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O fantasma espacial de quase 8 toneladas: ESA perdeu contato com o Envisat, o maior satélite civil de observação da Terra, e deixou um colosso morto vagando sem comando acima do planeta

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 15/06/2026 às 21:18
Atualizado em 15/06/2026 às 21:19
Assista o vídeoO Envisat, maior satélite civil de observação da Terra já construído, perdeu contato com a ESA em 2012 e continua orbitando como lixo espacial.
Foto: European Space Agency, ESA/Reprodução
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O Envisat, maior satélite civil de observação da Terra já construído, perdeu contato com a ESA em 2012 e continua orbitando como lixo espacial.

Em abril de 2012, um dos equipamentos científicos mais importantes já colocados em órbita simplesmente ficou em silêncio. O Envisat, satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) lançado em 2002 para monitorar oceanos, atmosfera, geleiras, florestas e mudanças climáticas, deixou de responder aos comandos enviados da Terra e transformou-se em um dos maiores objetos inativos já abandonados no espaço. A própria ESA confirmou que o último contato ocorreu em 8 de abril de 2012.

O desaparecimento operacional do satélite chamou atenção porque o Envisat não era um equipamento comum. A ESA o descreve como o maior satélite de observação da Terra já construído na Europa, enquanto o Guinness World Records o reconhece como o maior satélite inativo em órbita, com 7.911 kg de massa seca e cerca de 26 metros de comprimento em sua maior dimensão. Mais de uma década após a perda de contato, ele continua circulando o planeta sem qualquer controle humano.

O que era o Envisat e por que ele se tornou tão importante

Lançado em 1º de março de 2002 por um foguete Ariane 5 a partir da Guiana Francesa, o Envisat foi criado para ampliar a capacidade europeia de monitoramento ambiental. Equipado com um conjunto de instrumentos ópticos e radares, o satélite observava continuamente oceanos, continentes, atmosfera, geleiras e áreas agrícolas.

Os dados produzidos ajudaram cientistas a acompanhar mudanças climáticas, poluição atmosférica, desmatamento, circulação oceânica e diversos fenômenos ambientais.

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Segundo a ESA, a missão originalmente deveria durar cinco anos. No entanto, o desempenho do satélite foi tão bem-sucedido que ele continuou operando por aproximadamente uma década, ultrapassando em cerca de cinco anos sua vida útil planejada. Durante esse período, produziu milhares de imagens e uma enorme quantidade de informações científicas utilizadas por pesquisadores de diversos países.

Em janeiro de 2004, a ESA informou que o Envisat já havia completado 10 mil órbitas ao redor da Terra, percorrendo aproximadamente 450 milhões de quilômetros desde o lançamento. O satélite viajava a mais de 7 quilômetros por segundo, completando uma volta ao planeta a cada cerca de 100 minutos.

O dia em que o maior satélite europeu simplesmente ficou em silêncio

O problema surgiu em 8 de abril de 2012, quando controladores da ESA deixaram de receber transmissões do satélite durante uma passagem sobre a estação terrestre de Kiruna, na Suécia. Equipes de engenharia iniciaram imediatamente procedimentos de emergência para tentar restabelecer as comunicações.

O Envisat, maior satélite civil de observação da Terra já construído, perdeu contato com a ESA em 2012 e continua orbitando como lixo espacial.
Envisat, o maior satélite civil de observação da Terra

Especialistas da agência espacial passaram semanas tentando recuperar o controle da espaçonave. Radares terrestres e até outros satélites foram utilizados para observar o Envisat e verificar se havia sinais visíveis de danos estruturais. Apesar dos esforços, nenhuma tentativa conseguiu restaurar o contato.

Diante do fracasso das operações de recuperação, a ESA declarou oficialmente o encerramento da missão em 9 de maio de 2012. A agência confirmou que o satélite permanecia em órbita estável, mas completamente incapaz de receber comandos ou transmitir informações.

Como um colosso de 8 toneladas virou um dos maiores lixos espaciais da história

A perda do Envisat criou um problema que continua preocupando especialistas em segurança espacial. Diferentemente de satélites modernos, ele não conseguiu executar uma manobra controlada de retirada de órbita antes de ser perdido. Como resultado, permaneceu circulando a Terra em uma das regiões mais movimentadas do espaço próximo ao planeta.

Segundo análises divulgadas pela ESA, o satélite pode permanecer em órbita por cerca de 150 anos antes de reentrar naturalmente na atmosfera. Durante esse período, existe o risco de colisões com outros satélites ou fragmentos de lixo espacial. Uma colisão envolvendo um objeto de quase oito toneladas poderia gerar milhares de novos fragmentos orbitais.

O Envisat, maior satélite civil de observação da Terra já construído, perdeu contato com a ESA em 2012 e continua orbitando como lixo espacial.
Foto: European Space Agency, ESA/Reprodução

O problema é tão relevante que o Envisat frequentemente aparece em estudos sobre o chamado Síndrome de Kessler, cenário teórico em que colisões espaciais produzem cascatas de detritos capazes de tornar determinadas órbitas extremamente perigosas para futuras missões.

O legado científico deixado pelo satélite fantasma da ESA

Embora seu fim tenha sido repentino, o impacto científico do Envisat permanece significativo. A ESA destaca que o satélite forneceu uma quantidade enorme de dados ambientais durante seus dez anos de operação, contribuindo para pesquisas sobre clima, oceanografia, qualidade do ar, cobertura vegetal e dinâmica das calotas polares.

O sucesso da missão também ajudou a abrir caminho para a geração seguinte de satélites europeus de observação da Terra.

Diversas funções anteriormente desempenhadas pelo Envisat foram posteriormente assumidas pelos satélites do programa Sentinel, que hoje formam a espinha dorsal do sistema europeu de monitoramento ambiental Copernicus.

Mais de uma década após sua morte operacional, o Envisat continua cruzando silenciosamente os céus. Sem responder a qualquer comando e sem produzir novos dados, o antigo orgulho da engenharia espacial europeia transformou-se em algo raro: um gigantesco fantasma tecnológico de quase oito toneladas que ainda orbita a Terra todos os dias, lembrando os desafios que o lixo espacial representa para o futuro da exploração espacial.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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