Projeto inovador revela os desafios do hidrogênio no transporte público. Entenda por que os ônibus movidos a hidrogênio, vistos como promessa ecológica para o transporte sustentável, enfrentaram um grande desafio logístico.
A transição energética no transporte público tem sido uma das principais estratégias adotadas por cidades que buscam reduzir emissões de carbono e melhorar a qualidade do ar. Entre as soluções consideradas mais promissoras nos últimos anos estão os ônibus movidos a hidrogênio, tecnologia que utiliza células de combustível para gerar eletricidade e que libera apenas vapor de água como subproduto.
Essa característica fez com que o hidrogênio fosse apontado como uma promessa ecológica capaz de transformar o transporte urbano em um modelo de transporte sustentável. No entanto, a experiência de uma cidade europeia revelou que a adoção dessa tecnologia pode enfrentar obstáculos importantes, especialmente quando a infraestrutura ainda é limitada.
Segundo matéria publicada pelo portal Xataka Brasil no dia 16 de março, a cidade escocesa de Aberdeen tornou-se um exemplo emblemático dessa realidade. Em 2021, o município introduziu 25 ônibus movidos a hidrogênio em sua rede de transporte público. Os veículos eram os primeiros ônibus de dois andares do mundo a utilizar essa tecnologia, o que colocou a cidade no centro das discussões sobre inovação em mobilidade.
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Cinco anos depois, porém, o projeto chegou ao fim. A prefeitura decidiu vender os veículos e substituí-los por ônibus elétricos a bateria. O motivo foi um problema inesperado: os ônibus ficaram fora de operação por mais de um ano e meio, pois não havia como reabastecê-los. Sem infraestrutura funcionando, a tecnologia que prometia revolucionar o transporte urbano acabou se transformando em um complexo desafio logístico.
Ônibus movidos a hidrogênio surgem como aposta para transporte sustentável nas cidades
Os ônibus movidos a hidrogênio utilizam células de combustível para converter o hidrogênio em eletricidade. Essa eletricidade alimenta o motor elétrico do veículo, permitindo que ele se mova sem emitir poluentes atmosféricos durante a operação.
O único subproduto gerado nesse processo é vapor de água, o que torna a tecnologia extremamente atraente para cidades que buscam reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar.
Nos últimos anos, governos e instituições internacionais passaram a estudar o hidrogênio como alternativa para descarbonizar setores difíceis de eletrificar, como transporte pesado, indústria e logística.
Nesse contexto, o uso de hidrogênio em ônibus urbanos passou a ser visto como uma importante promessa ecológica para acelerar a transição energética no transporte público.
Aberdeen decidiu apostar nessa tecnologia como parte de uma estratégia mais ampla de inovação energética. O objetivo era transformar a cidade em um polo de desenvolvimento do hidrogênio e demonstrar que o transporte sustentável poderia ser alcançado com novas soluções tecnológicas.
Projeto com 25 ônibus movidos a hidrogênio coloca Aberdeen como referência em inovação
O lançamento da frota de 25 ônibus movidos a hidrogênio em 2021 representou um marco tecnológico importante. Os veículos eram os primeiros ônibus de dois andares do mundo equipados com células de combustível de hidrogênio.
A iniciativa fazia parte de um plano municipal mais amplo que buscava ampliar o uso do hidrogênio em diferentes serviços urbanos. Além dos ônibus, a cidade também utilizava veículos como caminhões de lixo movidos pelo mesmo combustível.
Para viabilizar a operação da frota, Aberdeen firmou parceria com a empresa de energia BP. O acordo previa a construção de dois postos de abastecimento de hidrogênio, que seriam responsáveis por fornecer o combustível necessário para os veículos.
A expectativa era que essa infraestrutura permitisse que os ônibus operassem regularmente e que o projeto servisse como modelo para outras cidades interessadas em adotar o hidrogênio no transporte público.
Durante o lançamento, o projeto foi apresentado como uma grande promessa ecológica, capaz de demonstrar que o hidrogênio poderia substituir combustíveis fósseis em sistemas urbanos de mobilidade.
Falhas na infraestrutura transformam promessa ecológica em grande desafio logístico
Apesar do entusiasmo inicial, a operação da frota começou a enfrentar problemas alguns anos após o lançamento. Os ônibus movidos a hidrogênio dependiam totalmente dos postos de abastecimento construídos na cidade. Quando essas instalações deixaram de funcionar adequadamente, os veículos ficaram sem acesso ao combustível.
