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Como o Brasil usa tecnologia e engenhosidade para fazer a água subir 200 m no sertão por canais, e chegar a 390 municípios, garantindo segurança hídrica a 12 milhões de pessoas

Publicado em 19/12/2025 às 17:31
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Estações de bombeamento levam volume captado do rio para os pontos mais altos do trajeto (Foto: Divulgação/MIDR)
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Projeto de Integração do Rio São Francisco eleva água em até 332,43 metros, vence desníveis de 200 metros, percorre 477 quilômetros de canais e garante segurança hídrica a 12 milhões de pessoas em 390 municípios do semiárido

O Projeto de Integração do Rio São Francisco utiliza estações de bombeamento para levar água a áreas elevadas do Nordeste semiárido, superando desníveis de até 332,43 metros e garantindo segurança hídrica a 12 milhões de pessoas.

O PISF foi concebido para assegurar abastecimento regular a cerca de 390 municípios do semiárido nordestino, enfrentando limitações impostas pelo relevo e pela escassez hídrica histórica da região.

Diferentemente de sistemas baseados apenas em gravidade, o projeto exige a elevação contínua da água captada no Rio São Francisco até cotas superiores do terreno.

Em determinados trechos, a água é elevada em cerca de 200 metros, patamar comparável a um edifício de 65 andares, antes de seguir por gravidade.

Engenharia aplicada ao relevo do semiárido

O sistema adotado combina estações de bombeamento, reservatórios intermediários e longos canais artificiais, formando um percurso técnico adaptado aos desníveis naturais da região.

Segundo Bruno Cravo, diretor do Departamento de Projetos Estratégicos da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica do MIDR, a obra exigiu soluções específicas para vencer diferenças altimétricas acentuadas.

O PISF é uma obra com engenharia muito particular”, afirmou Bruno Cravo, da SNSH do MIDR, ao destacar a robustez das estações de bombeamento.

PISF, Rio São Francisco, Canais
Elevações a partir das estações de bombeamento do Eixo Norte (Imagem: MIDR)

Funcionamento do Eixo Norte

No Eixo Norte, a primeira Estação de Bombeamento Intermediária, a EBI-1, localizada em Cabrobó (PE), eleva a água em aproximadamente 36 metros.

Essa elevação inicial equivale a um prédio de cerca de 12 andares e marca o início do percurso ascendente no Eixo Norte.

A segunda estação, a EBI-2, situada em Terra Nova (PE), promove uma elevação adicional de 58,5 metros, equivalente a quase 19 andares.

Ponto mais elevado do Eixo Norte

O ponto mais alto do Eixo Norte encontra-se em Salgueiro (PE), onde a EBI-3 eleva a água a 93,6 metros.

Essa altura corresponde a um edifício de aproximadamente 30 andares, consolidando o maior desafio altimétrico desse eixo.

Somadas, as três estações superam um desnível total de 188 metros ao longo de 82 quilômetros de extesão do canal.

Esse esforço permite que a água alcance regiões do interior nordestino situadas acima do nível natural do rio.

Estrutura do Eixo Leste

O Eixo Leste apresenta desafios ainda maiores, com 170,6 quilômetros de extensão e seis Estações de Bombeamento de Vazão.

As três primeiras estações, EBV-1, EBV-2 e EBV-3, localizadas em Floresta (PE), elevam a água em 168,47 metros.

Esse conjunto de elevação equivale a um prédio de 56 andares, concentrando parte significativa do esforço energético do eixo.

PISF, Rio São Francisco, Canais
Elevações a partir das estações de bombeamento do Eixo Leste (Imagem: MIDR)

Etapas finais do Eixo Leste

Após Floresta, a água segue até a EBV-4, em Custódia (PE), onde ocorre uma elevação adicional de 59,2 metros.

Em Sertânia (PE), a EBV-5 promove elevação de 43,3 metros, enquanto a EBV-6 acrescenta mais 63,38 metros ao percurso.

Ao final, o Eixo Leste supera um desnível acumulado de 332,43 metros, comparável a um prédio de mais de 110 andares.

Distribuição por gravidade

Após cada etapa de bombeamento, a água é direcionada a reservatórios mais altos e passa a escoar por gravidade.

O sistema utiliza canais, aquedutos e túneis para conduzir a água até a próxima estação ou ponto de distribuição.

Esse mecanismo de subida e descida permite que o projeto opere de forma integrada ao relevo regional.

Alcance territorial do projeto

No total, o PISF conta com cerca de 477 quilômetros de canais, beneficiando Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A infraestrutura foi dimensionada para atender grandes centros e pequenas comunidades do semiárido, segundo autoridades do governo federal.

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Impacto social e desenvolvimento regional

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que a transposição atua como política de desenvolvimento regional.

“A transposição passa pelo semiárido beneficiando comunidades pequenas”, declarou Waldez Góes, do MIDR, ao comentar os efeitos sociais da obra.

Ele ressaltou que a chegada da água melhora condições de vida e estimula atividades econômicas locais.

Como antecedente, o projeto consolidou-se como uma das maiores obras hídricas do país, ao integrar engenharia de grande escala e políticas públicas voltadas à segurança hídrica.

Com informações de GOV.

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Vanderley Almeida de Moura
Vanderley Almeida de Moura
26/12/2025 15:02

O estado da Bahia é o que tem a maior área territorial banhada pelo Velho Chico e até o momento não foi contemplado pelo projeto. Fala-se no eixo leste que irá melhorar as cidições de vids sofridos agricultores familiares e apesar do custo não excessivo do projeto nada se comenta sobre o mesmo. É lamentável.

Gilberto Papke
Gilberto Papke
22/12/2025 13:32

Interessante que a reportagem não cita nenhum governo ou grupo político e aí vem alguns cidadãos falar em Dilma, Bolsonaro e Lula. Obras públicas é obrigação, é pra isso que pagamos imposto. O que cada um fez não foi mais que obrigação. Parabéns ao CPG

Adriano Oliveira
Adriano Oliveira
22/12/2025 11:40

O duro da polarização é isso. A reportagem nem fala de governo. Todas as estações de bombeamento foram inauguradas entre 2015 (Dilma) e 2021 (Bolsonaro), nenhuma com Lula, mas os comentários são neste sentido. É triste o destino do Brasil.

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Romário Pereira de Carvalho

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