Vômito fossilizado com 50 milhões de anos encontrado na Formação Morrison, em Utah, contém ossos de rãs e salamandras e registra interação direta entre predadores e presas em um ecossistema antigo preservado de forma excepcional
Paleontólogos identificaram em Utah um vômito fossilizado com cerca de 50 milhões de anos, contendo ossos de anfíbios, achado raro na Formação Morrison que amplia evidências diretas sobre cadeias alimentares antigas e comportamentos defensivos preservados.
Paleontólogos que atuam no estado de Utah anunciaram a identificação de uma pilha de vômito fossilizado com 50 milhões de anos, preservada na Formação Morrison, área conhecida mundialmente por fósseis associados ao período Jurássico.
O material analisado contém restos ósseos de anfíbios pré-históricos, como rãs e salamandras, indicando que essas espécies habitavam ambientes de água doce na região no passado geológico registrado pelo depósito.
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Segundo os pesquisadores, o vômito fossilizado oferece evidências diretas de relações alimentares antigas, permitindo observar interações entre predadores e presas de forma incomum no registro fóssil tradicional, geralmente limitado a ossos dispersos.
Achado raro em um sítio conhecido por plantas e dinossauros
A Formação Morrison se estende por áreas do oeste dos Estados Unidos e é historicamente associada a fósseis de dinossauros e vegetais, tornando a presença concentrada de ossos de pequenos vertebrados um evento excepcional.
James Kirkland, paleontólogo e coautor do estudo, afirmou que ficou particularmente entusiasmdo com o achado, destacando a raridade de locais com plantas do Jurássico Superior preservadas juntamente com evidências diretas de fauna associada.
De acordo com Kirkland, a equipe agora planeja dissecar cuidadosamente o local, buscando identificar outros vestígios menores preservados entre a folhagem fossilizada, que podem ampliar a compreensão ambiental do sítio.
John Foster, outro coautor do estudo, explicou que normalmente não são encontrados restos de animais nesse ponto específico da Formação Morrison, apenas plantas, tornando a concentração óssea observada um dado inédito para a área.
Foster ressaltou que os ossos não estavam espalhados entre as rochas, mas reunidos em um único ponto, representando os primeiros registros desse tipo já documentados naquele setor do depósito geológico.
Indícios de comportamento defensivo em peixes antigos
O estudo, publicado na revista Palaios, indica que o vômito provavelmente foi expelido por um peixe-arco, espécie conhecida por regurgitar alimento como estratégia defensiva diante de predadores.
O conteúdo regurgitado inclui restos de rãs e salamandras, sugerindo que esses anfíbios serviam como presas habituais, compondo uma cadeia alimentar semelhante à observada em ecossistemas atuais.
Foster, que também dirige o museu de história natural do parque estadual de Utah, afirmou que três animais envolvidos nessa interação ainda existem hoje, demonstrando continuidade nos padrões ecológicos ao longo do tempo geológico.
A dinâmica predador-presa registrada nesse vômito fossilizado encerra o achado ao fornecer um raro retrato preservado de interações biológicas antigas, complementando dados obtidos por fósseis isolados e camadas sedimentares.