Segundo informações divulgadas posteriormente, os ônibus estão fora de serviço desde setembro de 2024, pois os postos de abastecimento da BP e da prefeitura não estavam operacionais.
Sem a possibilidade de reabastecimento e sem alternativas disponíveis, os veículos não puderam continuar circulando. O resultado foi uma frota inteira parada nas garagens da cidade.
A situação se prolongou por mais de um ano e meio, período em que a prefeitura precisou lidar com custos e com a frustração de um projeto que havia sido apresentado como símbolo de inovação. Esse episódio demonstra como uma tecnologia promissora pode enfrentar um grande desafio logístico quando depende de infraestrutura limitada.
Cadeia de abastecimento do hidrogênio ainda representa desafio logístico para o transporte sustentável
Outro fator que contribuiu para as dificuldades enfrentadas pelo projeto foi a complexidade da cadeia de abastecimento do hidrogênio. Produzir, armazenar e transportar hidrogênio exige infraestrutura específica e investimentos elevados. Diferentemente da eletricidade, que já possui redes consolidadas em praticamente todos os países, o hidrogênio ainda depende de sistemas de distribuição bastante restritos.
Além disso, o hidrogênio precisa ser comprimido ou liquefeito para ser transportado e armazenado com segurança, o que aumenta os custos operacionais. Quando se trata do chamado hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis, os custos podem ser ainda maiores. Essas características fazem com que a adoção em larga escala dessa tecnologia ainda enfrente um grande desafio logístico, principalmente quando comparada a outras soluções de transporte sustentável já mais consolidadas.
Avanço dos ônibus elétricos muda cenário do transporte sustentável urbano
Enquanto o projeto baseado em hidrogênio enfrentava dificuldades, os ônibus elétricos a bateria evoluíram rapidamente. Nos últimos anos, os avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento de veículos com maior autonomia e tempos de recarga menores. Muitos modelos atuais conseguem operar durante todo o dia e recarregar durante a noite nas garagens.
Esse progresso tornou os ônibus elétricos uma alternativa cada vez mais atraente para cidades que buscam implementar sistemas de transporte sustentável. Outro ponto importante é que a infraestrutura de recarga elétrica tende a ser mais simples e barata de instalar do que postos de abastecimento de hidrogênio.
Além disso, os custos de manutenção dos ônibus elétricos geralmente são menores, pois os motores elétricos possuem menos componentes mecânicos em comparação com motores a combustão ou sistemas de célula de combustível.
Cidade decide vender 25 ônibus movidos a hidrogênio e migrar para tecnologia elétrica
Diante das dificuldades enfrentadas e do avanço da mobilidade elétrica, a prefeitura de Aberdeen decidiu encerrar o experimento com hidrogênio. Após suportar mais de um ano e meio com os veículos parados, a cidade anunciou que venderia os 25 ônibus movidos a hidrogênio que faziam parte da frota municipal. Esses veículos serão substituídos gradualmente por ônibus elétricos a bateria, que precisam apenas de infraestrutura de recarga elétrica para operar.
A transição será realizada inicialmente com colaboração da empresa BP, que havia participado da implementação do projeto de hidrogênio. A decisão reflete uma mudança estratégica baseada na evolução das tecnologias de mobilidade elétrica e nas dificuldades enfrentadas pela cadeia de abastecimento do hidrogênio.
Experiência de Aberdeen revela desafios reais da mobilidade limpa
O caso de Aberdeen mostra que a transição para sistemas de transporte sustentável envolve muito mais do que apenas escolher tecnologias inovadoras. Projetos baseados em ônibus movidos a hidrogênio podem oferecer benefícios ambientais significativos, mas também exigem infraestrutura robusta e cadeias logísticas bem estruturadas.
Sem esses elementos, até mesmo uma grande promessa ecológica pode acabar enfrentando obstáculos operacionais significativos. Ao mesmo tempo, o avanço dos ônibus elétricos demonstra como o setor de mobilidade limpa está evoluindo rapidamente. Tecnologias que conseguem reduzir custos e simplificar a infraestrutura tendem a ganhar espaço mais rapidamente.
A experiência da cidade escocesa mostra que inovação, planejamento e infraestrutura precisam caminhar juntos para que soluções de mobilidade sustentável possam realmente funcionar em larga escala.


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