mercado interno.

A RidgeAlloy foi concebida para permitir que alumínio pós-consumo de baixa qualidade seja convertido em material adequado à produção de peças estruturais resistentes e confiáveis, criando uma cadeia de suprimentos nacional com maior valor agregado.

O alumínio integra a lista de materiais críticos do Departamento de Energia por seu papel essencial em tecnologias de geração, transporte, armazenamento e conservação de energia em larga escala.

Desenvolvimento acelerado e estratégia de design focada

A nova liga é produzida a partir da fusão de sucata de alumínio pós-consumo e sua refundição em uma formulação que atende aos padrões industriais de resistência, ductilidade e desempenho em colisões.

Segundo Allen Haynes, diretor do Programa Central de Metais Leves do ORNL, a equipe avançou do conceito teórico à demonstração em escala real em apenas 15 meses, um ritmo descrito como sem precedentes no desenvolvimento de ligas estruturais complexas.

Essa velocidade foi possível devido à longa trajetória do ORNL em pesquisa de ligas de alumínio e à aplicação de uma estratégia de design direcionada, que reduziu ciclos de tentativa e erro.

O processo demonstrou que é viável adaptar rapidamente uma formulação metálica para lidar com variações químicas típicas da sucata automotiva, mesmo diante de composições imprevisíveis.

O desafio crescente da sucata de veículos de alumínio

Veículos com elevado teor de alumínio começaram a ganhar escala no mercado americano por volta de 2015, com modelos como a Ford F-150 entre os primeiros produzidos em grande volume.

No início da década de 2030, muitos desses veículos chegarão ao fim de sua vida útil, gerando até 350.000 toneladas anuais de sucata de chapas de alumínio apenas na América do Norte.

Sem uma solução tecnológica adequada, grande parte desse material tende a ser rebaixada para aplicações de baixo valor, como peças fundidas simples, ou exportada, configurando uma perda econômica para a indústria nacional.

Alex Plotkowski, líder do grupo de Física Computacional Acoplada do ORNL, explica que o alumínio pós-consumo pode ser reaproveitado em aplicações não estruturais, mas não atende aos requisitos de resistência necessários para carrocerias e componentes críticos.

Contaminação e dependência do alumínio primário

O principal obstáculo técnico está na contaminação do material reciclado durante o processo de trituração de veículos, quando a sucata absorve ferro de fixadores e outros componentes mistos.

Essas impurezas resultam em composições químicas instáveis e frágeis, incompatíveis com ligas estruturais comerciais utilizadas em veículos modernos.

Como consequência, a maior parte das peças automotivas de alta resistência continua a depender do alumínio primário, produzido a partir de minério bruto e com elevado consumo energético.

Esse cenário reforça a dependência de importações e amplia custos ambientais e industriais, em um contexto de aumento da oferta de sucata interna.

Da sucata à cadeia de suprimentos nacional

Embora o alumínio primário seja majoritariamente importado, os Estados Unidos possuem uma das infraestruturas mais avançadas do mundo para trituração de veículos e recuperação de sucata metálica.

Segundo Amit Shyam, líder do Grupo de Comportamento e Design de Ligas do ORNL, o uso de sucata refundida em vez de alumínio primário pode reduzir em até 95% a energia necessária para processar uma peça.

Para viabilizar esse reaproveitamento em escala estrutural, a equipe recorreu a computação de alto desempenho, realizando mais de dois milhões de cálculos para prever composições ideais da liga.

Esses cálculos permitiram ajustar propriedades específicas, como resistência mecânica e ductilidade, mesmo na presença de níveis elevados de ferro e silício.

Ferramentas avançadas e validação experimental

Além da modelagem computacional, os pesquisadores utilizaram caracterização de materiais e difração de nêutrons na Fonte de Nêutrons de Espalação do ORNL, uma instalação de usuários do Departamento de Energia.

Os nêutrons permitiram observar estruturas internas e mudanças em escala atômica sem danificar o material, possibilitando entender como impurezas específicas afetam o comportamento da liga.

Após a definição da composição ideal, a RidgeAlloy foi testada em ambiente industrial real, confirmando a viabilidade da abordagem fora do laboratório.

A empresa Trialco Aluminum, do Grupo PSW, em Chicago, forneceu lingotes reciclados fundidos a partir de sucata de chapas de carroceria, adaptados às especificações da nova liga.

Testes industriais e primeiras peças fundidas

Os lingotes foram enviados para a Falcon Lakeside Manufacturing, em Michigan, onde foram fundidos com sucesso em peças automotivas por meio de fundição sob pressão.

A peça escolhida para o teste tinha tamanho médio e complexidade moderada, servindo como prova de conceito para aplicações mais ambiciosas no futuro.

Plotkowski afirmou que o objetivo final é fundir peças maiores, possivelmente componentes de grandes dimensões para a indústria automotiva, mas que este representa apenas o primeiro passo.

As peças produzidas confirmaram que a RidgeAlloy mantém desempenho adequado mesmo quando fabricada com misturas recicladas contendo maiores teores de ferro e silício.

Propriedades e aplicações estruturais

Composta por alumínio, magnésio, silício, ferro e manganês, a RidgeAlloy combina resistência mecânica, resistência à corrosão e ductilidade.

Essas propriedades permitem a produção de peças fundidas estruturais para assoalhos, componentes de chassi e outros elementos críticos de veículos.

A inovação altera a lógica de valor da triagem e reutilização da sucata de chapas de carroceria na América do Norte, elevando o potencial econômico do material reciclado.

O avanço também reduz a necessidade de alumínio primário, diminuindo custos energéticos e pressões sobre cadeias globais de suprimento, com impacto indusrial relevante.

Impacto projetado para a próxima década

No início da década de 2030, a RidgeAlloy poderá viabilizar a produção de peças estruturais recicladas em volumes equivalentes a pelo menos metade da produção anual de alumínio primário nos Estados Unidos.

Esse volume representa uma mudança significativa no balanço energético e industrial do setor, com redução de consumo de energia, queda de custos e fortalecimento da cadeia nacional.

Allen Haynes afirmou que a tecnologia permite recuperar o valor de uma onda iminente de ligas recicladas de alta qualidade destinadas à indústria automotiva.

Segundo ele, esse efeito amplo na cadeia de suprimentos era o impacto pretendido pela equipe desde o início do projeto.

Expansão para outros setores industriais

Além da indústria automotiva, a RidgeAlloy apresenta potencial para aplicações em máquinas industriais, equipamentos agrícolas e setor aeroespacial.

Outros usos possíveis incluem equipamentos móveis de geração de energia, veículos todo-o-terreno como motos de neve e motocicletas, além de aplicações marítimas, como jet skis.

O financiamento da pesquisa foi realizado pelo Escritório de Eficiência Energética e Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA, por meio do Programa de Metais Leves do Escritório de Tecnologias de Veículos.

O desenvolvimento da RidgeAlloy ocorreu no âmbito do Programa Principal de Metais Leves do Escritório de Tecnologias Veiculares, com uma equipe multidisciplinar do ORNL dedicada à inovação em materiais estruturais leves.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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