Estudo publicado em 20 de janeiro de 2026 na revista Nature Communications Earth & Environment revela inversões do campo magnético da Terra com duração de até 70.000 anos há cerca de 40 milhões de anos
O campo magnético da Terra apresentou inversões que duraram até 70.000 anos há cerca de 40 milhões de anos, segundo estudo publicado em 20 de janeiro de 2026, reformulando o entendimento científico sobre a duração e a dinâmica dessas transições geomagnéticas.
Inversões do campo magnético da Terra e nova cronologia identificada
O campo magnético da Terra é gerado pela circulação de ferro e níquel líquidos no núcleo externo, que produzem correntes elétricas responsáveis por um escudo magnético global. Esse escudo protege o planeta da radiação solar e de partículas nocivas vindas do espaço.
Periodicamente, os polos magnéticos norte e sul trocam de posição em eventos chamados inversões geomagnéticas. Essas transições geralmente se desenrolam ao longo de vários milhares de anos, com enfraquecimento do campo, comportamento errático e deslocamento dos polos antes da estabilização.
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Nos últimos 170 milhões de anos, foram documentadas cerca de 540 inversões estáticas, muitas das quais acreditava-se levar aproximadamente 10.000 anos para se completar. No entanto, o novo estudo indica que algumas inversões seguiram ritmos muito diferentes.
A pesquisa identificou exemplos de cerca de 40 milhões de anos atrás em que a transição se estendeu por períodos muito mais longos, em alguns casos superando 70.000 anos. Essa cronologia ampliada altera a forma como os cientistas interpretam o comportamento do campo magnético da Terra ao longo do tempo geológico.
Impactos potenciais na vida e no clima durante fases prolongadas
Fases prolongadas de enfraquecimento do campo magnético da Terra são relevantes porque o campo atua como filtro planetário. Quando enfraquece, mais partículas carregadas podem atingir a alta atmosfera, alterando reações químicas e modificando a dinâmica energética do sistema climático.
Segundo Peter Lippert, professor associado do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade de Utah, longos períodos de blindagem geomagnética reduzida provavelmente influenciaram a química atmosférica, processos climáticos e a evolução dos organismos vivos.
Lippert afirmou que a proteção contra radiação do espaço sideral é uma das funções centrais do campo magnético. O aumento da radiação solar pode alterar a capacidade de navegação de organismos e elevar taxas de mutação genética, além de possibilitar erosão atmosférica.
Perfuração no Atlântico Norte e registro do Eoceno
Os resultados foram publicados na Nature Communications Earth & Environment. O autor principal é Yuhji Yamamoto, da Universidade de Kochi.
A pesquisa se baseou em trabalho realizado durante uma expedição científica de perfuração no Atlântico Norte em 2012, como parte da Expedição 342 do Programa Integrado de Perfuração Oceânica.
O projeto focou na reconstrução das condições climáticas do Eoceno, período entre 56 e 34 milhões de anos atrás. Durante dois meses, os pesquisadores perfuraram o fundo do mar ao largo da Terra Nova, recuperando núcleos de sedimentos a profundidades de até 300 metros.
Esses depósitos preservam registros detalhados do passado geológico. Uma camada de 8 metros de espessura chamou atenção por aparentar registrar inversões geomagnéticas prolongadas com alto nível de detalhe.
Decifrando o magnetismo ancestral preservado nos sedimentos
Como paleomagnetistas, Yamamoto e Lippert mediram a direção e a intensidade da magnetização preservada nos núcleos. Minúsculos cristais de magnetita produzidos por microrganismos antigos, além de poeira continental, registraram a polaridade do campo magnético da Terra no momento da deposição.
Lippert explicou que as inversões individuais não duram o mesmo período, criando um código de barras magnético único. As direções preservadas podem ser correlacionadas com a escala de tempo geológico.
Ao analisar dados do Eoceno, Yamamoto percebeu intervalos de polaridade muito estável intercalados por um período prolongado de polaridade instável. O intervalo entre as polaridades opostas se estendia por muitos centímetros no registro sedimentar.
Inicialmente, os pesquisadores descartaram a hipótese de simples inversão de camada. Amostras adicionais foram coletadas com espaçamento de apenas alguns centímetros para capturar a história com alta resolução.
Análises realizadas ao longo de vários anos confirmaram que o registro refletia mudanças reais no campo magnético da Terra. Foram construídas linhas do tempo de alta precisão para duas inversões, uma com duração de 18.000 anos e outra de 70.000 anos.
Modelos computacionais do geodínamo no núcleo externo já indicavam que a duração das inversões varia. Muitas seriam curtas, mas transições longas ocasionais poderiam alcançar até 130.000 anos.
Segundo o estudo, o geomagnetismo terrestre pode sempre ter apresentado essa característica imprevisível, mas os cientistas não haviam captado esse comportamento nas rochas até agora. A descoberta foi considerada extraordinariamente prolongada e desafiou o entendimento convencionl sobre o tema.
O trabalho foi financiado pela Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre e pela Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência. A pesquisa reforça que o campo magnético da Terra não é fixo e pode apresentar variações mais extensas do que se supunha anteriromente.

Ponta cabeça? Onde tá a Ponta Onde está a cabeça? O nome é inversão.
Acredito que no futuro, possam, a medida que novas descobertas sejam possíveis, esclarecer ou aumentar as incertezas, pois a vastidão do universo pode esconder respostas a essa indagação
Excelente investigación. El núcleo central de la tierra está compuesto por oxígeno sólido con temperatura cercana al cero absoluto. El libro “El Interior de la tierra” de Raúl Caicedo Astudillo explica los cambios de polaridad y por qué suceden.