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Cidade africana abandona carros, transforma avenidas em corredores verdes, adota ônibus elétricos e ciclovias em massa e vira laboratório urbano de como zerar emissões no mundo em desenvolvimento

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 22/01/2026 às 10:54
Cidade africana abandona carros, transforma avenidas em corredores verdes, adota ônibus elétricos e ciclovias em massa e vira laboratório urbano de como zerar emissões no mundo em desenvolvimento
Em uma capital da África, o governo local realizou um redesenho da mobilidade com três pilares para zerar emissões no transporte, provocando menos poluição e chamando atenção de moradores, especialistas e gestores públicos.
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Em uma capital da África, o governo local realizou um redesenho da mobilidade com três pilares para zerar emissões no transporte, provocando menos poluição e chamando atenção de moradores, especialistas e gestores públicos.

Durante décadas, grandes cidades africanas cresceram rápido demais. O resultado apareceu nas ruas: avenidas tomadas por carros usados, poluição intensa e congestionamentos que pareciam não ter fim.

Ao mesmo tempo, a crise climática apertou. Ondas de calor, enchentes e seca passaram a afetar diretamente a vida de milhões de pessoas no continente.

Nesse cenário, uma capital africana decidiu inverter a lógica urbana. A proposta é simples de entender e difícil de executar: reduzir o espaço dos carros e abrir caminho para ônibus elétricos, ciclovias e corredores verdes, com a ambição de zerar emissões do transporte urbano em poucas décadas.

A apuração foi publicada por ICLEI Africa, rede internacional de governos locais sustentáveis, ao detalhar estratégias de mobilidade limpa e descarbonização em cidades africanas.

De cidade engarrafada a laboratório de mobilidade limpa em poucos anos

O ponto de partida foi um diagnóstico duro: o transporte rodoviário estava entre os maiores responsáveis pela poluição do ar e pelas emissões de gases de efeito estufa.

A presença de carros antigos, importados de segunda mão, com queima de diesel e gasolina de má qualidade, fez o ar ficar irrespirável em muitos bairros. Com isso, aumentaram as doenças respiratórias e os custos para a saúde pública.

Foi a partir desse cenário que a cidade passou a tratar mobilidade como prioridade climática e também como tema de saúde e orçamento.

O plano que mudou as ruas, corredores exclusivos, ciclovias contínuas e menos dependência do carro

A reviravolta foi organizada em três pilares centrais. O primeiro mira corredores exclusivos para ônibus elétricos em eixos estruturantes, para transportar mais gente em menos espaço.

O segundo pilar cria uma rede contínua de ciclovias e calçadas largas para pedestres, com a intenção de tornar caminhar e pedalar opções reais no dia a dia.

O terceiro é o mais sensível: reduzir gradualmente a dependência do carro particular, usando restrições, tarifas e alternativas mais baratas de transporte.

Nesse pacote, organizações internacionais voltadas a cidades sustentáveis também entram como apoio técnico, reforçando que mobilidade elétrica e transporte coletivo de alta capacidade são caminhos rápidos para descarbonizar áreas urbanas no continente.

Ônibus elétricos saem do piloto e viram símbolo, menos ruído, menos poluição local e menos combustível importado

O coração da mudança está na frota de ônibus elétricos. O movimento começou timidamente em linhas piloto, mas agora segue para percursos longos e com grande demanda.

A troca de veículos a diesel por ônibus movidos a eletricidade trouxe efeitos visíveis: menos ruído nas avenidas, corte de emissões locais de poluentes e início da redução no consumo de combustíveis fósseis importados, que pressionavam as contas públicas.

Além do meio ambiente, existe um componente econômico que chama atenção. Mesmo com investimento inicial mais alto, o custo de manutenção e de combustível tende a ser menor ao longo do tempo, sobretudo quando a energia vem de fontes limpas locais, como solar e eólica.

Etiópia e outros países já definem metas, e até restringem importação de veículos a combustão

As informações foram divulgadas por NovaCana, portal brasileiro de notícias sobre energia, ao apontar que países como Etiópia, Quênia, Nigéria e África do Sul já estão definindo metas formais para descarbonizar o transporte.

O foco, segundo esses relatos, inclui ônibus elétricos, corredores verdes e integração com energia renovável. E o detalhe que mais chamou atenção é que, em alguns casos, como na Etiópia, a importação de veículos a combustão está sendo restringida para acelerar a virada rumo a uma frota eletrificada.

Na prática, isso muda o ritmo da transição, porque mexe diretamente na entrada de carros tradicionais no mercado e empurra o sistema para alternativas elétricas.

Corredores verdes viram mais que faixa de ônibus, sombra, conforto térmico e comércio de bairro aquecido

O conceito de corredor verde vai além de pintar uma faixa no asfalto. Nos principais eixos, a proposta combina faixas exclusivas para ônibus elétricos de alta capacidade com pontos de parada mais estruturados, que podem ter cobertura, iluminação eficiente e, em alguns casos, painéis solares no teto.

Outro ponto central está nas árvores plantadas em sequência, formando túneis de sombra, além de calçadas largas e acessíveis conectadas a ciclovias contínuas.

Defensores do transporte sustentável tratam esse tipo de solução como relativamente mais barata e rápida de implantar quando comparada a metrôs e grandes obras subterrâneas. E há um efeito urbano que costuma vir junto: mais gente circulando a pé, mais conforto para caminhar ou pedalar e estímulo ao comércio de bairro.

Menos privilégios ao carro, tarifas, ruas de pedestres e restrições a veículos antigos entram no jogo

Para os corredores verdes e os ônibus elétricos funcionarem de verdade, a cidade precisou encarar o lado impopular da equação: reduzir privilégios do carro.

Entre medidas adotadas ou estudadas em diversas capitais africanas estão tarifas de estacionamento mais altas em áreas centrais, ruas de pedestres permanentes em regiões históricas e restrições graduais à circulação de veículos muito antigos e mais poluentes. Também aparece a integração tarifária entre ônibus, bicicletas públicas e, em alguns casos, trens urbanos.

Relatórios do ICLEI Africa, rede internacional de governos locais sustentáveis, destacam que recuperar espaço viário para pedestres e ciclistas é essencial para romper o ciclo de mais carros, mais congestionamento e mais emissões.

Quando as ruas deixam de ser desenhadas só para automóveis, surgem praças, ciclovias, faixas de ônibus e áreas verdes, o que aumenta a qualidade de vida e ajuda a reduzir desigualdades, já que a maioria da população urbana depende do transporte coletivo.

No fim, o impacto climático também pesa no simbolismo. O transporte é um dos setores mais difíceis de descarbonizar, por envolver milhões de veículos, hábitos consolidados e cadeias globais de combustíveis fósseis.

Por isso, ver uma cidade africana apostar em ônibus elétricos, corredores verdes e redes cicláveis amplas mostra que transições profundas também podem acontecer no chamado Sul Global, alinhadas à meta do Acordo de Paris e a agendas globais de sustentabilidade.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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