Projeto Tianwen-3 pretende recolher amostras do planeta vermelho, estudar sua geologia e atmosfera e trazer material marciano à Terra para análise científica até 2031
A China quer dar um passo importante na exploração espacial nas próximas décadas. O país anunciou um plano ambicioso: enviar uma missão a Marte para coletar 500 gramas de solo marciano e trazer esse material de volta à Terra. Com isso, os cientistas pretendem investigar se o planeta vermelho já abrigou algum tipo de vida.
A informação foi divulgada pela agência estatal chinesa Xinhua, que apresentou detalhes do projeto e dos objetivos científicos da missão. Segundo a reportagem, os pesquisadores querem analisar o solo marciano em busca de possíveis sinais de vida no passado. Além disso, a missão também pretende estudar a formação geológica e a atmosfera de Marte.
Portanto, caso o plano funcione, os cientistas terão acesso direto a amostras do planeta vermelho. Isso permitirá análises muito mais profundas em laboratórios terrestres.
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Missão Tianwen-3 prevê lançamento em 2028 e retorno das amostras em 2031
A missão espacial recebeu o nome de Tianwen-3 e começou a ganhar forma neste ano. De acordo com o projetista-chefe da missão, Liu Jizhong, os engenheiros iniciarão o desenvolvimento de um modelo de voo ainda em 2024.
Esse protótipo servirá como base para o sistema final que irá viajar até Marte. Em seguida, a equipe pretende finalizar os sistemas técnicos necessários para o lançamento.
Segundo o cronograma divulgado, a missão deve decolar em 2028. Depois disso, o módulo pousará em Marte, coletará as amostras e enviará o material para a órbita do planeta. Por fim, a nave transportará o solo marciano de volta à Terra.
Se tudo ocorrer conforme o planejado, as amostras devem retornar ao nosso planeta em 2031.
Para cumprir todas essas etapas, os engenheiros estão construindo uma estrutura espacial bastante complexa. O projeto inclui vários módulos, cada um responsável por uma parte da missão.
Entre eles estão:
- um módulo de pouso em Marte
- um módulo de ascensão
- um orbitador
- um módulo de retorno
- um módulo de serviço
Além disso, os pesquisadores precisam desenvolver um sistema especial de coleta de solo. Esse equipamento deve recolher as amostras e selá-las com segurança para garantir que o material chegue intacto à Terra.
Exploração chinesa de Marte começou em 2021
A China iniciou a exploração direta de Marte em 2021. Naquele ano, o jipe-robô Zhurong, parte da missão Tianwen-1, pousou na superfície do planeta vermelho.
Desde então, o rover tem analisado o solo marciano e coletado dados científicos importantes. Como resultado, os pesquisadores conseguiram avançar na compreensão da geologia e do ambiente marciano.
Além disso, uma descoberta recente chamou a atenção da comunidade científica. No início do mês, a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) anunciou que encontrou gelo em camadas subterrâneas no solo de Marte.
Segundo a agência espacial, os dados indicam a presença de um material chamado “gelo sujo”. Esse material mistura gelo de água, solo marciano e cascalho, além de conter pequenas quantidades de rocha.
Essa descoberta aumenta ainda mais o interesse científico em Marte. Afinal, a presença de gelo indica que o planeta pode ter tido condições mais favoráveis à água líquida no passado.
Amostras marcianas podem ajudar a responder uma das maiores perguntas da ciência
Trazer material de Marte para a Terra representa um dos maiores objetivos da exploração espacial moderna. Isso acontece porque os laboratórios terrestres possuem equipamentos muito mais avançados do que os instrumentos instalados em sondas espaciais.
Assim, com 500 gramas de solo marciano, os cientistas poderão realizar análises químicas e biológicas extremamente detalhadas.
Por exemplo, os pesquisadores poderão investigar a presença de compostos orgânicos, minerais específicos e possíveis vestígios biológicos microscópicos.
Além disso, o estudo dessas amostras ajudará a compreender melhor a história geológica do planeta vermelho, as mudanças climáticas que ocorreram ao longo de milhões de anos e a evolução da atmosfera marciana.
Por esse motivo, a missão Tianwen-3 se tornou uma das iniciativas científicas mais aguardadas da exploração espacial.
Cada nova missão enviada a Marte traz novas pistas sobre o passado do planeta. E, à medida que os cientistas analisam essas informações, cresce também a possibilidade de responder uma pergunta que fascina a humanidade há décadas: Marte já teve vida?
Se os cientistas encontrarem sinais de vida antiga em Marte, você acredita que isso mudaria completamente a forma como entendemos o universo?

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