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Com árvores morrendo pela seca, adolescente chinês de 14 anos viajava 30 km para enterrar tubos de aço no solo árido e criou sistema sem energia que transforma umidade do ar em gotas subterrâneas para irrigar mudas; invenção venceu ouro na Alemanha entre mais de 540 projetos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 02/07/2026 às 23:54 Atualizado em 02/07/2026 às 23:56
Adolescente chinês cria sistema sem energia que transforma umidade do ar em gotas subterrâneas para irrigar mudas em áreas secas da China. (Imagem: Reprodução)
Adolescente chinês cria sistema sem energia que transforma umidade do ar em gotas subterrâneas para irrigar mudas em áreas secas da China. (Imagem: Reprodução)
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Um projeto escolar desenvolvido no norte da China levou uma solução simples de irrigação a uma feira internacional, em meio ao desafio de manter mudas vivas em áreas secas e degradadas.

O estudante chinês Jia Mingxuan, de 14 anos, desenvolveu um dispositivo automático para auxiliar a irrigação de mudas em áreas áridas da Mongólia Interior, no norte da China.

A estrutura usa tubos de aço enterrados para condensar a umidade do ar e conduzir gotas de água ao entorno das raízes.

O projeto recebeu medalha de ouro no grupo juvenil da 77ª iENA, feira internacional de ideias, invenções e novos produtos realizada em Nuremberg, na Alemanha, entre 1º e 3 de novembro de 2025.

A invenção foi apresentada como um sistema de irrigação voltado a árvores jovens em regiões secas.

De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Jia construiu o protótipo com tubos de aço comprados em uma loja de ferragens e garrafas plásticas recicladas.

A proposta não usa bombas hidráulicas tradicionais nem depende de ligação elétrica para operar o processo de condensação.

Segundo dados divulgados pela Federação Internacional das Associações de Inventores, a edição de 2025 da iENA reuniu mais de 540 invenções apresentadas por 274 expositores de 21 países e regiões.

O evento ocorreu no Hall C3 do Centro de Exposições de Nuremberg e incluiu projetos de diferentes áreas, como engenharia, saúde, meio ambiente e tecnologia aplicada.

Como surgiu o sistema de irrigação subterrânea

Jia vive em Chifeng, na Região Autônoma da Mongólia Interior, uma área sujeita a seca, ventos e processos de degradação do solo.

O condado de Aohan, associado ao desenvolvimento do projeto, é descrito pela imprensa chinesa como uma região de clima árido e semiárido, com precipitação média anual de cerca de 380 milímetros.

A ideia surgiu em março de 2025, depois de uma tarefa escolar que pedia aos alunos a criação de temas de invenção.

Conforme relato publicado pela Xinhua, o adolescente relacionou uma aula de física às gotículas formadas pelo vapor na cozinha de casa.

A partir dessa observação, passou a desenhar uma estrutura capaz de captar vapor d’água do ar e direcioná-lo ao solo.

O problema escolhido por Jia estava ligado à sobrevivência de mudas em áreas com pouca disponibilidade hídrica.

Em regiões secas, árvores recém-plantadas podem morrer antes que as raízes se desenvolvam o suficiente para resistir a períodos de estiagem.

A rega manual, por sua vez, tende a exigir deslocamento, mão de obra e acesso regular a fontes de água, condições que nem sempre existem em terrenos afastados.

Tubos de aço usam diferença de temperatura no solo

O funcionamento do sistema se baseia na condensação.

Um tubo de aço é enterrado no solo, com uma estrutura superior projetada para conduzir o ar para dentro do equipamento.

Quando o vapor entra em contato com a parte subterrânea mais fria, a diferença de temperatura favorece a formação de gotas.

Depois de condensada, a água escorre pelo interior do tubo e chega ao entorno das raízes.

Com isso, a umidade é entregue abaixo da superfície, onde fica menos exposta à evaporação imediata.

A estrutura foi pensada para reduzir a dependência de irrigação convencional em pontos onde o transporte de água representa uma limitação prática.

O jornal chinês Science and Technology Daily informou que o dispositivo aproveita a variação térmica observada em Chifeng no verão, com média aproximada de 27°C durante o dia e 14°C à noite.

Esse contraste ajuda a explicar a escolha por tubos ocos enterrados verticalmente, já que a diferença entre superfície e subsolo é parte central do processo físico usado no protótipo.

Viagens de 30 km marcaram os testes do protótipo

O desenvolvimento exigiu sucessivas tentativas.

Segundo a Xinhua, Jia estudava em regime de internato e precisava se deslocar cerca de 30 km até a casa da família para acompanhar os testes.

Em algumas ocasiões, acordava às 4h para desenterrar parte da montagem, verificar medições de umidade e retornar para as aulas.

As primeiras versões não tiveram o resultado esperado.

Reportagem da Xinhua em chinês informou que o protótipo inicial não coletou água, e outras tentativas também falharam.

Depois de ajustes para ampliar a diferença térmica dentro do tubo, o estudante observou acúmulo de cerca de um centímetro de água no fundo do dispositivo durante um fim de semana de testes.

A família participou da construção e da verificação do equipamento.

Ainda segundo a reportagem, o avô contribuiu com sugestões, o pai ajudou em cortes, furos, transporte e escavações, e a mãe registrou etapas em vídeo.

A informação indica que o projeto foi desenvolvido em ambiente escolar e familiar, antes de chegar à feira internacional.

Medalha de ouro na iENA ampliou a visibilidade

A medalha foi recebida no início de novembro de 2025.

O jornal chinês Chutian Metropolis Daily informou que o prêmio foi entregue na tarde de 3 de novembro, no horário local da Alemanha.

A Xinhua publicou, depois, uma imagem de Jia exibindo a medalha em Nuremberg no dia 4 de novembro.

Na cobertura da agência chinesa, o projeto aparece ao lado de outras invenções juvenis de maior complexidade tecnológica, como robôs cirúrgicos e interfaces cérebro-computador.

O reconhecimento concedido ao dispositivo de irrigação foi atribuído à aplicação de princípios básicos de física em um problema ambiental concreto.

A iENA é apresentada por entidades ligadas ao evento como uma feira internacional voltada à exposição de invenções, protótipos e soluções técnicas.

Na edição de 2025, os projetos inscritos vieram de diferentes países e áreas do conhecimento, o que contextualiza o alcance da premiação obtida pelo estudante chinês.

Desertificação aumenta relevância de tecnologias de irrigação

A invenção ganhou repercussão por estar ligada a um desafio ambiental documentado por organismos internacionais.

A Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação afirma que até 40% das terras do planeta estão degradadas, com efeitos sobre populações, ecossistemas e atividades econômicas.

No caso de Aohan, a restauração ambiental tem relação com projetos de reflorestamento e controle de areia no norte da China.

A região aparece associada ao Programa Florestal dos Três Nortes, uma frente chinesa de plantio e proteção contra a desertificação.

Segundo a Xinhua, a cobertura florestal local chegou a cerca de 40,6%, com aproximadamente 373 mil hectares, após décadas de ações nessa área.

Mesmo com esses programas, mudas recém-plantadas continuam vulneráveis à falta de água, conforme relatam as fontes chinesas consultadas.

O dispositivo de Jia busca atuar nessa etapa inicial, oferecendo umidade no período de enraizamento.

A aplicação prática, no entanto, ainda depende de testes mais amplos e validação técnica fora do contexto do protótipo escolar.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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